JOJOSCOPE: Sweet Delícia

A confeitaria japonesa tradicional é conhecida como wagashi (和菓子), mas a chamada “pâtisserie” ganha força no Japão, onde é conhecida como yôgashi (洋菓子), ou literalmente, doces ocidentais. Hoje, até a Europa observa com atenção o desenvolvimento da pâtisserie japonesa, pela alta qualidade de seus produto.

 

Ohmiya Yogashiten, uma das primeiras confeitarias ocidentais de Tokyo. Foto: arquivo

No Japão pós-guerra, um marco em todos os campos de atividade foram as Olimpíadas de Tokyo, em 1964, que praticamente remodelou a metrópole preparando-a para o futuro. Também na pâtisserie, este ano foi decisivo. No ano anterior, desembarcava em Tokyo, o chef pâtisseur francês André Lecomte (1932-1999), a convite do Hotel Ohkura. Foi ele o introdutor oficial da pâtisserie  no Japão. O fato é que ele gostou tanto do Japão, que acabou permanecendo por mais tempo, até abrir a sua própria confeitaria, isso em 1968, o “Lecomte”, em Roppongi, um dos mais bairros mais badalados de Tokyo. De lá nasceram jovens aspirantes à confeitaria ocidental. Graças a Lecomte, uma geração de jovens viajou para Paris, para aprender as técnicas e as receitas dos doces franceses. Uma grande maioria retornou ao país em meados da década de 70, e nos anos 80 surgiu um boom de confeitarias ocidentais no Japão. Estes anos foram decisivos para o Yôgashi se firmar como uma nova categoria gastronômica. Os pâtisseurs japoneses começaram a marcar forte presença nos concursos internacionais, especialmente na Europa e hoje são considerados de excelente nível. Ao mesmo tempo em que participam destes concursos, os pâtisseurs japoneses transmitem um novo conceito de confeitaria para o mundo.

Um dos doces que chamou a atenção dos japoneses na década de 80 foi a mousse, de forte influência danouvelle cuisine. A leveza é garantida pela aeração, um procedimento que requer também um resfriamento rápido. O processo de introdução e aceitação da mousse no Japão foi muito rápido, e logo virou um hit nas confeitarias.

 

Mousse de framboesa ao estilo japonês: 30% menos calórico.

 

Já o mesmo não ocorreu com o macaron. Pâtisseurs franceses penaram para adequar os ingredientes japoneses para a fabricação de macaron no Japão. Os resultados não satisfatórios eram atribuídos à alta umidade do ar no Japão, mas logo se verificou que um melhor conhecimento da qualidade diferente do ovo, do açúcar impalpável (que contém amido de milho), e da farinha de amêndoa encontrada no Japão faziam toda a diferença no resultado. Calibradas, agora o Japão se orgulha de possuir inúmeras casas especializadas em macarons. De lá saíram receitas exclusivas, como os macarons de chá verde, que é servido nos vôos da All Nippon Airways, acompanhado de um ótimo chá de Uji.

 

Macaron de chá verde, servido com uma taça de chá verde de Uji, nos vôos da All Nippon Airways. Pode parecer redundante, até no formato, mas a experiência permite, literalmente, flutuar, em pleno ar. Foto: Jo Takahashi | Jojoscope

 

O que diferencia os doces Yôgashi do Japão com os da Europa, é que eles são extremamente leves e muito menos doces, ficando no limiar da doçura. Essa sutileza pode causar estranheza num primeiro momento, mas com essa receita é possível distinguir melhor os diferentes ingredientes que compõe o doce. Foi assim que o Japão acabou criando uma escola de yôgashi e é para lá que muitos estudantes de gastronomia e confeitaria têm ido para aprender a confeccionar esse doce-não-doce.

A febre de confeitaria ocidental no Japão é tanta que teve até um filme sobre o tema: Yogashiten Coin de Rue (「洋菓子店コインドル」), dirigido por Fukagawa Yoshihiro, tendo como protagonista a lindinha Aoi Yu.

