JORGE NAGAO: Histórias de Karoshi

 

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Histórias de Karoshi não têm nada a ver com as histórias da carochinhas destinadas às crianças. As de karoshi são trágicas, literalmente, de morte, morte súbita no local de trabalho. Dizem que o que você fala, acaba acontecendo. Nunca diga como a vítima do karoshi: “pra vencer na vida, vou morrer de tanto trabalhar”. Esse workaholic acaba sofrendo um AVC, infarto, ou, num instante de muita pressão ou depressão, acaba se matando.

A OIT, Organização Internacional do Trabalho, da ONU, registra algumas histórias de karoshi. A primeira de uma pessoa que trabalhava numa companhia de salgadinhos que trabalhava 15h/dia, morreu de ataque cardíaco aos 34 anos.

Outra, também trabalhava 14 a 15h/dia numa companhia de impressão em Tóquio, teve um AVC e morreu aos 58 anos. Uma enfermeira de 22 anos trabalhou 34 horas contínuas, sofreu um ataque cardíaco e morreu na hora.

Além da pressão física, o estresse mental também pode causar karoshi. Pessoas que cometem suicídio por estresse mental são chamadas de karojisatsu.

O auge dos casos de karoshi, no Japão, aconteceu nos anos 80 e início dos 90. A crise econômica obrigou muitas companhias a demitir parte do quadro e os que ficaram foram obrigados a fazer muitas horas extras, pagas parcialmente, para dar conta do serviço.

Caso semelhante, ocorreu no Banco do Brasil, nos anos 90. A empresa propôs o primeiro PDV, plano de demissão voluntária, houve mais de vinte casos de suicídio porque a certeza do emprego estável morreu como karoshi. Muitos sobreviventes fizeram mais de duas horas extras diárias por vários anos, naqueles anos FHC, às vezes, sem receber.

Silvio Sano, meu colega do Nippak, revelou, em coluna recente, que, no Japão, o empregado tem direito a apenas oito dias de férias, mas a maioria prefere descansar somente quatro dias. Praticamente, um feriadão no Brasil.

No caderno de Empregos do Estadão, de 28.09.14, a colunista Juliana Camilo, psicóloga e professora da PUC-SP, publicou o artigo “Morrendo de trabalhar. O Karoshi como um sinal de alerta”. A faixa etária é por volta dos 45 anos, a maioria do sexo masculino. Poucas organizações reconhecem estas ocorrências e não tomam as medidas efetivas. É mais fácil culpar o trabalhador, o trânsito, do que reconhecer que os limites de trabalho humano foram ultrapassados. Ela encerra o texto lembrando que “ uma carreira de êxito profissional requer muitas outras coisas além da formação acadêmica ou da experiência profissional. Requer saúde mental, social e, sobretudo, vida!” É isso aí!

 

Boas festas, feliz Natal e um 2015 com muita saúde, física e mental. Bora, ser feliz!

 

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Poemeus relacionados com o tema:

 

SIESTA

Uma hora dormida
não é uma hora perdida.
É uma hora investida
pra depois curtir
plenamente a vida.

De vez em quando, pare.
Conte até dez, respire.
Pra luta se prepare
antes que você pire.

Pare numa boa, consciente,
pois se não parar, cara,
você pode parar de repente,
para sempre.

 

 

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ERGOLATRIA

 

Suicídio involuntário,

Impossível de falhar,

Ocorre quando o bancário

Se mata de trabalhar.

 

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jorge-nagao

Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

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