JORGE NAGAO: MAFALDA ATÉ 15/3

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O sucesso da exposição O mundo segundo Mafalda, Pça das Artes, Av. São João, 281, centro de S.Paulo, motivou a Secretaria Municipal de Cultura a estendê-la até 15 de março.

O jornalista José Luiz Frare revelou na revista Nova Escola, ago/94, como surgiu essa carismática personagem: “Em 1963, Quino, o criador da Mafalda, foi convidado por uma agência de publicidade para criar uma historinha para a empresa Mansfield, de eletrodomésticos. A personagem central deveria ter o nome começado por M. O anunciante, porém,  não aprovou a peça publicitária e Quino engavetou a história de Mafalda e família. Sorte nossa. No ano seguinte, convidado a desenhar na revista Primera Plana, semanário importante na Argentina, Quino lançou Mafalda, a enfant terrible, que lá permaneceu por seis meses.

Em 1965, Mafalda estreou no jornal El Mundo, de Buenos Aires e ficou até o Natal de 1967. Jornais de outras cidades passam a reproduzir as tiras. A próxima parada é Sete Dias, um semanário bem popular. Em 1968, Mafalda foi traduzida para o Italiano. Em 1969, é publicada na Itália o livro Mafalda, la constestataria. Em 1970, o livro é sucesso também na Espanha e em Portugal.

No Brasil, Mafalda surge, pela primeira vez, em 1970, nas páginas de uma revista de pediatria pedagogia onde cada texto é ilustrado com uma tira.

A partir de 1971, Mafalda ganha o mundo: Austrália, Suécia, Noruega, França, Finlândia e Alemanha Ocidental publicam as tiras de Mafalda em jornais e livros.

Em 1973, a Tv argentina começa a exibir os desenhos animados de Mafalda & cia. Nesse mesmo ano, Quino decide parar de desenhar a sua famosa personagem alegando que estava se repetindo.

Resumindo, Mafalda foi traduzida em 26 idiomas e foi eleita uma das dez argentinas mais influentes do século 20.

Para Umberto Eco, “Mafalda é a grande personagem dos anos 60. Rebelde e incorformista ela se recusa a aceitar o mundo como ele é”. Insatisfeita, ela contracena com Manolito, o amiguinho capitalista; com Felipe, o sonhador tranquilo, com Susaninha, a “coxinha” perdida em sonhos pequeno-burgueses. E com seus pais, resignados, com o karma de serem os guardiões da contestadora.

Mafalda foi publicada no Brasil com a tradução do jornalista e escritor Mouzar Benedito e do famoso chargista Henfil, lançada pela Global Editora, em 1981, com tiragem inicial de 30 mil exemplares. Saíram cinco números da revista, o suficiente para popularizar Mafalda e cia. entre nós. A editora Martins Fontes lançou, em 1991, Toda Mafalda, da primeira à última tira, um de seus best-sellers.

A exposição, em São Paulo, está dividida em vários espaços: Apresentação dos personagens, Os anos 60, Oficina de recursos criativos, Os brinquedos, Mafalda TV, Os mundos, Cada qual com seu cada qual, Os direitos das    crianças(1977), Galeria de Tiras, Mafalda Hoje, Oficina de invenções, Os gostos e desgostos de Mafalda e O Autor.

Ecoando Umberto: “Já que nossos filhos vão se tornar – por escolha nossa – outras MAFALDAS, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real.”

 

 

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Jorge Nagao

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