JORGE NAGAO: “ÁGUANIA”

 

Paulo Massato Yoshimoto, diretor da Sabesp: "Nossa engenharia está correndo contra o relógio" (Divulgação) Do site da veja.abril.com.br

Paulo Massato Yoshimoto, diretor da Sabesp: “Nossa engenharia está correndo contra o relógio” (Divulgação) Do site da veja.abril.com.br

 

Brasileiro sabesperar, não desiste nunca e acreditava que São Pedro, o manda-chuva, poderia tardar mas despejaria as tão desejadas águas.

Aí vem o supersincero Paulo Massato Yoshimoto, diretor metropolitano da Sabesp, e nos joga um balde d’água fria:

– Saiam de São Paulo, a água está no fim, não vai ter água para a limpeza, não vai ter água para o banho, quem puder compra água mineral. Quem não puder, vai tomar banho na casa da mãe em Santos, Ubatuba ou Águas de São Pedro, aqui não vai ter. Serão dois dias com água e 5 sem. Cinco à sec!, sacou o Zé Simão.

Agora, estamos bovinamente à espera do caos. Bateu o desespero. Não se fala em outra coisa na rua, na padaria, no elevador, no caixa do supermercado. Imagina, 5 dias sem banho num trem, ônibus ou metrô lotado, nesse calor, socorro!

No dia do aniversário da cidade, o prefeito Haddad que também aniversariava, pedia, de presente, uma chuva na Cantareira. 57% dos paulistanos afirmavam que fugiriam da cidade, se pudessem. Hoje, deve estar em 75%.

Os síndicos convocam reuniões para debater a crise hídrica, traduzindo, falta d’água. Edifício o que vem por aí. Como economizar? Sugestões de quem mora na jogada:

Banho de, no máximo, quatro minutos; Escovar os dentes com apenas um copo d’água; Fazer xixi no banho; Descarga só no nº2; beber água com moderação; Piscina só de bolinhas; quando chegar visita, não por água no feijão; Não faça a barba; Use prato e copo de plástico; Tome whisky caubói, sem gelo. E aguar..de o fim da água.

Na periferia, já falta água desde a campanha eleitoral mas o pobre pouco reclama, dizia o meu amigo Hiroshi que lá trabalhava. Mas, quando faltava nos bairros de classe média, o telefone da Sabesp não parava de tocar, dizia ele, rindo.

Aguara, a gente se dá conta que o desperdício era normal, afinal, o precioso líquido nunca nos faltou, no Sudeste. Lavar carros e calçadas era normal, agora choramos a água derramada.

Lendo os jornais, constato que a tal de crise hídrica é geral: é hospitalhídrica, presidhídrica, escolhídrica, carnavalhídrica – dez municípios do Sudeste já cancelaram o carnaval; igrehídrica, os padres estão pedindo pros fieis rezarem pra chover; a situação está apocalhídrica.

Criticamos o vizinho que toma um banho demorado, mas você sabia que as residências representam apenas 10% do consumo nacional. Lá, no interior, no campo, eles não estão nem aí.

Sabia você que, o agronegócio no Brasil é responsável pelo consumo de 72% da água disponível e que desperdiça quase a metade, 45%? Quem afirma isso é a FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Falta fiscalização.

Samir Curi, engenheiro agrônomo do INCRA-MT, afirma que o pivô, arcaico sistema de irrigação por canos que desempregou milhares de trabalhadores rurais, desperdiça muita, muita água. Documentos oficiais da ONU garantem que uma economia de 10% na irrigação mundial garantiria o consumo de água de toda a população do planeta.

Marcos Von Sperling, especialista em saneamento da UFMG, reitera que a solução seria focar as medidas de racionamento no campo, onde há maior disponibilidade e desperdício, diz, em entrevista a Marcio de Moraes, no pt.org.br.

O Brasil tem muito a aprender com o sistema de irrigação de  Israel. A tecnologia de ponta daquele país transformou desertos em pomares e lavouras de alta produtividade.

Na feira de Agritech, em Tel Aviv, são disponibilizadas novidades de irrigação, reuso, gestão de águas, estufas automatizadas, softwares e equipamentos para ordenha e monitoramento de rebanhos leiteiros. Com 50% do território em áreas áridas, Israel produz alimentos para o seu povo e ainda exporta. O Brasil devia copiar o avançado sistema de gotejamento para conter o desperdício.

Mais impressionante é a produtividade do leite: enquanto Israel produz 12 mil litros por vaca, no Brasil, não chega a 1500/ano, oito vezes menos que eles. No futebol, foi 7 a 1, pra Alemanha; na pecuária, perdemos de 8 a 1, pra Israel.

 

Está acabando a água.

Tá acabando a água.

Acabando a água

Bando a água.

Do a água.

Água.

Ua.

.

É o fim!

 

Fonte: ANA, Agência Nacional das Águas

Fonte: ANA, Agência Nacional das Águas

 

 

 

 

 

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Jorge Nagao

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