JOJOSCOPE: O Livro de Travesseiro

 

Sei Shonagon, retratado provavelmente por Tsukioka Settei

Escrito no século 10 em Heiankyô (平安京), atual Kyoto, por Sei Shônagon (c. 966-1020), dama da corte da Imperatriz Teishi, O Livro do Travesseiro é a principal obra da literatura clássica japonesa. É também a porta de entrada mais certeira para o universo de costumes, valores e atitudes mentais que moldam, até hoje, a base de vida no Japão.

Com cerca de trezentos textos curtos, que podem ir de algumas páginas a uma única linha, e que podem ser lidos em sequência ou com a liberdade do acaso, o livro compõe um belo inventário da cultura do Japão da corte, vista pelo olhar poético de uma grande escritora. Com a capacidade de produzir insights inesperados, Sei Shônagon ilumina tanto os pequenos fatos do cotidiano no Palácio Imperial, como os fenômenos da natureza, as sutis interações da vida social e a refinada trama de valores estéticos que enlaça e organiza praticamente todas as esferas da cultura.

Verdadeiro recenseamento dos costumes e práticas do período Heian — aquele em que se forma e sistematiza a estética propriamente japonesa, O Livro do Travesseiro compõe um registro dos afetos, da sensibilidade e do conhecimento de uma época. Sei Shônagon narra e descreve grandes acontecimentos festivos (como os festivais religiosos e musicais) e os complexos códigos de conduta, que se estendem desde as relações entre a Imperatriz e suas damas, entre pessoas de diferentes sexos, gerações e distintos graus na hierarquia do poder, até os mínimos e surpreendentes detalhes da etiqueta e do vestuário.

 

 

 

Traduzido e anotado ao longo de onze anos por uma equipe de professoras do Centro de Estudos Japoneses da Universidade de São Paulo, O Livro do Travesseiro traz, além de um esclarecedor prefácio que situa no tempo a vida e a obra da autora, três preciosos apêndices que auxiliam na compreensão do contexto histórico, literário, estético e sociológico da obra.

 

Cena antológica do filme The Pillow Book

O olhar extremamente aguçado de Sei Shônagoné o que explica que a obra, escrita no final do século X, início do XI, por uma dama da corte a serviço de sua Imperatriz, em Quioto, numa sociedade tão diversa da nossa quanto o Japão do período Heian, possa tocar o leitor contemporâneo com tamanho frescor e alegria. A autora, que inspirou Jorge Luis Borges a traduzir parcialmente para o espanhol O Livro do Travesseiro, e o cineasta Peter Greenaway a dirigir o premiado The Pillow Book(O livro de cabeceira, 1996), tem um número cada vez maior de admiradores no Ocidente, ao que iremos somar alguns brasileiros com a chegada da obra pela Editora 34.

 

 

Sobre a autora_ Sei Shônagon, como é conhecida hoje, recebeu tal nome enquanto atuava como servidora da Consorte Imperial Teishi, esposa principal do Imperador Ichijô (980-1011, no trono desde 986 até a morte). Nascida por volta de 966, filha e neta de poetas renomados, é convocada no ano de 993 pelo Conselheiro-Mor Fujiwarano Michitaka para servir à Corte de sua filha, Teishi, em Quioto, então capital do Império. Sei Shônagon inicia então, possivelmente aos 27 anos, suas atividades na Ala Feminina do Palácio Imperial, e logo começa a escrever os textos que comporão O Livro do Travesseiro, obra concluída no ano 1001. Em 1000, Teishi falece após complicações de parto, aos 24 anos, e, em 1011, morre o Imperador Ichijô. Afastada da corte, Sei falece em Quioto, por volta do ano 1020.

 

 

O livro do travesseiro

Sei Shônagon

Organização de Madalena Hashimoto Cordaro

Tradução de Geny Wakisaka, Junko Ota, Lica Hashimoto, Luiza Nana Yoshida e Madalena Hashimoto Cordaro

616 p. | 16 x 23 cm | ISBN 978-85-7326-515-6 | 2013 – 1ª edição (Acordo Ortográfico) | R$ 78,00

 

 

 

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