JORGE NAGAO: Como era gostoso o meu BB!

 

“São Paulo é uma cidade que junta bandidos e separa os amigos” (Carlito Maia, 1924-2002, publicitário)

“São Paulo é uma cidade que junta bandidos e separa os amigos” (Carlito Maia, 1924-2002, publicitário)

 

Em São Paulo, os amigos se encontram casualmente por aí numa rua, num shopping e até num semáforo, como na música Sinal Fechado, do Paulinho da Viola:

– Olá, como vai? Há quanto tempo! Precisamos nos ver por aí.

E se despedem e fica por isso mesmo. Até um novo encontro em que o diálogo se repete e nada é marcado.

Quando tomei posse no Banco do Brasil, o amigo Hiroshi me advertiu: – aqui você tem 80 mil colegas e poucos amigos. Tive sorte porque por onde passei fiz bons amigos que estão espalhados Brasil afora ou adentro. A comunicação é mais virtual mas é bom mesmo assim.

Depois da posse no Rio, sim, foi o Rio que passou em minha vida (eh, Paulinho da Viola, de novo!) retornei a São Paulo. Destino, agência Tatuapé, onde conheci o Fernando Mineiro, Fernando Campos, Evanil, Anderson, Pina e é bom parar por aqui. Comigo não teve a Dança da solidão.

Naqueles anos de chumbo, era preciso ter Nervos de aço porque a barra era pesada. Na agência, apesar da rotina de trabalho ser enfadonha, o ambiente era excelente, com muita descontração e brincadeiras. Nos fins de semana, eram comuns as festinhas e jogos de futebol na AABB. Eu citava Adoniran Barbosa que fazia um comercial da cerveja A: – Nós viemos aqui pra AABB ou pra conversar?

Para ficar mais próximo da faculdade, deixei o tatu a pé e fui curtir o glamour da Avenida Paulista. Foram dez anos de convivência intensa naqueles anos de abertura política, anistia, eleições para governador e a histórica campanha das diretas já! Muitos colegas viraram amigos de verdade como o Sussa, a Barbirato, Rosa Figueiredo, Telma/Shinki e Mauro/Tereza, Daniel e Toledo, e tantos outros companheiros de copos e artes no jornalzinho Paupite.

Em 1986, resolvi mudar de ares e fui pro Centrão. Nunca me esquecerei a frase irônica da mui amiga Mariza:

– A agência Paulista nada perde e a Centro nada ganha.

Era o auge do movimento sindical e os bancários liderados por Gushiken e depois por Berzoini se destacaram tanto que se elegeram deputados e depois foram ministros de Lula. Estava lá no posto da DRT, com Lenilson, Ana Otília, Rita, Marcelo e o Lindgren, quando aconteceu aquele inacreditável Plano Collor que enlouqueceu o Brasil e empobreceu a população. Tanto fez o collorido que foi impichado. Coisas do mundo, minha nega.

A crise apertou, saí da plata para ser caixa e escapar do cheque-ouro. Caixa novato só pegava rabo de foguete para ganhar experiência. Tempos difíceis. O BB quase quebrou, ameaças de privatização, PDV e suicídios, salário congelado por anos, malditos tucanos! Foram anos penando pelos postos bancários até chegar ao Setri-Consol.

Lá o trabalho era duro mas as dificuldades uniam o pessoal. O clima de trabalho era muito bom. Esse time unido ganhou o PEC, programa de excelência implantado pelo Banco, entre tantos postos da agência. Mas como tudo o que é bom dura pouco, o banco implantou um rodízio de funcionários e aquela turma se dispersou.

Graças ao Mark Zuckerberg, o pessoal foi se reaproximando novamente. Foi marcado um reencontro num sítio. Guti e Cilze nos deram as boas-vindas e a festa começou com beijos e abraços e apresentações de esposas, maridos, filhos e filhas. E assim a turma da CONSOL se reuniu não com sol mas com chuva, frio e churras com cerva e conversa boa e muitas risadas como nos velhos tempos.

Se a vida te dá limão, faça uma caipirinha, diz o ditado. Mas a Renata esqueceu de levar os limões e o Fernando preparou uma caipirinha de mexerica depois de descartar a hipótese de fazer uma de banana. Esse barman vai longe.

Kenji, supervisionado pela Márcia, cuidou das carnes e espetos, Eva e Claudia viajaram na salada de maionese,  enquanto chegavam os funcis-Consol. Chegou bem acompanhado ele que foi um Marco na agência, depois veio o Jacques. Elias e foi mesmo e foi saudado pela galera. O Cazaroto foi o último a chegar praquela festa de arromba.

Larissa e Isa pularam corda mas quem deu um show foi o Chiquinho que mostrou que está em forma ou foi aquele golinho que o animou?

O que mais ouvi foi “ o banco não é mais aquele da Consol, é muita pressão para atingir a meta, etc. etc.”

Comentei: – Como era gostoso o meu BB! – uma alusão ao filme de Nelson Pereira dos Santos “Como era gostoso o meu francês”, sobre o francês que foi devorado pelos índios tupinambás.

Renata e Kenji concordaram comigo.

Valeu, pessoal da Comchuva, ôps, CONSOL!

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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JORGE NAGAO

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    One Comment

    1. Precisamos marcar outro encontro …. consol ou chuva estaremos lá!

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