JORGE NAGAO: Marielle presente e BB Nostro

MARIELLE PRESENTE

(discurso do pastor, professor, teólogo e ator Henrique Vieira)

 

Katy Perry homenageia Marielle

 

Eu gostaria de saudar a família do Anderson, saudar a família de Marielle e manifestar a nossa solidariedade.

Jesus, negro, favelado, de Nazaré; Marielle, negra, favelada da Maré. Jesus chegou metendo bronca no templo; Marielle chegou metendo bronca na Cãmara Municipal do Rio de Janeiro.

A cruz não foi capaz de silenciar a voz de Jesus e aqueles tiros não foram capazes de silenciar a voz de Marielle. Nós estamos vivos e o sonho permanece. Como a reverenda Inamar disse, eu quero reafirmar com todo amor e respeito que ” os coronéis da fé, vendilhões do templo, Crivella, Malafaia e companhia matariam Jesus, hoje.

Eles não controlam a fé da irmã Dorothy, de Francisco de Assis, de Chico Mendes, de Tereza D’Ávila, de Martin Luther King, de João Batista, de Jesus de Nazaré. Eles não controlam esse povo preto, esse povo pobre. Esse povo que usa o nome de Jesus para promover o amor e a graça.

Eu quero terminar dizendo com todo carinho que o sonho ainda está vivo. Eu quero  dizer que é preciso respeitar a dor. A dor é um solo sagrado. Se estamos chorando,  estamos. Se nos sentimos fracos, às vezes, sentimos. Mas as nossas lágrimas e as nossa fraquezas vão mover as estruturas desse mundo.

Nós ainda estamos sonhando. Está de pé o sonho por um país em que os negros não sejam culpados até que se prove o contrário. Sonho de um país que as mulheres derrotem de vez o machismo. O sonho que seja justa toda forma de amor.

O sonho que o Parlamento seja ocupado por indígenas, quilombolas, camponeses, sem-teto e mulheres negras. Sonho que nenhuma criança vai passar fome. Que não haverá latifúndio, que não haverá desigualdade social, não haverá ricos e pobres, porque a Justiça vai fluir.

Porque chega! Negros não voltarão pra senzala. LGBTs não voltarão pro armário. Mulheres não voltarão pra submissão. Nossos sonhos não vão ficar no caixão porque eles estão vivos.

Nós somos a semente, nós somos o futuro, nós somos a revolução!

 

 


 

 

BB NOSTRO

 

À época da novela Terra Nuestra escrevi este texto italianado porque o presidente do Banco do Brasil era um italiano.

Bancaríssimo Paolo,

Como vai o signore? Bem, como BB, que duplicou o patrimônio e teve um lucro bilionário, ou surpreso e preocupado depois da paralizzazione del 25 de novembro? Se o signore desonhece posso lhe contare o que se passa em nostros corazones e mentes.

Parte de nostra giornata é gratuita porque o tale di banco de horas ficou no ora-veja pois se a genti folga vai ferrare ainda mais os altros. Se, em Terra Nostra , lá época era pós escravidão, aqui estamos mais para los schiavos perché as horas-extras geram apenas stresse em vez de remunerazione. Quer marcar um ponto, signore Paolo? Implante já o cartão eletrônico de ponto e pronto!

Que buono seria lavorare naquele banco da novela! O banqueiro rimava com Bradesco ma parece-nos o banco dos sonhos: senza filas, senza LER, senza assaltos e senza UENvelopes.

E ainda tinha clientes como a Paola, signore Paolo.

Os maledettos do Mallan e do FHC não querem dar reajuste salarial altro vez? Estamos no quarto ano sem reajuste e querem nos mandar pros quinto? Cáspita! Ora, se os lucros do Banco são cada vez maggiores, se lavoramos feito desgraciatos, maltratar-nos assim é o fine da picada!

Os gerentes só parlam em meta, meta, meta. O BB virou um bando de meta? Em vez de  aumento, dão-nos uma mixaria de PLR. Como sobra mês nel fine di salário, né Millôr? Ecco!, então a gentivai se afundando no cheque-oro e no CDC, que, não si perché, ricorda-me a vendinha da fazenda: a prestação e os juros sono tão altos que nós “italianos” nos endividamos mais e somos obrigados a vender licença-prêmio e abonos, cosas que os novos “oriundi” nem têm mais direito.

Quantos, Dio mio, sacrificaram la própria vita perché non suportaram questo tormento de lavoro?! Per tutto questo, não se zangue, signoe Zaghen, in questa casa nada santa, nós, do BB, estamos nos sentindo mais enjeitados que o bebê da Giuliana e do Matteo, abandonado na Santa Casa.

Questo é seu desafio, signore Paolo: acabar com os resquícios de senzala desta casa grande e transformá-la numa grande casa.

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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JORGE NAGAO

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