JORGE NAGAO: Contos de Fadas ou de Terror?

 ” Chapeuzinho Vermelho comeu a Vovozinha. Cinderela fugiu do pai incestuoso.

Bela Adormecida engravidou do príncipe encantado enquanto dormia.

Os contos de fadas originais são muito mais cruéis do que você imagina.”

(contracapa do livro ” O lado sombrio dos contos de fadas – As origens sangrentas das histórias infantis “,

de Karin Huevos, ed. Abril/Superinteressante).

 

“Era uma vez”, palavras que encantam as crianças e as levam a um mundo de magia e finais “felizes para sempre”.

 

Quem diria que a origem destes contos de fadas foi inspirada em histórias reais povoadas de malvadezas e fatos sobrenaturais, sobreviveram às dezenas de adaptações através dos tempos, constata a autora Karin Hueck.

Cinderela Ye Xian – Era uma vez, na China, um homem que casou com duas mulheres. Teve uma filha com cada uma. Quando uma das esposas morreu, a órfã foi criada pela madrasta que a odiava porque era mais bela do que a própria filha. Ye sofreu muito naquela casa. Maus tratos, humilhação de toda sorte, ou azar, pobre Cindelela. O único amigo dela era um peixe dourado. Quando soube disso, a cruel madrasta pegou o peixe, assou-o e o comeu, para infelicitar ainda mais a menina. Ye Xian pegou os ossinhos do peixe e os guardou porque uma feiticeira a avisara que eram mágicos e poderiam atender a seus pedidos. Estes são pequenos detalhes que diferem da história que todos conhecem: Ye Xian perde um sapato, o príncipe a encontra, se casam e são felizes forever.

Boa parte dos contos de fadas foram criados há mais de 4 séculos. Um tempo de fome, miséria, canibalismo e impunidade especialmente da nobreza. Tudo isso explica porque os enredos tinham cenas fortes pois eram destinados aos adultos. Somente no século XVIII, foram adaptados para o público infantil pelos irmãos Grimm que suprimiram, claro, as cenas chocantes e criaram finais felizes para os protagonistas.

Andersen e Disney 

Hans Christian Andersen foi um dos bam-bam-bam do conto de fada. Sua infância foi tranquila até perder o pai quando tinha 11 anos. Aí o bicho pegou. Teve que trabalhar para ajudar a mãe mas ganhava pouco e passou muitas dificuldades até ficar maior de idade. Sua sorte mudou quando mecenas apostaram em seu talento. Ganhou bolsas de estudo, viajou pela Europa, aprendeu Latim, e passou a escrever os seus primeiros contos de fadas que encantaram o público. Veio a fama, passou a frequentar a corte dinamarquesa e ficou amigo de Victor Hugo, Charles Dickens e do filósofo Kierkgaard. Era uma vez, um menino talentoso que chegou lá.

A infância de Walt não foi mole não. Até os 9 foi só alegria vivendo numa fazenda, curtindo a natureza. De repente, seu pai resolve mudar para Kansas City, uma cidade grande, aí deu ruim.

O pai se empregou como distribuidor de jornais mas, pão-duro que era, decidiu que os seus filhos o ajudariam neste serviço. Coitado do Walt Disney: acordava às 3 e meia para entregar os jornais até 5 e meia, tomava café e corria pra escola. Finda as aulas, corria para entregar os jornais vespertinos, a pé, às vezes, sob neve e granizo. Foram vários anos assim, sem férias e sem tempo para brincar, até que abriu um pequeno estúdio. Com a criação de Mickey Mouse que fez um estrondoso sucesso a sua careira deslanchou.

Walt criou uma animação irresistível. Ao longo do filme, as/os protagonistas passam o maior sufoco mas o final é sempre feliz. Nas histórias originais, a Pequena Sereia morre no final, dois porquinhos são devorados vivos pelo Lobo Mau, a Rapunzel (Enrolados, na versão Disney) engravida do príncipe na torre. Essas passagens inadequadas somem nos filmes de Disney, assim as crianças são poupadas do sofrimento.

Os críticos ressaltam a beleza dos filmes mas dizem que Disney deixa pouco espaço para a imaginação.

The End.

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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