JORGE NAGAO> Balão, de lindão a vilão

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Festa junina em Portugal

 

Um momento inesquecível da minha infância foi no dia de São Pedro de 1958. O Brasil conquistava a Copa do Mundo, o povo comemorava nas ruas e, no céu estava bonito, havia dezenas, centenas, de balões de todas as cores e tamanhos.

Balão era tudo de bom, a maior diversão. Quando a molecada não estava fazendo um, estava correndo atrás de algum que estava caindo ali perto. Tinha um balãozinho de uns dois palmos, branco, chamado Chinesinho que vendia como pão quente.

Festa junina, antigamente, era a melhor época do ano porque o carnaval durava poucos dias e não havia esse consumo desenfreado no fim do ano. Fogueira, batata doce, pipoca y otras cosas buenas, tinha em quase todas as ruas, naquela época os carros eram raros.

“Tempo bom, lelê, não volta mais / saudade de tempos atrás”, como cantava o Lilico, batendo o bumbo, na Praça da Alegria. Pronto, bateu a nostalgia.

Nos anos 80, quando o balão já estava proibido, o primo André nos levou a um festival de balões, num bairro afastado do Rio de Janeiro. De um barranco, uma multidão assistiu a um desfile de balões enormes, todos com lanterninhas. Um espetáculo bonito, de arrepiar. Certamente, foi uma bela despedida dos balões que encantaram a minha infância.

Proibidíssimos, hoje, devido aos incêndios que causam, a nova geração desconhece a importância pra crianças do século passado, hoje respeitáveis tiozinhos e até avós.

Outro dia, lembrei do balão junino. Um criança perdeu uma bexiga de gás que voou para o céu e ela chorou. A gente, ao contrário, sorria quando o balão subia.

Nas atuais festas juninas, muitas músicas exaltam exatamente o balão. Exemplos?

“ Olha pro céu, meu amor,/ Vê como ele está lindo,/ olha praquele balão multicor / que no céu vai subindo.” (Olha pro céu, de Luiz Gonzaga e José Fernandes)

“ Quando eu era pequenino / de pé no chão / eu cortava papel fino / pra fazer balão.” (Lamartine Babo)

“ O balão vai subindo / vem caindo a garoa / o céu é tão lindo / e a noite tão boa / São João, São João, acende a fogueira/ do meu coração.” (Sonho de papel, de Carlos Braga e Alberto Ribeiro).

“ Cai, cai, balão / cai, cai, balão / aqui na minha mão / não vou lá / não vou lá / Tenho medo de apanhar.” (Cai, cai, balão, autor sumiu como o balão)

 

 

 

Viva São João!

Na festa junina, não fique feito um pamonha ou uma maria-mole. Pra curau a timidez, tome um quentão ou um vinho quente, sem cair na fogueira.

Dê um suspiro, e curta a festa um bom-bocado, numa broa. Fique esperto para não pisar num pé-de-moleque, vai que o pai dele lhe quebra-queixo.

Cuidado ao pedir cuscuz ou uma rosquinha, a sua batata pode assar.

Para um jovem ou um cinquentão, quindinlícia é a festa junina.

Então, viva São João!

 

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Mano Down, prestigie

Está na praça, o livro Sobre lagartas e borboletas, da Tubap Books, organizada por Adriana Aneli, Chris Hermann, Adriane Garcia e Maria Balé.

Setenta e cinco poetas participam desse magnânimo projeto, entre eles, o Degas aqui.

Para adquirir o livro, acesse o site

www.saraiva.com.br/sobre-lagartas-e-borboletas-88935. A renda será destinada à Instituição Mano Down, que cuida dessas pessoas tão especiais. Arigratoo!

 

 

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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    2 Comments

    1. Estou escrevendo ao Jorge Nagao san para expressar que fiquei encantada pelo seu “Viva São João”: expressa inteligência muito criativa.
      E também para dizer que, em tempos não proibidos, corri às janelas para ver ao longe enormes balões subindo, lindíssimos, soltando fogos de artifício…

    2. Obrigado, Teruko Monteiro. Recordar é ser feliz de novo. Abraço.

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