 

Cartaz do filme Yougashiten Coin de rue

 

Assista ao trailer (somente em japonês)

 

 

Um dos jovens talentos que resolveu investir um tempo no aprendizado da esmerada confeitaria yôgashi no Japão foi Vivianne Wakuda, formada em Gastronomia pelo Senac de Campos do Jordão, e que estagiou na província de Fukui, em 2008, ano do centenário da imigração japonesa no Brasil. Com  passagem também pela Pâtisserie Douce France, no restaurante Las Chicas e na Kazu Doces, todas em São Paulo, Vivianne se sentiu pronta para seu vôo solo. Abriu a sua confeitaria, a Sweet Deli Pâtisserie, no coração da avenida Paulista.

 

Chef Vivi recebe a visita de Akemi Matsuda, Embaixadora Kawaii no Brasil Foto: Jo Takahashi | Jojoscope

 

Sua rotina de trabalho começa pontualmente às 6 horas da manhã, quando inicia a preparação dos doces do dia. Afinal, não é só bater a massa. O acabamento primoroso que confere uma apresentação visual impecável é uma das características dos doces japoneses. A mousse, levíssima, na versão de Vivianne pode ser de chocolate meio amargo, coberta com chantili, folhas de manjericão-anão, sementes de romã e mirtilo. Um hit do Japão dos anos 1970, o choux-cream está sempre presente na vitrine convidativa da Sweet Deli.

 

O famoso choux a la crème , com um incrível creme de amêndoas por dentro. Foto: Jo Takahashi | Jojoscope

 

Mas sucesso mesmo é o bolo mousse de matchá, pó de chá verde, aquele que é usado na tradicional cerimônia do chá e que virou febre internacional. O amargor que persiste na boca pode ser estranho na primeira experiência, mas com o tempo, vira mania. É um sabor para paladares adultos.

 

Akemi Matsuda escolhe o doce-hit da Sweet Deli: matcha cake ! (Foto: Jo Takahashi | Jojoscope)

 

“Mousse de chocolate branco Callebaut 25,9% com calda de frutas vermelhas, delicado, contrastando com a acidez das frutas vermelhas!” é a recomendação da chef Vivi Foto: Sweet Deli Pâtisserie

 

Vitrine tentadora do Sweet Deli, difícil escolher, impossível ficar em um só! Foto: Rafael Salvador para a revista Hashitag | Editora JBC

Vitrine tentadora do Sweet Deli, difícil escolher, impossível ficar em um só! Foto: Rafael Salvador para a revista Hashitag | Editora JBC

 

Os chiffon cakes são outro pedido imprescindível na Sweet Deli. No dia de nossa visita, levamos para casa os levíssimos chiffon de laranja. Mas há também o chiffon de café, contendo Nespresso na massa.

 

Chifon cake de laranja saindo do forno ! Foto: Sweet Deli Pâtisserie

 

Chifon cake de laranja. Reparem no tamanho do pedaço ! Foto: Jo Takahashi | Jojoscope

 

Para alguns, esta Pavlova é imbatível. Foto: Sweet Deli Pâtisserie

 

Eleita em 2014, como a melhor confeiteira do ano, pelo voto popular da revista Veja em São Paulo, Vivianne hoje tem uma legião de fãs aficionados pelos seus doces, conquistados literalmente, no boca a boca. E há muita gente pedindo para que a pâtisserie abra nos finais de semana. Vivianne já deve estar pensando numa solução para atender os seus fãs. Por enquanto, só nos dias de semana.

 

A rosa feita com açúcar impalpável decorava a loja no dia de nossa visita ! Delicadeza pura. Foto: Akemi Matsuda

 

P.S. O preferido de Jojoscope foi este Souflé Cheese Cake, mais leve do que o tradicional, aerado e refrescante !

 

Foto: Jo Takahashi | Jojoscope

 

 

Sweet Deli Pâtisserie

Endereço: Galeria 2001, Av. Paulista, 2001, loja 4, São Paulo (pertinho do Conjunto Nacional, estação Consolação do metrô)

Telefone: (11) 3287.9760

Horários: Segunda a sexta-feira, das 9h às 19h30

Não abre nos finais de semana

 

 

Fonte: jojoscope_bar

 

 

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