JORGE NAGAO: Boliviagem du Peru

” La sabedoria se encuentra en Oriente. La Libertad se encuentra en Ocidente. Pero La Paz se encuentra en Bolívia”. (Les Luthiers / Eduardo Dussek)
 Lago Titicaca, na fronteira da Bolívia com o Peru. (Foto: divulgação)

Lago Titicaca, na fronteira da Bolívia com o Peru. (Foto: divulgação)

No início da década de 80, do século passado, a onda era viajar para os países andinos. Os amigos voltavam de lá maravilhados e como sou um mania de ir com os outros, o novo destino já estava definido. O que não contava é que o Sussa não poderia viajar comigo, nem o Hiroyuki, tampouco o Shinki, enfim, amigo nenhum estava disponível.
A saída era ir comigo mesmo, afinal eu ía com a minha cara, apesar de nem sempre concordar comigo, a gente se dava bem, eu seria uma boa companhia, tinha certeza disso.
Bolívia e Peru eram dois mistérios a desvendar. O primeiro por seu povo se assemelhar fisicamente com os nisseis/nikkeis. E o segundo porque recebeu muitos imigrantes japoneses e, um de seus descendentes, Alberto Fujimori, virou presidente da República, mas hoje está vendo o sol nascer quadrado,  mas essa é uma longa história.
Saí de São Paulo, de ônibus, rumo a Campo Grande(MS). De lá, segui para Corumbá. Confiei num muy amigo que me disse para pegar um ônibus para atravessar a fronteira. Desci para pegar o visto no passaporte mas quando voltei para pegar o ônibus, cadê ele? Já tinha partido. Tomei um táxi, que era o que devia ter feito antes, e fui até o ponto final daquela linha. Em vão. Minha bagagem escafedeu, nada tinha a fazer. Sorte minha que o dinheiro estava comigo e, assim, pude embarcar em Puerto Suárez, no famoso Trem da Morte, hasta Santa Cruz de la Sierra, que ficou famosa porque o rei Roberto Carlos lá se casou com Nice, em 1968.
O clima político era terrível: ditadura militar, várias vezes, soldados armados entravam no vagão e pediam os documentos dos passageiros. Em Santa Cruz, comprei uma mala e roupas e segui a viagem passando por Yupacani e Potosi até chegar em La Paz. Quando fotografava o povo, as vezes,  aparecia um policial perguntando se eu não era um periodista/jornalista. Medo de mostrar ao mundo a miséria colorida pelas vestimenta andinas.
Neste percurso, vi uns cartazes anunciando um show de uma dupla de músicos brasileiros em tournée pela Bolívia: Orlando e Cao, um campineiro e um baiano de Vitória da Conquista, de perfis completamente diferentes mas unidos pela música. De Santa Cruz, fui até Cochabamba onde cheguei de cocha bamba porque as estradas eram péssimas e el toque de queda/recolher, imposto pelo governo militar, atrasava demais a viagem.
Na capital boliviana, assisti ao show da dupla brasileira numa daquelas peñas, casas de shows. Findo o espetáculo, com vários grupos musicais, um deles me divertiu muito: era um grupo de quatro rapazes que tocavam txarango, olhando pro chão; apelidei os de Corcunditas de Potosi.  Conversei com os patrícios que foram muito receptivos comigo. Marcamos um almoço no dia seguinte, me hospedei na mesma espelunca em que eles estavam. Vida de artistas desconhecidos não é fácil. A viagem deles dependia do cachê que não era grande coisa e de apresentações na rua. De repente, lá estava eu carregando instrumentos musicais e passando o chapéu para eles, assim conseguiam uma grana para seguir viagem até ao Peru. Passei alguns dias com eles até que resolvi continuar minha viagem até Machu Pichu, a cereja do bolo daquela aventura. Saí de La Paz até Quillacollo, a Aparecida do Norte dos bolivianos, e Vinto, municípios próximos a Cochabamba, cerca de 15 km. Tudo me encantava até quando las mujeres se agachavam para mijar no meio da rua, seguras, graças aos vestidos longos. Na fronteira com o Peru, encantei-me com o lago Titicaca. O azul do lago se harmonizando com o azul do céu, que maravilha!
Segundo o Wikipédia, o lago tem cerca de 8300 km² e situando-se a 3821 metros acima do nível do mar, é o lago comercialmente navegável mais alto do mundo e o segundo em extensão da América Latina, superado apenas pelo Lago de Maracaibo, na Venezuela. Localizado no altiplano dos Andes, na fronteira do Peru e da Bolívia, tem uma profundidade média de 140 a 180 m, e uma profundidade máxima de 280 m. Mais de 25 rios desaguam no lago Titicaca, e o lago tem 41 ilhas, algumas densamente povoadas. O Titicaca é interessante pela população vivendo nos Uros, nove ilhas artificiais,  grande atração turística no Peru.trazendo excursões Outra ilha, Taquile, é outra grande atração turística, apresentando uma comunidade indígena. Os habitantes de Taquile são conhecidos pelos seus produtos têxteis feitos a mão, considerados entre as manufaturas de melhor qualidade do Peru.
Já no Peru, passei por Desaguadero, e visitei Ollantantambo onde fotografei crianças tristes outras alegres,
imagens  que guardo com muito carinho. De lá, segui para Cuzco, onde fica Machu Pichu, uma das maravilhas do mundo moderno.
Machu Pichu é deslumbrante. Passei muitas horas naquele lugar mágico, sentindo-me uma formiguinha naquele templo inca rodeado por montanhas monumentais. Estava saindo de Cuzco, no meio de uma grande festa: naquele dia o Peru se classificara á Copa do Mundo de 82, na Espanha.
Mais de 30 anos depois, por tantos motivos, essa viagem talvez seja a mais marcante da minha vida. Graças também ao meu acompanhante não me decepcionou. Comportou-se bem como um bom menino e é até hoje, nordeste á parte, óps,  modéstia à parte.
Hoje os bolivianos já são mais numerosos que os nikkeis, no Brasil,  sua mão de obra barata impulsionou o setor de confecção de roupas. Nikkeis e bolivianos são parecidos: pacíficos, trabalhadores e disciplinados. Peruanos conheco poucos mas sei que a cozinha peruana faz um grande sucesso em São Paulo quem sabe seja o  sinal de uma invasão de peruanos, aumentando a integração latino americana.
É isso aí, Sussa. Valeu!

 


 

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Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

 

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