JORGE NAGAO: Contra Golpes e Andar de ônibus

Contra Golpes

Contra esse governo golpista ao menos se pode, por enquanto, criticar abertamente.

No governo do general Figueiredo, no final dos 70, sob censura, a gente precisava usar metáforas. Eis dois textos do fanzine Catarse que eu fazia com Sussa Yamaguchi, Nilson Yamauti, Carmen Vaz e Celso Brocchetto. Bons tempos ruins aqueles.

 

 

 

Andar de ônibus

Ao contrário de muita gente do meu nível social, gosto de andar de ônibus. Para sentir o sentir o cheiro do povo. Principalmente do sexo feminino porque os homens, bem, esse Têm o cheiro mais parecido com o do cavalo.

Outra razão: o ônibus é um veículo democrático: o preço da passagem é igual para todos, com exceção dos estudantes que pagam meia. Antes passe que passeata, dizem.

Nele viajam pessoas de todas as classes. E quem chegou  primeiro tem toda a liberdade para escolher o lugar mais confortável. Religiosos, comerciários, operários, todos têm direito ao banco. Inclusive os bancários. Ou mesmo os ladrões que adoram bancos.

Tá certo que a viagem é lenta e gradual mas é muito mais segura que a do automóvel, grande causador de acidentes e vítimas fatais.

Na vida, tudo é passageiro. No ônibus também, exceto o motorista e o cobrador. E o ônibus, às vezes, proporciona pequenas tragicomédias que nem o teatro consegue superar. Porque nada é ensaiado. Tudo ocorre inusitadamente.

No ônibus, existem bancos onde os usuários depositam suas polpudas poupanças não sei se a fim de aumentá-la.

O grande inconveniente em ônibus, todavia, são os pacotes. Tem gente que tem verdadeira obessão por pacotes. E, como se sabe, os pacotes bloqueiam a passagem de quem quer ir pra frente. Aliás, deveria ser proibida a entrada de pacotes nos ônibus.

Em épocas oportunas, os donos de ônibus promovem as suas devidas reformas. Porque o que é reformado, dura mais. E garante a Constituição (física) dos veículos.

Dirigir o ônibus exige muita cautela. O trânsito é infernal. É preciso paciência, bom senso, porque o bus não é uma simples montaria. Nas mãos do condutor está o destino de muita gente.

Para ser motorista, portanto, exige-se muito preparo. E quem não estiver apto é melhor que procure uma outra profissão com a qual se afine melhor. Como a de jóquei, por exemplo.

E ponto final.

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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JORGE NAGAO

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