JORGE NAGAO: Blocos paulistanos | Casimiro de Abreu e o carnaval

Blocos paulistanos

 

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O Jornal Nacional mostrou, como sempre, alguns blocos do carnaval carioca (cito alguns, no texto do Casimiro),  mas ignorou a grande novidade deste carnaval:  o crescimento vertigionoso dos blocos paulistanos. Claro, a emissora carioca jamais encherá a bola de uma prefeitura do PT, especialmente num ano eleitoral. Mas o povo não é bobo, Rede Globo.

O período pré-carnavalesco já emitia sinais de que  Sampa ferveria nesses dias de Momo. Nas estações e nos trens do metrô, os foliões  já animavam os passageiros, cantando, chamando a atenção com suas fantasias,  convocando-os para engrossar os mais de 350 blocos da cidade.  É o começo de um fenômeno que se repetirá nos próximos anos, curtição garantida com pouco dinheiro no bolso.

A ocupação total da Praça do Patriarca e do Viaduto do Chá, onde fica a prefeitura,  encheu de orgulho o prefeito Fernando Haddad:

– O carnaval 2016 em São Paulo é o melhor de décadas.

Abadá, nunca mais!

 

 


 

 

Casimiro de Abreu e o carnaval

 

Adormecido nas cinzas, há tempos, o meu espírito carnavalesco, Leiko, finalmente despertou graças à uma viagem ao Rio, em 2009,  para celebrar quatro aniversários (Leão, Rakel, Keka e Zé Carlos) que completariam 223 verões!

No domingo momesco, veio o convite irrecusável do André Castro: Vamos ver o “Simpatia É Quase Amor”? Yes! Oui! Si! O bloco Simpatia  foi criado em 1984 no meio da campanha pelas eleições diretas, inspirado em Esmeraldo Simpatia É Quase Amor, personagem de Aldir Blanc. O bloco  que já teve o Bussunda como Rei Momo, comemorava  o Jubileu de Prata para a alegria da “burguesia de Ipanema”.  Nossa intrépida trupe de elite se juntou aos milhares de turistas and tourists para curtir a maior festa popular deste patropi.

“É hoje o dia da alegria e a tristeza nem pode pensar em chegar. Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu? Explode coração na maior felicidade é lindo o meu Salgueiro, contagiando e sacudindo essa cidade”. Quem disse que a felicidade não existe?

O “simpatia é quase amor”, na verdade,  é a conclusão a que chegou o poeta Casimiro de Abreu, no séc.XIX, em seu poema “O que é simpatia?”
Os últimos versos: ” São nuvens dum céu d’agosto/ é o que me inspira seu rosto/ simpatia é quase amor”.

No entanto, os versos mais conhecidos de Casimiro, o poeta da saudade, são estes: “ai que saudades que eu tenho/ da aurora da minha vida/ da minha infância querida/que os anos não trazem mais”(Meus Oito Anos).

Mas, foi na praia, que me lembrei de outro poema de Casimiro que decorei no meu tempo de ginásio:  Deus// Eu me lembro! eu me lembro! – Era pequeno/  e brincava na praia; o mar bramia/ e, erguendo o dorso altivo, sacudia a branca escuma para o céu sereno./ E eu disse a minha mãe nesse momento:/  “que dura orquestra! que furor insano! / “que pode haver maior do que o oceano,/  “ou que seja mais forte do que o vento?!” – / Minha mãe a sorrir olhou pros céus / e respondeu: – “Um Ser que nós não vemos / “é maior do que o mar que nós tememos,/ “mais forte que o tufão! meu filho, é – Deus!”

O poeta Casimiro sofreu porque não queria ser comerciante como desejava o pai. Para esquecer dessa obrigação caiu na vida boêmia e contraiu a tuberculose, “o mal do século”, que o levou, precocemente,  aos 21 anos.

Hoje, Casimiro de Abreu é nome de um bucólico município fluminense onde se refugiava a amiga e “cumadi” Roseli para superar os contratempos da vida. Ela também se foi há 3 anos, dias antes do incêndio na boate Kiss.

Voltando ao Simpatia,  depois de uma longa caminhada, os simpáticos foliões precisavam se aliviar depois de ingerir muita água, água que passarinho não bebe, cerveja e refrigerante. Uns iam para as longas filas dos raros banheiros químicos, outros iam amarelar o Oceano Atlântico ou fazer em qualquer cantinho discreto,  se é que havia algum. No meio da multidão, encontrei dois sujeitos sossegados bebendo cerveja  com a fantasia mais original e prática para aquele momento: fralda geriátrica. Gênios!

Quem não curtiu o Simpatia certamente se esbaldou em outros blocos como o Suvaco de Cristo, Imprensa que eu gamo(jornalistas), Nem Muda nem sai de cima, Concentra mas não sai e Bloco de Segunda (para os vascaínos?),  Mulheres de Chico (elas só cantam as canções do Chico Buarque), Bangalafumenga e muitas outras porque as marchinhas e os blocos espontâneos e animados resgatam o espírito do autêntico carnaval popular.

Depois de muito caminhar pela orla chegamos na rua Farmo de Amoedo, reduto LGBT,  onde muitos cantam de galo, soltam a franga e ficam felizes como pinto no lixo.

Quem aproveitou o carnaval retorna mais “quaresmático” ao ano  que finalmente começou. Eita! Feliz Quaresma!

Como canta o querido Riachão, cho chuá, cada macaco no seu galho.

E Feliz 2016, o Ano do Macaco!

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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