JORGE NAGAO: Família Kayano Genoino / FELIZ OUTONO

“ Porque o Vôvi é a nossa felicidade, e ele ficou lá preso, fechado, então a nossa felicidade estava fechada. Ainda bem que ele saiu.”

(Paula, filha de Miruna, neta de Genoíno)

 

 

 

Miruna Genoino escreveu o livro Felicidade Fechada, editora Cosmos, para contar o drama familiar entre os anos 2005 e 2015. Tenta provar a inocência do pai que foi vítima da mídia e

do judiciário.

José Genoino é um homem corajoso mas azarado. Deixou a família para lutar contra a ditadura militar, no Araguaia. Foi preso e torturado em companhia de Rioco Kayano com quem se

casou e tiveram dois filhos, Miruna e Ronan. Deputado federal pelo PT desde 1982, com a eleição de Lula estava preparadíssimo para ser o ministro da Defesa mas o presidente o escolheu para presidir o partido em 2003.

Em 2005, estourou o caso Mensalão. Genoino, como presidente do PT, assinou dois empréstimos ao partido, e teve que renunciar ao cargo. Em 2006, se elege deputado federal e Lula se reelege presidente.

Em 2010, com a imagem desgastada e com pouco dinheiro, não se reelege deputado.

Em julho de 2013, estava em Ubatuba, litoral paulista, quando passou mal. Levado ao Sírio Libanês, constatou-se que ele sofrera uma dissecção da aorta e, com apenas 10% de chances de sobreviver, milagrosamente, ele sobrevive.

Na hora da alta, sofre um micro AVC, tem problema de pressão alta e com a taxa de coagulação que o torna um uma pessoa extremamente fragilizada.

Quando foi preso, na Papuda-Brasília, em maio de 2014, ainda muito doente, o desespero tomou conta da família. Miruna bota a boca no trombone e pede a prisão familiar pois seu pai tomava

muitos remédios e precisava de uma dieta rigorosa. Joaquim Barbosa negou o pedido.

– Ele (Joaquim Barbosa) quer matar o meu pai! Ele quer matar o meu pai! – gritava Miruna.

O apelo da filha sensibilizou o STF que concedeu a prisão familiar ao deputado. Em casa, a saúde de Genoino se estabiliza. Quando melhora, retorna à prisão. Miruna, morando em São Paulo,

passa a escrever carinhosas cartas ao “papis lindo”, única forma de se comunicar com ele, falando sobre a injustiça que ele estava sofrendo, de suas conquistas profissionais e da saudade de seus netos. Foram 100 cartas que estão no livro Felicidade Fechada, de 04.05.14 a 30.04.15. Genoino lia com orgulho e até lia para Jose Dirceu e outros presos para dar força a eles.

No julgamento do Mensalão, Genoino foi condenado a pagar uma multa de R$ 667 mil.

Miruna criou um site e graças aos amigos e simpatizantes do pais, em poucos dias, arrecadou R$ 700 mil. Foi um alívio pois nem vendendo a casa no Butantã, levantaria aquela absurda

quantia. E se não pagasse aquela multa estaria preso até hoje.

Disse, lá em cima, que Genoino era um cara azarado. Depois de ler o livro acho que ele é um cara sortudo por ter Rioco, Miruna e Ronan, além da filha Elisabete, em Brasília, ao seu

lado.

Recomendo a leitura do livro Felicidade Fechada que tem prefácio do sempre admirável Eduardo Suplicy e o posfácio de José Genoino, esse guerreiro do povo brasileiro. Gratidão, família

Kayano Genoino pela lição de vida.

 

 


 

 

FELIZ OUTONO

 

Ou tô no verão

Ou tô no outono

Ou tô no gol

Ou tô na linha

Ou sô empregado

Ou sô “outônomo”

Ou tô no trono

Ou outro no trono tá.

Ou tônus muscular

Ou tônus da pele

Tô no octónogo,

ôps, octógono

Out, not temer!

Outono, welcome!

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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