JORGE NAGAO: Argo A Dizer

 

(inspirado em “Matuto No Cinema”, de Jessier Quirino, veja no Youtube,

 

 

Simplício, um aposentado de Bálsamo-SP, analfabeto, assistiu com interesse a reportagem sobre o Oscar-2013, vencido pelo filme Argo. Na tarde do dia seguinte, dirigiu-se a São José do Rio Preto, cidade próxima, onde o filme estava em cartaz. Assistiu ao filme legendado. Retornou à noite para sua “Barso”, como ele chama a sua cidade, pra contar o filme contando apenas com a sua memória fotográfica, já que a legenda fora inútil pra ele. Depois do jantar, reuniu a família e assim falou Simprício:

 

“Argo é um firme bom memo. Coisa de Roliúde. Bem internacioná. Prestenção, intão: no começo, mostra uns desenho da estória daqueles país do Zaiatolá e da turma do Bin Ladi, ouve-se uma voz de mulé que explica: “nunseiquelá, nunseiquelá, nunseiquelá”. Parece que o presidente de lá fugiu pros Estadusunidu. Aí o povo invadiu que nem doido a Baixada dos americano e exigiro a vorta do presidente fujão. Foi um pega pra capá. Pularo o muro, quebraro o cadeado do portão, quebraro os vidros, arrombaro as porta, enfrentaro as bomba de gái, os funcionário rasgava os documento mas, no fim, aquele bando de lôco tomô conta da casa como o Curíntia tomô o Japón, e os funcionário se rendero. O pobrema é que teve uns seis americano que fugiro daquela casa.

Despois aparece um barbudinho da CIA que vai pruma reunião cas otoridade do guverno pra salvá os sei americano que tava sendo caçado pela puliça e pelo povo irado do Irã. Começa um blábláblá danado “nunseiquelá, nunseiquelá, nunseiquelá” mas acabô a reunião sem solução.

Chegando em casa, o barbudinho telefonô pro fio dele que morava com a mãe notra cidade. O casá pelo jeito tava brigado. Não sei pruquê o barbudinho ligô a televisão e começô a passá aquele firme do praneta dos macacu. Parece que esse firme deu uma ideia prele pra salvá os fugitivo. Ele foi pra Roliúde procurô seu amigo balofo e eles foro conversá com o pessoá que inventa firme como o diretô, o escrevinhadô de estória, esse povo todo, e vortô pra convencê o guverno sobre seu plano. Num sei pruquê, despois que eles convencero o guverno, eles falava “Argo Faquiú” e morria de ri.

Encontrô um amigo que disse que no aeroporto ele teria pobrema pruquê quando entrava no país o fiscá ficava com uma via da ficha. Os fugitivo podia tê passaporte e cópia da ficha mas sem a ficha que provava a entrada deles, eles seria suspeito e podia ser preso ou enforcado e pendurado nas avenida da capitar. Ele viajô até aquele país de maluco e mostrô pro homi de lá como ia sê o firme. Pediu também pra conhecer o grande bazá, um lugar com mais gente que a rua 25 de maço de Sumpaulo. O baixadô que amoitô os fugitivo na sua casa conseguiu os passaporte com foto e tudo pros fugitivo. Mas quando o barbudinho e foi conversá com eles não foi bem aceito.

Principalmente por um ocludo de bigode que se borrava de medo. Tinha um que parecia com o Antonho Marco, aquele cantor que cantava o homi de Nazaré, que foi casado ca Vanusa aquela loira que canta o hino nacioná tudo errado. Ele dizia “nunseiquelá, nunseiquelá”, com tanta fé que os fugitivo acabaro confiando nele, até o ocrudo. Mas telefonaro pra ele e ele ficô desesperado, parece que o guverno americano mandô pará tudo. Na vespa da viage, ele mandô os fugitivo ouvi música e bebê pra relaxá. Ele memo pegô um litro de uísque e tomô uns golão no gargalo mas ele sabia que precisava ser macho. Ligô de vorta pro cara que disse que tava tudo cancelado e, bem brabo falô “nunseiquelá, nunseiquelá, nunseiquelá”. E desligô o telefone. O cara ficou desesperado e teve que brigá com todo mundo do guverno para salvá o amigo e os fugitivo. O barbudinho e os fugitivo foro pro aeroporto. Todo mundo nevoso. Chegaro no guichê, as passage não tinha chegado. O barbudinho pediu pra moça vê de novo. Milagre! Chegô um segundo despois. Agora, tinha que passá pelo fiscá das ficha que não existia.

Enrolaro o cara com uma carta do guverno deles e passaro. Mas tinha a última etapa, e, que azá!, pegaro o guarda mais bravo do mundo, desconfiado pra caray. Ele mandô todo mundo pruma salinha. Engraçado que o ocrudo medroso, logo ele, começô a conversá na língua dos maluco e falô do firme, mostrô os desenho da estória, a propaganda do firme Argo no jorná lá deles. Até que o barbudinho deu o cartão lá de Roliúde pro guarda bravo ligá pra lá. E o cara ligava mas o Balofo não estava lá. O barbudinho e os fugitivo tavam ferrado. O guarda bravo ligô de novo e desta vez o Balofo confirmô que o barbudinho tava viajano e o guarda pitbú liberô todo mundo. Nesse mei tempo, a puliça invadiu a casa do baixadô do Canadá onde tava os fugitivo e descobriro que eles tavam lá e fugiro. Ligaro pra puliça do aeroporto. O guarda bravo ficô com cara de coió e foi tentá impedi a subida do avião.

Mas as porta tavam todas trancada. Enquanto isso, o barbudinho e seus protegido já tava no avião muito nevoso. Quando os puliça chegaro na torre o avião que já tinha orde pra decolá, o barbudinho ainda viu os carro da puliça chegano mas o avião já tinha embicado e começô a subir. Nos Estadusunidus, eles comemoraro como se o Papa fosse americano, uma baita emoção: – Conseguimu! E repetiro: “Argo Faquiú” e riro muito. Quando a aeromoça disse ‘nunseiquelá, nunseiquelá” eles começaro a ri e se abraçá pra espanto dos passagero. O barbudinho ficô quetinho. O medroso foi inté ele e cumprimentô o barbudinho sem falá nada. O fim do firme nem vô contá pruquê foi aquela coisa melosa de famílha, menagens do guverno, mas valeu a pena. Esse firme Argo é bão pruquê tem Argo a dizê”.

 

 

*Jorge Nagao,  além do Nippak e www.portalnikkei.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

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One Comment

  1. Manogao, muito legal. Gostei.

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