JORGE NAGAO: Como Dilma chegou lá

contracapa do livro de Ricardo B. Amaral

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Em 2009, quando Lula lançou a ministra Dilma como candidata do PT, o espanto foi geral. Ele quer eleger um poste ou estará tramando uma jogada para um terceiro mandato, comentavam os analistas políticos. Sem José Dirceu e Antonio Palocci afastados de seus cargos, sobrava ela, a mãe do PAC.

Ouvi do deputado Ricardo Berzoini, em 2009, que no ano seguinte, Lula sairia com Dilma no meio do povo e pediria para votar nela e ela se elegeria. Os ouvintes não acreditaram naquela previsão.

Vamos deixar o Ricardo Batista Amaral contar a história dela. Em 1973, Dilma tinha 25 anos e sentiu uma grande solidão. Quem ela conhecia estava na cadeia, ou estava exilado ou morto. Precisava começar do zero e lutar por um Brasil melhor.

Em 1982, ela e seu marido Carlos Araújo entraram para o PDT, de Brizola. Ela atuava na direção do partido. O Caudilho se elege governador do Rio de Janeiro.

Carlos Araújo se elege deputado estadual no RS. Ela se torna assessora técnica e política da bancada do PDT gaúcho.

Em 1985, Alceu Collares foi eleito prefeito de Porto Alegre e nomeou Dilma como Secretária da Fazenda. Eficiente, organizou as contas da prefeitura e provou ser uma boa gestora pública.

Em 1990, Alceu Collares torna-se governador do RS e leva Dilma para presidir a FEE, Fundação de Economia e Estatíssica. Ficou no cargo até 1993 quando foi dirigir a SEMC, Secretaria de Energia, Minas e Comunicação. Em pouco mais de um ano, assegurou a participação do Estado na partilha do gás importado da Bolívia e impediu a privatização da CRT, a estatal da telefonia gaúcha.

Em 1995, Dilma voltou a trabalhar como economista na FEE. Editou o Informe Economico RS onde publicou artigos de política fiscal e outros assuntos relevantes da época. Iniciou um curso de doutorado na Unicamp, sem concluir, pois foi cahamada em 1999 para o governo. Voltou para a Secretaria de Energia. Nesse ano, houve um racha no PDT e ela se filiou ao PT.

Em 2002, Lula foi eleito em parte pelo apagão de 2001 que desmoralizou FHC e seu partido. Lula sabia do belo trabalho de Dilma que resolvera o problema da energia no RS e nomeu-a ministra das Minas e Energia.

Em 2005, estoura o Mensalão. Dilma vai para o lugar de José Dirceu, na Casa Civil. Em 2006, Dilma dirigiu um programa que seria fundamental para a reeleição de Lula, o Luz para Todos.

Na Casa Civil, ela comandaria o PAC, o ambicioso Porgrama de Aceleração do Crescimento. 500 bilhões de reais seriam empregados em investimentos públicos e privados. Dilma foi chamada de a mãe do PAC, pelo presidente Lula. Era o sinal de que seria uma pré-candidata em 2010. Seu nome passou a constar nas pesquisas eleitorais. Tinha 3 por cento, enquanto Ciro Gomes detinha 20 e José Serra ostentava 38.

Em 2009, o grande susto. Recebeu um telefonema do Hospital Sírio Libanes em que fizera uma biópsia que confirmou que estava com cancer nos ganglios. O tratamento foi doloroso até que em setembro os médicos atestaram que ela estava livre daquele mal. Mais uma batalha vencida.

A descoberta do pré-sal foi a grande novidade do segundo mandato de Lula. Dilma e o governo decidiram destinar toda a renda do pré-sal a um fundo social voltado exclusivamente para combater a miséria e investir em educação, cultura, inovação tecnológica e proteção do meio ambiente.

Em 2010, chega finalmente. A seleção brasileira é eliminada na Copa da África pela Holanda. A oposição gostou porque o povo poderia achar que a situação do país não estava tranquila e favorável.

Como todos lembram, a campanha bem tumultuada mas com Lula, como grande cabo eleitoral, Dilma obteve 55.752.529 votos, 12 milhões a mais que José Serra.

Na semana que vem, o fim dessa trajetória inacreditável.

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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