JORGE NAGAO: Fernanda TAoKAY!

 

 

“O bisavô veio ao Brasil no navio Kasato  Maru, em 1908. Seu filho Toshita, veio logo depois, e encontrou Akiko, minha avó materna, com quem se casou em Lucélia-SP. Tiveram filhos, entre eles Vitório, que veio a São Paulo e se formou geólogo, na USP. Contratado pela Icomi foi extrair manganês em Serra do Navio, no Amapá. Na empresa, conheceu  a enfermeira Silvia, de família portuguesa e alagoana, com quem se casou e teve filhos, nasci em 25.8.71. Eu tinha dois anos quando meus pais foram transferidos para Salvador e Jacobina, na Bahia, onde ficaram seis anos,  e depois foram para Belo Horizonte. Minhas colegas estranhavam o meu sotaque baiano e passaram a me chamar de ‘baianeira’, metade baiana, metade mineira.  Em 1992, minha família mudou para Goiás. Fiquei em BH, morando num pensionato,  porque estava concluindo a faculdade. Na época, a minha banda estava começando também, então acabei ficando. Minha mãe e meus irmãos voltaram de Goiás quando  meu pai morreu, em 2000. Hoje todos moramos em Belo Horizonte”. (depoimento de Fernanda Takai, vocalista do Pato Fu, ao site japao100.com.br)

Nanda, como era chamada pelos pais desde pequena gostava de música.  Quando  tinha uns seis anos, ganhou de presente um gravador, daqueles do tipo tijolinho, de fita K7. Costumava fazer gravações em casa das musiquinhas que  gostava e fazia entrevista com as pessoas. Botava a fita no rádio e gravava a sua seleção musical. Com 8 anos, iniciou um curso de violão. Começou a compor mas não mostrava para ninguém. Com 14 anos,  participou de um festival na escola. Tal como Yoko Ono conheceu   um John, que seria seu colega de banda, parceiro de composições, namorado, namorido, marido e pai de Nina, em 2003.

Fernanda lembra que ouvia Paulinho da Viola, Clara Nunes e Benito de Paula, com o pai, e Beatles e Carpenters, com a mãe. No curso da primeira comunhão, tocava a música “Amar como Jesus amou”, do Padre Zézinho, que tocava nas rádios e que os quarentões lembram certamente. A inquieta, delicada e ousada sansei era muito mais que vocalista do Pato Fu, show you/mostro pra você. Pa tofu, shoyu, sacou? Além de compor, escrevia para publicações variadas até que recebeu um convite para escrever crônicas semanais para O Estado de Minas. Suas crônicas e contos viraram livros: “A mulher que não acreditava” (ela mesma) e “Nunca subestime uma mulherzinha”, essas mulheres invisíveis porém imprescindíveis que fazem coisas que não sabemos fazer, explica ela. Publicou também “A gueixa e o panda vermelho”, dedicado a Nina, filha e musa inspiradora.

Com o Pato Fu, têm quatro cds, destaques para  Música de Brinquedo  vencedor do Prêmio Grammy Latino e Luz Negra, melhor álbum do Prêmio de Música Brasileira. Decidiu abandonar as crônicas para dedicar mais tempo às composições. Depois do sucesso solo com músicas de Nara Leão, resolveu embarcar num projeto ambicioso, uma autobiografia musical que resgataria algumas músicas marcantes de sua vida e trabalhar com músicos de sua admiração. Algo ficaria de fora, por isso o disco já tinha nome: Na medida do impossível. Agindo mais como produtora do que artista, ligava para os artistas visados e marcava os encontros para compor  e/ou gravar. E eles foram chegando. O padre Fábio Melo topou  e eles gravaram a música da primeira comunhão “Amar como Jesus amou”,  ganhou uma versão eletrônica  pelo produtor japonês Toshiyuki Yasuda; com a roqueira Pitty compôs e gravou Seu tipo; com Marina Lima canta “Quase desatento”, dela e Climério Ferreira; com Marcelo Bonfá canta “De um Jeito ou de Outro”; Zelia Duncan canta com Takai “Mon Amour… “,  de Reginaldo Rossi; com Samuel Rosa canta  “Pra Curar Essa Dor”, versão de John Ulhoa para a música de George Michael “Heal the Pain”;  Ainda estão no álbum “Doce Companhia”, versão feita por ela para uma música de Julieta Venegas e regravações de Benito di Paula “Como Dizia o Mestre” e Renato Barros,“A Pobreza”.  Ouça: http://deckdisc.com.br/na-medida-do-impossivel/  Tudo deu certo. Bingo! Até a capa, belíssima, tem o dedo da Fernanda que resgata o seu lado oriental.

Agora, ela se prepara para gravar um disco de inéditas com o Pato Fu. Logo, parte para uma turnée internacional com Andy Summers com quem gravou um disco de bossa nova à inglesa.

Assim é Fernanda Takai:  filha grata, mãe  dedicada; mulher cordial; cozinheira cada vez melhor; uma pessoa que adora viajar e conhecer pessoas e o mundo. Com versatilidade e criatividade, a bisneta do imigrante que cruzou o oceano no Kasato Maru, tornou-se a artista nikkei mais admirada e respeitada do Brasil. Fernanda Takai justificou o seu sobrenome: o seu show é takai/caro porque a sua arte vale a pena. Ninguém para/pára a menina de Serra do Navio que hoje pilota até foguete, vide o vídeo Made in Japan, querendo conquistar outros mundos.

 

 

 

 

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Jorge Nagao

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