JAPÃO/COMUNIDADE BRASILEIRA: Pintura ajuda jovem a definir futuro no Japão

 

André Ryuji Abe Lajes, um adolescente de apenas 13 anos, vem se destacando na arte da pintura. O jovem nikkei tem mostrando talento e chamou a atenção de especialistas japoneses por conta da técnica refinada que possui. O garoto, que estuda em uma escola japonesa na cidade de Ikeda (Gifu), onde reside, passou por um momento extremamente difícil ao entrar na adolescência, e a pintura, com o providencial apoio da mãe, o salvou de um futuro incerto.

 

André é um garoto sorridente e extremamente prestativo, define a mãe Stefani Abe, 34 anos. “Ele me ajuda nos afazeres de casa, cuida dos irmãos menores, é um amor em todos os sentidos”, revela. Porém, ao pedir maior independência à mãe, o garoto se envolveu em confusões devido às más companhias que arrumou na escola. André praticou pequenos delitos, como quebrar vidraças e pichações, que acabaram por levá-lo detido à delegacia. Segundo as rígidas leis japonesas, caso a mãe ou a família não tivesse colaborado, o garoto poderia até ter sido preso e sentenciado a cumprir pena em presídios-reformatórios.

 

André com o quadro Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (Foto: Daniel Gimenes/Divulgação)

 

“O André só saia com a família, era muito apegado a mim e ao lar. Quando me pediu maior liberdade permiti que saísse com os amigos. Achei justa esta maior independência, mas acabou não sendo a melhor opção”, lamenta Stefani. A mãe ainda contou que ao receber o telefonema da polícia informando que o filho estava detido passou muito mal, mas soube lidar com a situação e encarar o problema de frente. “Apesar de tudo de errado que ele fez, o que mais me doeu foi o policial abrir a mochila dele na minha frente e lá ter maços de cigarro. Eu não podia admitir que ele estivesse fazendo tanto mal até para a saúde dele”, conta Stefani.

 

A escola também chamou a mãe para prestar os devidos esclarecimentos e ajudar na limpeza dos muros que o filho pichou, e até o professor do garoto colaborou. A partir de então Stefani buscou trabalhar a mente do filho para algo positivo, que pudesse direcionar sua capacidade e criatividade em benefício próprio. Foi então que ela resolveu investir no talento do menino para a pintura.

 

André e mãe Stefani (foto: Daniel Gimenes/Divulgação)

 

“Eu fiquei muito decepcionada, chateada, deprimida. Era muito difícil ver meu filho naquela situação, levando broncas das autoridades. Faltei vários dias do trabalho e acabei sendo demitida. No final acabou sendo bom, pois pude ficar em casa e apoiar o André a sair dos problemas em que tinha entrado”, considerou Stefani.

 

Os policias foram um dos maiores incentivadores para o André começar a pintar. Segundo o próprio garoto, eles disseram que ele tinha talento, pois demonstrou isso em alguns desenhos que fez nos muros de forma ilícita. Convencida disso e levada por amigos, Stefani conheceu o pintor japonês Takahito Ito, e aproveitou para apresentar o filho. André passou a fazer aulas de pintura em aerografia. O adolescente chegou até a participar de uma exposição em 2011 com o quadro Os Quatro Cavaleiros doApocalipse, e segundo o professor Takahito Ito, André possui uma técnica comparada a de pintores experientes. “Para ter sucesso e ser reconhecido pelo seu trabalho o André precisa apenas manter a disciplina, talento ele possui de sobra”, definiu o professor.

 

André é extremamente agradecido a todas as pessoas que o ajudaram nos momentos difíceis pelo qual passou. Segundo o adolescente, ele sentiu muita vergonha ao ser pego pela polícia e ter sido exposto da forma que foi, assim como pelo que fez a mãe passar. “O momento mais difícil foi quando vi minha mãe chorando. Hoje levo mais em consideração tudo o que ela fala. É uma supermãe, me deu todo apoio que eu precisava”, emociona-se o adolescente. Que hoje, após ter dado a volta por cima, pensa em dar o melhor que puder para a mãe, do qual ele considera uma heroína.

 

André pintando um quadro (foto: Daniel Gimenes/Divulgação)

 

A internet está repleta de sites de hospedagens de vídeos amadores, dos quais muitos estimulam os jovens a praticar atos de vandalismo. Foi através destes vídeos que André tomou contato com as ações de pichadores no Brasil e acabou sendo influenciado. O adolescente aconselha aos garotos da mesma idade a pensarem nos atos antes de cometê-los. “Além de você sofrer, faz com que todos em sua volta sofram. Isso é o que acaba doendo mais”, disse.

 

Além da pintura, André também se destaca por montar e pintar kits de miniaturas de automóveis. Com um bom futuro pela frente, ele sabe bem o que quer da vida. “Eu fiz coisas erradas pensando parecer mais homem e em parte por curiosidade. Pra mim o que eu fazia era uma arte. Arte é fazer coisas boas, das quais as pessoas sintam orgulho de mim”, considera André.

 

 

 

 

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