JORGE NAGAO: Chic Buarque, 70

caricatura de Dalcio Machado

Meu Caro Amigo, minha cara amiga, neste meu Ano Novo, completo 70. Francamente, não choro o Leite Derramado.  Apesar De Você achar que estou Velho, sinto-me na Flor Da Idade. Este é o Meu Refrão. Engraçado, há Doze Anos eu tinha 58 e daqui a 12 terei ainda muito Chão de Esmeraldas pela frente. Te peguei, hein! Carioca, caminho e ainda jogo o Flutebol, my Fred.

70,  e tudo começou com um compacto simples, com Pedro Pedreiro e Sonho de um Carnaval. Gravei também Tamandaré, o almirante da nota de um cruzeiro, e tive o primeiro problema com a censura. Bom Tempo aquele dos estertores dos Anos Dourados. Era um bom moço, estava à toa na vida vendo A Banda passar, cantando Olê, Olá, virei até  cidadão paulistano. Morava na Vila Buarque, palco dos conflitos entre a conservadora Universidade Mackenzie e a contestadora USP. Imagina, Imagina Só que já teve um movimento para que esta vila se chame Vila Buarque de Hollanda, em minha homenagem, para virar um point turístico.  Sonho Impossível.Meu Caro Amigo, minha cara amiga, neste meu Ano Novo, completo 70. Francamente, não choro o Leite Derramado.  Apesar De Você achar que estou Velho, sinto-me na Flor Da Idade. Este é o Meu Refrão. Engraçado, há Doze Anos eu tinha 58 e daqui a 12 terei ainda muito Chão de Esmeraldas pela frente. Te peguei, hein! Carioca, caminho e ainda jogo o Flutebol, my Fred.

Trocando Em Miúdos a Minha História, eis que chega a Roda Viva, minha peça-música, um Retrato em Branco e Preto do Milagre Brasileiro. Aí foi a Gota D’água. O delegado até me encarou e disse:

– Quem Te Viu, Quem Te Vê!

Quando os Bastidores do Cotidiano se transformaram num tempo de Caçada, fui convencido a dizer BBB, Bye, Bye, Brasil! Rumo à Itália.  Lá, fiz música Paratodos. Fiz Umas e Outras,  De Todas Maneiras. Compus uma Homenagem Ao Malandro, ao operário da Construção, à Linha de Montagem, ao Cio da Terra, ao Circo Místico, à Gente Humilde da Estação Derradeira. Claro, não esqueci da Geni, da profissional do Folhetim, das Muchachas de Copacabana, do Meu Guri, do Funeral de Um Lavrador e do Embebedado. De Tanto Amar, cantei Tanto Mar, meu Fado Tropical, pra revolução dos cravos, em Portugal, que ficou em mim como uma Tatuagem. Sonhei muito com o exílio, hoje Não Sonho Mais.

As mulheres sempre me inspiraram muito. Pra elas compus com Todo o Sentimento e Alumbramento. Cantei A Rita, A Rosa, a Januária, a Carolina, a Ana de Amsterdam, a Bárbara, Cecília, Iolanda, Iracema Voou, a Joana Francesa, a Lola, a Morena de Angola, a Morena dos Olhos D’água, a Silvia, a Beatriz, a Teresinha e as Mulheres De Atenas. Será que foi por isso que a Nenê, Pedaço de Mim, me abandonou?

Este Velho Francisco cantou só ou em Dueto como uma Sabiá até os homens: Leo, Juca, Nicanor, Jorge Maravilha, o Pivete, O Meu Guri e até o Rei De Ramos. Será que foi por isso que a Marieta foi severa comigo?

Agora Falando Sério, Logo Eu?, que cantei Vai Passar naquele tempo de Desencanto e Desalento, e Sem Fantasia, achei que aquilo era para Sempre, que tudo tinha ido pro Brejo Da Cruz.

Para driblar a censura que vetava tudo que era meu, criei o codinome Julinho da Adelaide, um malandro carioca que deu  até entrevista ao Mário Prata,  numa emissora de rádio. Onde É Que Você estava naquela Noite Dos Mascarados? Pois É, Meninos Eu Vi, Cara a Cara, Olhos nos Olhos, e vivi aquele tempo que eles diziam que Não Existe  Pecado Do Lado De Baixo Do Equador. Tempos de Corrente, Cálice e de Cala A Boca, Bárbara! Como na canção Passaredo: bico calado que os home vêm aí.

Mas quem tem Bem Querer, Com Açúcar E Com Afeto, As Minhas Meninas, Maninha e Tantas Palavras pra dizer, se guarda para Quando o Carnaval Chegar.

Ah, nestes anos todos, quantos parceiros. Nem quando surgiu a AIDS e se recomendava a redução de parceiros, promiscuamente, eu buscava outros. Fui parceiro de Tom,  Edu, Guinga, Vinicius de Moraes e Cantuária, Milton, Ruy Guerra, Boal, meu caro amigo,  Francis, Sivuca, Dominguinhos e Wilson das Neves. Além dos italianos Enriquez/Bardotti, Dalla e Palotino. Sem falar no Carlinhos Vergueiro, João Bosco, Luiz Carlos Ramos, Ivan Lins, Toquinho, Kurt Weill/Brecht, João Cabral de Melo Neto, Djavan, Cristovão Bastos, Miltinho do MPB4, Jorge Helder, João Donato, Aloli, Wisnik, Milanés e João Donato. Faltou o Piazzola que me deixou uma melodia e, por causa do futebol, acabou não vingando. Tantos parceiros, será que foi por isso que a Marieta desistiu de ser minha parceira?

70. O Que Será de mim? Prometo que Tem Mais Samba, em breve, Samba e Amor, Atrás da Porta. Basta Um Dia de inspiração para entrar nessa Embarcação.

Cantor, compositor, escritor, avô, Ah, vou, tô novo, Até O Fim.

Se Você Me Seguir, será Benvinda neste Almanaque que é a minha Vida.

Você, Você, meu fã, minha fã, Eu Te Amo. Deus Lhe Pague. Um beijo, com todo O Meu Amor,

Chico.

 
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Jorge Nagao

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