JORGE NAGAO: Burrice e Jô

A burrice

 

 

– A burrice é a incapacidade de entender as coisas mais simples. Entendeu?

– Não.

– Por exemplo, quando alguém te diz “use caneta azul”, você não deve procurar uma caneta azul mas, sim, uma caneta que contenha tinta azul. Ficou claro?

– Não ficou, não. Se o cara quer que use uma caneta com tinta azul porque ele diz só use caneta azul?

– Ora, porque para um bom entendedor meia palavra basta, certo?

– Como assim?

– Acho que o ditado é: para um mau entendedor meia palavra, besta!

– Não entendi.

– Pois é, é conversando que a gente se desentende.

– Não é entende? Num estou entendendo.

– Você não acha que certas coisas são óbvias e…

– Espere aí! O que são “óbeveas”? Isso aí que você falou.

– Óbvias, meu caro, são coisas evidentes, claras.

– Ah, quer dizer que posso chamar aquela vidente Clara, de óbvia.

– Não, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

– Então, não entendi coisa nenhuma.

– Vou mudar de exemplo. Quando você lê numa porta “Entre sem bater”, o que você entende?

– Ah, entendo assim: entre mas não bata em ninguém na sala, mas jamais faria isso, sou contra a     violência.

– Não, não é isso. O aviso quer dizer: entre sem bater mas sem bater na porta.

– Que burrice! Por que o cara não escreve “Entre mas não bata na porta”. Não ficaria melhor? Mas deixa pra lá, continue falando sobre a burrice que estou gostando pra burro. Aliás estou me identificando com o assunto.

– Percebe-se.

– Percebe-se o quê?

– Que você está interessado pra burro. Como estava dizendo,

a burrice atravanca o processo natural de tudo.

– O que é atravanca?

– Atrapalha tá entendendo? Atrapalha, irrita, estraga o nosso dia, sabe?

– Calma, amigo. Na vida, é preciso ter paciência com as pessoas sem muita inteligência. “Quem não for paciente no trânsito pode virar paciente no hospital” – li isso num caminhão lá na “Emigrantes”.

– Não é “Emigrantes” é Imigrantes.

– Por que você está me corrigindo? Tá me chamando de burro?

– Não, longe disso. Acho você um asno na arte de entender.

– Obrigado. Ser chamado de ás no aprendizado me deixa abestalhado.

– Dá pra notar. Bem, preciso ir, estou atrasado pra burro. Tchau!

– Obrigado pelo papo tão esclarecedor. Tchau!

 

 


 

 

Sujou, seu Jô!

 

O personagem da semana é o corinthiano Jô, autor do gol da vitória do Dimão, no domingo passado, gol irregular que fez o seu time por  a mão na taça, literalmente.

Questionado ele disse que não percebeu que foi com o braço. Como não?

Uma bola vinda com força bate no braço e ele não sente? O pior é que a bola entraria sem a interferência do Jô-gador.

Beneficiado, no campeonato paulista, pelo fairplay do são-paulino Rodrigo Caio, Jô afirmou, categoricamente, que, caso acontecesse com ele, agiria como o defensor do Morumbi.

Dois dias depois, na Argentina de Maradona que fez um gol de mão numa copa do mundo, o artilheiro do Ti-mão, reconheceu que o gol foi com o braço porque ele viu na TV, à noite.

Jô não deve ser massacrado porque nenhum atacante, brasileiro ou não, assumiria o que ele fez porque, no primeiro tempo, sofreu um pênalti  não marcado pelo juiz, e estava pensando nos três pontos porque, caso o Jô-go terminasse como uma briga de cavalos, em-patada, a vantagem  sobre o Grêmio seria de 8 pontos, agora é de dez. Dezgraça pros rivais.

Infelizmente, para cada Rodrigo Caio existem 99, 999, 99.999 Jôs. Futebol é isso, vive de polêmicas.

É isso aí, Jô! Aquele a-braço!

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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