JORGE NAGAO: #forçachape | Vento musical | CBA, de Manoel Herzog

#forçachape

para Dona Ilaídes, mãe do goleiro Danilo

um time
sonha dor
joga dor
torce dor
mora dor

mas na Colômbia
avia dor
causa dor
corre dor
devasta dor

morrem também
narra dor
comenta dor
entrevista dor
Crew a dor

e quem fica
porta dor
funda dor
computa dor
dor
como dor mir?


 

 

Vento musical

 

Fiiiiiu

Tento dormir

mas o assovio do vento

    faz da janela

uma gaita ou flauta

neste dormingo

de dezembro

Fiiiiiu fiiiiiu

Faz frio e eu aprecio

o canto do vento

que tem o seu encanto

no canto do quarto

no vão da janela

O vento uiva em vão

Fiiiiiiu fiuuuuuu fiuuuuuu

O vento fica furioso

e sopra sem parar

em fá, sol, sei lá!

Seu som fanho,

fino e feroz

    o danado

faz uma sinfonia

aflita e desafinada

Fiiiiiiiiiiiiiiu fiiiiiiiiiiiu fiiiiiiiiiu fiiiiiiiiiiu

São tantos acordes

que me acordam de vez

Me aborreço

    abro  a janela,

    nesse instante.

Fim do concerto

    desconcertante

fuiiiiiiiiiiiiiii

 


 

 

CBA, de Manoel Herzog

 

Leidies end gente man, minha resenha do romance de Manoel Herzog, Germano Quaresma.

CBA, Cia.Brasileira de Alquimia, de Manoel Herzog, uma resenha risonha.

Ri muito lendo este romance policial-erótico-terror-musical-industrial e humorístico.
Poeta, o protagonista e narrador, nos conduz a diversos cenários com figuras divertidas e apelidos impagáveis.

Surpreende quando escreve palavras estrangeiras como se pronuncia: imeio, Maiame, momblam y mutchas otras. Curti muito a Inconsciente-FM, Z ípcilon B, sete cinco meia, conheço 90% daquelas pérolas musicais.

Machista? É verdade. Libidinoso? Concordo. Chulo? Sim, mas é realista, é assim que os operários e até gerentes se tratam. E o livro cumpre a sua finalidade de entreter o leitor.

Poeta cita os grandes da literatura e os seus amigos escritores porque amigo, fora da literatura, ele não tem. Alterna momentos de pornografia e beletrismo exibindo erudição e poesia. O romance, se fosse uma pizza, seria mezzo erudita e mezzo sacanagem.

Conheço o autor que é também advogado. Este lado certamente facilitou o narrador da segunda parte da história, Alencar Segundo, quando é obrigado a usar uma linguagem formal em que o investigador substitui o Poeta. Seu relatório utiliza o repertório de profissional de Direito para reconstituir o contexto do crime.

Capítulo à parte, é a fala da Claudia, mulher o Poeta. Ela troca o r
pelo g. Chega a dar dor de baguiga quando ela fala litegatuga,
Maguiana, pôga, antiquáguios, cagalho e Buenos Aigues,
por exemplo.

Recomendo CBA, Companhia Brasileira de Alquimia, da Editora Patuá, um livro que é uma boa companhia. Contudo, se você não está com nada, isto é, se você é muito pudico e não tem senso de humor, inclua-se fora dessa.

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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