JOJOSCOPE: Rogério Degaki: a Princesa não mora mais aqui

 

A Galeria Marcelo Guarnieri inaugurou no dia 24 de agosto, a mostra individual do artista plástico Rogério Degaki intitulada “Your princess is in another castle”, inspirada no universo dos jogos de videogame. São onze obras inéditas produzidas no ano de 2012, sendo dez esculturas e uma instalação composta por cinco peças de tamanho médio. A exposição permanecerá até 14 de setembro de 2012.

 

Foto: Maurício Froldi

 

Graduado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em 2000, Rogério Degaki (38) fez residência, durante seis meses, na Cité Internationale des Arts, Paris, em 2005. Esta será sua primeira individual na galeria Marcelo Guarnieri, tendo já realizado diversas exposições individuais e participado de importantes coletivas como “O colecionador de sonhos” (2011), com curadoria de Agnaldo Farias, “Nova Escultura Brasileira” (2011) com curadoria de Alexandre Murucci, e a mostra “Quando Vidas se Tornam Forma: Diálogo com o Futuro” no Museu de Arte Moderna, São Paulo (2008), com curadoria de Yuko Hasegawa, além de exposições internacionais em instituições como o YBCA-Yerba Buena Center for the Arts, São Francisco-EUA, Hiroshima City Museum of Contemporary Art e Museum Of Art Tóquio-Japão. O artista é representado no Brasil pelas galerias Casa Triângulo e Marcelo Guarnieri.

 

Foto: Maurício Froldi

 

Leia aqui, texto do curador Marcio Harum, sobre a obra de Degaki.

 

“Thank YOU, but our Princess is in another castle

Por Marcio Harum

 

Exibida entre as duas salas separadas por um largo corredor da galeria Marcelo Guarnieri em Ribeirão Preto, o que nos espera na exposição Your Princess is in another castle de Rogério Degaki, não é nada menos do que a visão de um mundo antigravitacional. Inspirado pelas cores, gráficos e sons das partidas de videogame vintage da geração 2D (Super Mario Bros.), o próprio título, que sugerido pelos movimentos estruturais em suspensão dos jogos eletrônicos de plataforma com rolagem lateral (side-scrolling), comenta com humor a realização da partida por um jogador qualquer, jogo esse que conta com um protagonista bigodudo (Mario) – um homenzinho que corre atrás de uma princesa sequestrada por um lagarto gigante.

 

Foto: Maurício Froldi

 

 

 

A mostra de Degaki nos apresenta em 3D um conjunto de esculturas em içamento, onde as multicamadas de movimentos paralaxe (mudanças na posição de um objeto observado, causadas por alterações na posição do observador) possam irromper no espaço expositivo, sem nos deixar qualquer dúvida de seu lugar de origem ou acontecimento. As duas salas divididas seguem o mesmo formato single-screen dos jogos de vídeo, nas cores das esculturas e das paredes à vista – Fase 1 (cores frias) e Fase 2 (cores quentes) – que ambientam o visitante sem timer aos níveis do desafio de apreciação das peças em exibição, algumas delas penduradas no ar.

Para essa específica montagem, o artista recria uma atmosfera tão fortemente baseada em reminiscências pessoais, que ao se relacionarem com o universo de fantasia dos personagens de desenho animado prediletos de sua infância, faz-nos por ora abandonar qualquer recordação de proximidade de criação. São peças que, de uma maneira ou outra, permanecem coladas a nossa retina de amante das artes, como o coelho cromado de inox dos anos 1980 do artista norte-americano Jeff Koons ou as peças de bonecos de mangá dos anos 1990, feitas com plush pelo artista japonês Takashi Murakami.

No período dos últimos dez anos, Degaki vem se dedicando a construção de tão atraente e variado rol de figuras de cabeça grande e corpo pequeno. A partir do desenho à mão, o artista se lança ao rigoroso e lento trabalho da escultura delicada e precisa do isopor. Começa daí o tratamento para dar equilíbrio a produção das peças, que passam então pelos processos de acabamento com fibra de vidro, resina plástica e a valiosa finalização com pintura automotiva.

 

Foto: Maurício Froldi

 

 

Aos incautos, as obras dessa exposição apenas assemelham-se esteticamente à ideia de objetos projetados em computador e transferidos automaticamente para a linha de montagem fria e distante da escala tecnológica-industrial. Mesmo sendo o artista um espontâneo pesquisador-arqueólogo de diversões eletrônicas recreativas (dead media), Rogério Degaki nos prova desde a raiz de seu pensamento visual, que a disciplina do ofício braçal no ateliê é a sensível verdade de seu trabalho.

 

 

SERVIÇO:

Galeria de Arte Marcelo Guarnieri, até o dia 14 de Setembro de 2012

Rua São José, 1497 Ribeirão Preto / São Paulo / Brasil  55-16-3632-4046 |  55-16-3625-1216

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FONTE: