JORGE NAGAO: Errando a mirada

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“Apertado”, fui ao WC do Hussardos, clube literário no centro da capital paulista. Vi a letra M, numa porta, e deduzi: Masculino. Banheiro limpíssimo, como jamais vi. Quando saí, havia uma senhora aguardando na porta.

-Este é o sanitário Masculino- alertei-a.

-E a letra H naquela outra porta, significa o quê? – perguntou-me ela.

– H? Será agay?  Hussardos?– respondi, perguntando.

Estranhamente, ela virou a cara e entrou no Masculino.

Ela lembrou-me o colega Kenji com quem tomava cerveja no happy hour, nos anos 90. Uma noite, flagrei-o saindo do banheiro feminino. Disse-lhe que havia se enganado de porta.

– Errei de porta, nada. Uso sempre o feminino. Pô, é muito mais limpinho!- explicou ele, cinicamente.

A micção faz parte de nossa rotina. A cada duas ou três horas, lá estamos nós no vaso despejando a chuva dourada e caliente. Soube que um BBB ganhou o carro em que ficou por 30 horas e quinze minutos sem urinar; azar do segundo colocado que ficou 30 horas e quatorze minutos e não ganhou nada. Toledo, um amigo, me perguntou o seguinte: o espectador foi ao banheiro do cinema e não conseguiu se aliviar, qual o nome do filme? … – Micção impossível.

No Lapinha, bar da Vila Romana, quando o cara faz o número um, lê as instruções de uma mirada ideal. Clientes de 30, 40, 50 anos ou mais recebem dicas para algo que fazem desde que abandonaram as fraldas. O jeito é encarar com bom humor e rir dos mijões desastrados, no fundo, nós mesmos. O dono do bar fez aquele roteiro mijístico porque conhece muito bem a sua clientela. O incauto, geralmente, vai ao “Miguel” ou Wanderley Cardoso (WC), ansioso e apressado, por isso erra o alvo, suja o chão, a parede ou até a própria roupa. Sei de uma história do Frank Sinatra que, usava uma calça bege, e foi ao banheiro do restaurante. O seu vizinho de mijódromo, ao reconhecê-lo, virou em sua direção e, sem interromper o que estava fazendo, gritou: – Frank Sinatra, não acredito!, molhando-o e humilhando-o. Ah, são os strangers in the night.

As mulheres se aliviam tranquilamente a não ser quando usam banheiros públicos ou quando esperam em extensa fila na parada da viagem. Quando se utilizam de sanitários delas e deles, reclamam muito deles, claro.

Desconhecem como funciona o patrimônio masculino. O “trem” é imprevisível. E o ato é líquido e incerto. Esguicha pros lados mas são poucos os miradores que se preocupam em limpar a sua ca, digo, mijada. Estes deviam se agachar e fazer como elas mas os machões receiam que isso os tornariam menos homo, ôps!, hetero sapiens.

Segundo os espíritas, na próxima encarnação, nosotros voltaremos como mujeres, e vice-versa. Aí, vosotras, no papel de nosotros, entenderão como a coisa funciona. Ou não.

 

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Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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