JAPÃO/COMUNIDADE BRASILEIRA: Skatista brasileiro quer montar pista no Japão para descobrir novos talentos

Clebson Motoki, 40 anos, curte adrenalina e emoção desde a infância. As competições de skate no Brasil consagraram o então jovem skatista no circuito nacional, principalmente na década de 1990.
Conhecido no Brasil co­mo Cofox, o skatista vive no Japão há dezesseis anos e, mesmo trabalhando em fábrica, continuou firme e atuante no esporte. Ele pretende montar uma pista de skate própria no arquipélago, para ajudar no desenvolvimento do esporte no país e, sobre­tudo, ajudar na formação de novos talentos, principalmen­te brasileiros.
“Tem muito brasileiro com talento, não só no skate, mas em muitas outras modalidades trabalhando nas fábricas. Com incentivo e oportunidades de competir em alto nível, podemos garimpar novos talentos”, acredita Clebson.

Daniel Gimenes (Foto: Cedida)

 

O brasileiro anda de skate desde os dez anos de idade. “Sempre dei prioridade ao skate em minha vida”, afirma. Ele conta que o pai gostaria que ele tivesse se tornado um jogador de futebol, e até o levou para treinar na escolinha do São Paulo Futebol Clube, mas a paixão pelas rodinhas falou mais alto no coração do rapaz.
Três meses depois de ganhar do pai o primeiro skate, Clebson já tinha praticamente acabado com ele, tal era a ousadia nas manobras que realizava. Não tardou muito e logo o skatista estava disputando campeonatos em São Bernardo, sua cidade natal. “Eu aprendia as manobras muito rápido, apenas com alguns treinos já as executava com grande precisão, aí fui me destacando”, explica.
Com apenas dez anos de idade Clebson venceu o primeiro campeonato da carreira, na categoria para iniciantes.
A ascensão do skatista foi rápida, ao ponto de poucos anos depois já ter o apoio de patrocinadores e contar com uma linha de roupas e produtos esportivos com o nome dele. “Eu recebia salário para competir, mas infelizmente a estrutura do esporte no Brasil era muito amadora. Diante disso passei a fazer mais apresentações do que competir propriamente dito”, esclarece.

Daniel Gimenes (Foto: Cedida)

 

Mudanças – No ano de 1995, sentindo forte dentro de si as raízes familiares que possui com o Japão, Clebson resolveu ir para a terra do sol nascente e ficar por um ano lá. Na terra dos avós, o skatista pretendia trabalhar por um ano, conhecer mais a cultura e seguir para a Califórnia nos Estados Unidos, onde pretendia disputar campeonatos de skate por dois anos. Posteriormente pensava em retornar ao Brasil para abrir uma loja de produtos relacionados ao esporte. “Meus planos mudaram quando co­nheci uma linda japonesa, fiquei apaixonado e acabei ficando no Japão. Ela me deu os três troféus mais importantes da minha vida, que são os meus filhos”, fala emocionado.
A partir desta decisão, o brasileiro focou no Japão o rumo da sua vida, como também passou a se envolver mais com o skate no país. “Na década de 1990, o skate como esporte ainda estava enga­tinhando no Japão, mas sabia que o país tinha potencial para realizar bons campeonatos”, relata.
Clebson passou a disputar algumas etapas entre os japoneses e, como no início da carreira no Brasil, passou a vencer com certa facilidade. O skatista ainda contou que no início não podia competir pelo fato dos japoneses estarem a um nível abaixo dele. “Tive de ficar mais na parte de organização e arbitragem, mas aos poucos fui me inserido nas competições”, contou Clebson, que venceu, entre outros, o Hunter Point´s Bowl Jam em Nagoia, cidade onde o skatista reside.

Daniel Gimenes (Foto: Cedida)

Atualmente o brasileiro está competindo na categoria aberto, onde não há limite de idade para participar. “Hoje o esporte está muito melhor desenvolvido se comparado com o ano quando eu cheguei, mas ainda é difícil viver apenas dele. Nos Estados Unidos os skatistas mais famosos estão entre os esportistas mais bem pagos do país, aqui ainda preciso trabalhar na fábrica”, lamenta.

 

 

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