JORGE NAGAO: Engenharia ou enxada?

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Essa foi a pergunta que o irmão mais velho de Kokei Uehara lhe fez diante de sua insistência em fazer o curso de Medicina em vez de Engenharia.

– Engenharia, claro!- conformou-se Kokei.

Seu depoimento no documentário “ Entre dois mundo: Brasil e Japão”, no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, é bem divertido apesar do assédio que sofreu quando morou com brasileiros.

“Eles me acordavam, de madrugada, pedindo para falar qualquer coisa. Pra quê?- eu perguntava. Pra gente dar risada – eles respondiam. Eu falava errado, sim, mas quis me vingar deles. Decidi estudar Português a fundo e obtive, na terceira série ginasial, a única nota 10 do colégio”.

No tempo em que fez a Poli-USP, somente 2% eram alunos nikkeis. Hoje, são 15%, informa com orgulho. Confirmou a tão citada frase escrita nos banheiros dos cursinhos: “Mate um japonês se você quer entrar na USP”.

 

Kokei Uehara nasceu em Naha, na província de Okinawa,e veio para o Brasil aos nove anos, dezembro de 1936. Estudou na Escola Politécnica entre 1949-53.

A situação no Japão, segundo ele, era muito ruim: “todos os migrantes saem de sua terra contra a vontade porque não tem outro jeito. Vai para buscar vida melhor, sonho melhor e assim que nós viemos para o Brasil”.

 

Desenvolveu cálculos para o projeto de diversas represas no Brasil, entre as quais: Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Três Irmãos, Jupiá, Ilha Solteira e Itaipu.Fez o curso internacional de Hidrologia na Universidade Agraria de La Molina, em Lima, Peru, em 1964, mesmo ano em que se tornou livre docente na EPUSP.

Foi o representante do Brasil na Unesco no período de 1965 a 1974, no chamado Decênio Hidrologico Internacional. Participou, em 1988, da viagem de estudos na VI Expedição Brasileira para a Antártica.

Uehara é um dos fundadores, tanto da FATEC omo da FAT (Fundação de Apoio à Tecnologia) dessa faculdade. Recebeu os títulos de professor emérito tanto da EPUSP quanto da FATEC. É presidente de honra da FAT e  foi presidente da Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa.  Está aposentado entretanto continua professor de pós-graduação na EPUSP.

Kokei Uehara merece todas as homenagens por sua Brilhante carreira. No ano do centenário, deu entrevista ao Jô Soares. Esteve no programa por ser o presidente do Colegiado Administrativo da ACCIJB (Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil), entidade civil sem fins lucrativos fundada em setembro de 2003, tendo em vista o planejamento das comemorações do Centenário em 2008. Kokei Uehara é também o presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo. Veja aqui:

http://globotv.globo.com/rede-globo/programa-do-jo/v/professor-kokei-uehara-fala-dos-100-anos-da-imigracao-japonesa/2953784/

 

 


 

 

Nikkeis em Tomé-Açu-PA

 

 Nesse mesmo documentário,  conta-se que o primeiros japoneses que chegaram ao Pará, vieram do Peru pela Cordilheira dos Andes e atravessaram a floresta amazônica  e desembarcaram em 7/9/1929,  ouvindo rojões e até pensaram que eram saudados pelos brasileiros, porém, na verdade,  eles festejavam a data da independência do Brasil.

Em 1933, a caminho do Brasil, um navio de imigrantes japoneses teve que aportar em Cingapura, depois da morte de uma passageira. O chefe da embarcação comprou o que anos mais tarde viraria o diamante negro da Amazônia. Eram 20 mudas de pimenta do reino. Duas vingaram e transformaram Tomé-Açu no maior produtor mundial da especiaria, após a Segunda Guerra Mundial. Cinco mil toneladas eram colhidas por ano, informa matéria do Globo Rural. E passaram a investir também cultivo de frutas tropicais. O negócio deu certo. O açaí é o novo diamante negro. “São exportadas de 1,3 mil a 1,5 mil toneladas por ano em polpa congelada. O Japão e os Estados Unidos são os maiores compradores”, disse Francisco Sakaguchi.

Hajime Yamada conta como foi o início, no Brasil. A família plantou arroz e verduras mas os brasileiros zombava  dela: – Arroz é pra passarinho e verdura é pra coelho!   O grande sucesso foi fazer sacaria de juta. Deu tão certo que chegou a empregar 70 mil pessoas até que a fibra sintética acabou com a festa. Quando eclodiu a segunda guerra, 80% da comunidade japonesa foi presa. No pós guerra, começou um novo ciclo da imigração japonesa. Hoje Tomé-Açú tem  cerca de 50 mil habitantes e 500 famílias de descendentes de japoneses.

Tome-Açú tem um time de baseball, formado por famílias de agricultores. O esporte é tradicional. Exige dedicação e união. Qualidades que os japoneses da Amazônia têm de sobra.

No ano do centenário da imigração, “O que eu posso dizer é arigatô!, concluiu Hajime Yamada.

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JORGE NAGAO

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