JORGE NAGAO: Carroceiro e Pinheiros

O carroceiro de Pinheiros

 

Ricardo Nascimento trabalhou na loja Marrach, em Pinheiros, Sampa, durante 4 anos. Começou como repositor  e se tornou gerente. Saiu para trabalhar num supermercado.

Muitos anos depois, surpreendentemente, retornou ao bairro como catador de material reciclável. Catava latinhas e papelão, vendia e dormia na calçada do colégio Fernão Dias.

No dia 11 de julho, discutiu com alguém da pizzaria próxima ao Pão de Açúcar, da Morato Coelho

Nervoso, com um pedaço de pau, gritava em frente da pizzaria. Chamaram a policia.

– Baixe esse pau! –  ordenou o PM.

Ricardo não obedeceu. O policial em vez de dominar o carroceiro, disparou dois tiros em seu peito.

– Me ajuda, Piauí! Me ajuda, irmão! – implorou ao amigo. Foram as últimas palavras do infeliz.

Eram 6 da tarde naquela movimentada tarde principalmente naquele trecho do Pão de Açúcar.

– Assassino! – gritavam os transeuntes indignados.

Os outros PMs recolheram o corpo e o puseram no porta mala. E recolheram as cápsulas das balas. Limparam a cena do crime.

Ricardo, o Negão, era muito popular no pedaço. Sua morte causou comoção em seus e moradores do bairro. O supermercado fechou. As pessoas assustadas logo formaram grupos de whatsapp.

No dia seguinte, no local da morte do carroceiro, estava a sua carroça pintada de branco e uma coroa de flores. Um ato de protesto que a classe média pinheirense apoiou fortemente.

Em seguida, teve uma grande passeata, 300 pessoas subiram a Teodoro, lideradas por um colega do Ricardo. Um ato transformador, classificou a jornalista Eliane Brum, num tempo em que o presidente, envolvido em corrupção, afunda o pais para salvar o seu pescoço.

Ainda tinha mais. Alguém sugeriu a realização da missa de Ricardo na Cathedral da Se. Logo lembraram do jornalista Audálio Dantas que se destacou no triste episodio que levou Vladimir Herzog. Audálio topou na hora. Centenas de pessoas foram a missa daquele homem negro de 39 anos assassinado por um policial branco.

Piauí, amigo do Negão, dias depois, teve um AVC e também faleceu.

Obrigado, classe media de Pinheiros. Quem sabe e o início de uma nova era de esperança que precisamos tanto.

Valeu, Pinheiros!

 

 

 


 

 

Pinheiros, eu Teodoro

 

 

Não moro aí mas o João Moura e o Mourato Coelho também.

Abençoado pelo Cardeal Arcoverde, na Cristiano vi ana, na rede.

Nesse bairro ninguém passa frio porque tem um Capote Valente.

No seu Largo da Batata, o povo se concentra e pede Fora Temer!

Pessoas de muitos sotaques visitam o Instituto Tomie Ohtake.

Os turistas curtem a sua rua Girassol e a Praça do Pôr do Sol.

Você tem Sesc, museus, metrô, biblioteca, Pinheiros, meu amor.

Pinheiros é uma Simpatia, aí mora a poesia e a Harmonia.

Finalmente, você tem a Luiz Murat, onde canta a Patuá

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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