JORGE NAGAO: Jun Matsui, tatuador top

O adolescente do Jaraguá, bairro do pico mais famoso de São Paulo, sonhava em sair do Brasil e viver na Califórnia mas money que é good, ele não tinha. O jeito foi esperar.

Quando completou 18 anos, foi ao bairro da Liberdade e se inscreveu numa agencia de empregos para uma vaga na fábrica da Toyota, em Nagoya, contou ele ao repórter João Wainer, da Folha de S.Paulo.

 

Jun e sua filha, Hari, na revista GK, e sua arte. (Foto: divulgação)

Jun e sua filha, Hari, na revista GK, e sua arte. (Foto: divulgação)

 

Jun juntou a cara e a coragem e partiu para o Japão onde viveria incríveis aventuras que acabam de virar um documentário que teve uma pré-estreia no Cine Joia, no início de agosto.

André Ferezini, o diretor do curta-metragem  “Jun Matsui”, fala do filme: “Pelo trabalho do Jun ser, basicamente, visual, eu queria que o filme tivesse uma estética forte. Algo que conversasse com o modo como ele encara a tatuagem”, conta o diretor. Assim Jun Matsui não é meramente ‘observacional’. Há interferências roteirizadas, como belíssimas cenas submarinas combinadas com o protagonista. A água tem uma função narrativa muito forte no filme”, explicaria ao fim da sessão o autor. Aos corpos masculinos tatuados, portfólio vivo de Matsui, é dado um tratamento de escultura. Usei o slider, um recurso técnico que me permitiu ‘passear’ pelas tatuagens e pela nudez masculina, respeitando cada um daqueles caras.”

tribalEm Nagoya, Jun ficou seis meses na montoydora. Dedicou-se à tatuagem. Em Yokohama, aprendeu a arte da tatoo com Horyoshi 3º. O mestre ensinou-o o ofício e a entender e respeitar os significados e os rituais ancestrais da tatuagem nipônica.

A maior saia justa que Jun Matsui passou foi quando foi obrigado a tatuar uma tartaruga no pênis de um mafioso, da Yakuza. O episódio acabou vazando e virou capa do extinto jornal Notícias Populares: “ Tatuador da máfia japonesa é do Jaguaré”.

Por namorar uma cantora pop japonesa virou celebridade no Japão onde foi perseguido por paparazzi. Depois dessa vida louca em Tóquio, “dinheiro, eventos sociais, festas, mulheres, bebida e o que mais vinha junto com isso”, resolveu voltar ao Brasil.

Tatuou muita gente durante seis anos até que nasceu a filha e decidiu mudar o estilo de vida. Agora raramente faz uma sessão. Abriu a loja  Life Under Zen ( LUZ), na galeria do Rock, centro de S.Paulo. As roupas e joias são criações do próprio Jun.

Que Jun Matsui, depois de divulgar o seu filme pelo mundo, volte para atender os clientes que pagam qualquer preço para exibir o que há de melhor na arte da tatuagem.

Mais? clique aqui: http://www.junmatsuidoc.com/

 


 

 

História da tatuagem no Japão by Silvia Kikuchi

No Japão, a vida não é fácil para quem tem tatuagem. A maioria das piscinas, academias esportivas e banhos termais proíbe a entrada para quem tem a pele tatuada. As empresas de seguro de vida também rejeitam clientes com tatuagens.

Para entender por que os japoneses são tão avessos às tatuagens, é preciso acompanhar o que aconteceu ao longo da história.

Os livros de história dizem que os japoneses tinham o costume de aplicar tatuagens desde o Período Jomon (por volta de 14 mil a.C.) para distinguir quem era quem e de onde vinha.

Mas a partir do Período Nara (710 a 794 d.C.) as tatuagens passaram a ser usadas para marcar os criminosos.

Somente em 1872 é que as tatuagens foram abolidas entre os prisioneiros. E acabaram sendo proibidas para uso entre a população até 1948.

Esse passado acabou criando uma imagem negativa em relação às tatuagens no Japão.

 

JORGE NAGAO

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