JORGE NAGAO: CachaSérias

Êba hoje, nesta coluna, é dia de falar da  boa cachaça  caso da Coluninha que tem um cantinho aqui no Nippak. Quando estive em BH, tomei uma dose da Coluninha com o escritor Antonio Barreto e comprovei que é uma das melhores do país.

 

Izadora e Pryscila, jovens, belas e cachaceiras

 

A cachaça é o tema da série Bendita Marvada, Globo Mais, 44/544 na Net, nas sextas às 20 h, apresentado por Arthur Veríssimo.  A cachaça era conhecida como marvada por causa do maior sucesso da Inezita Barroso, “Marvada pinga”. Agora, muito mais consumida no Brasil e exportada cada vez mais, está sendo chamada de bendita. Bendita birita.

Quem bebe cachaça é cachaceiro mas quem enche a cara de whisky, vinho ou vodka é chamado de cachaceiro. Quem bebe cachaça, por seu alto teor alcoólico, é visto por muita gente como um bebedor irresponsável. Uma coisa é beber, no boteco, pinga industrializada de baixa qualidade, em alta quantidade; outra é degustar uma cachacinha artesanal mineira, principalmente, com moderação.

A novidade é que as mulheres descobriram como a cachaça artesanal é tão boa. O episódio que assisti, Bendita mulé, Marvada mulé, mostrou algumas mulheres cachaceiras/cachaSérias.

Maria Izabel fabrica parati/cachaça em Parati, para ti e para todos. A cachaça leva o seu nome. Ela até aconselha: – tá com vontade de beber, beba um pouco. Se gostou, continua. Se sentiu algum desconforto, pare, não é o momento certo.

Izadora, consultora de cachaça, sempre gostou de cachaça. Quando ía pras baladas, os rapazes se entupiam de cerveja enquanto ela bebia cachaça numa garrafa de água mineral. Hoje, ela assume: sou cachaceira e não cachacier como muitos se intitulam. Abomina a palavra adaptada do francês somelier para um conhecedor da bebida mais brasileira. Por ser jovem, mulher e cachaceira assumida, tenta diminuir o preconceito contra a aguardiente.

Jéssica, barwoman, ex-gerente de bebidas do Copacabana Palace Hotel, atual consultora do Nakka restaurante, também ensina como apreciar uma cachaça: sentir o cheiro, tomar um gole sem engolir e sentir sabores que uma mulher consegue perceber melhor do que os homens. Convencida.

A cartunista Pryscila é outra que chega num bar e pede uma cachaça. Muita gente ainda estranha mas ela diz que a bendita azeita as suas ideias. Além de esquentar pois em Curitiba costuma fazer muito frio. A cartunista mais bonita do Brasil não se orgulha muito disso pois a sua principal concorrente é a Laerte.

Perguntado se cachaça é coisa de macho, entrevistado Paulo respondeu: – Se quem bebe cachaça é macho, tenho muitas amigas machos demais.

Uma designer ruiva chegou a afirmar no programa que as mulheres estão bebendo mais cachaça que os homens. A minha mãe quando vai em casa, já pede uma pinguinha enquanto o meu pai vai de whisky, justifica ela.

Sabe-se que os gaúchos costumam dar uns goles de vinho pra criança para se esquentar. Dizem que tem pais, nas cidades mais frias, que dão cachaça aos pequenos. Isto é tremendamente condenável, se indignou uma escritora e cachaceira mineira no programa.

O poeta Akira estava com Maria Balé e Vivina, minhas amigas, num bar da Vila Madalena. Quando Akira pediu uma dose de Espírito de Minas, as amigas se entreolharam. Quando ele bebeu a segunda dose e disse: – Essa é a melhor cachaça do Brasil! Balé e Vivina riram muito e o poeta perguntou o motivo das risadas. Balé explicou que ele estava diante da Vivina cuja família produz a Espírito de Minas. Ela teve presença de espírito quando buscou a marca de sua branquinha num poema de Drummond.

Izadora diz que cada bendita tem a sua personalidade independente da região da cana, da destilação, da madeira, cada cachaça é única.

Maria Izabel costuma dizer que o mundo seria melhor se as pessoas fossem como a cachaça: forte, suave e com pouca acidez.

E viva a cachaça! Viva as cachaceiras! Hic!

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