JORGE NAGAO: Marilia Kubota, poeta que bota pra quebrar

Lançamento da antologia Retratos Japoneses no Brasil, com dez autores nipo-brasileiros: Adalgisa Naraoka, Alexandre Inagaki, Itiro Takahashi, Gabriela Kimura, Marília Kubota, Mirian Lie, Ricardo Miyake, Simone Toji, Tereza Yamashita e Wilson Sagae. Publicado pela [e], da Annablumme. São Paulo e Curitiba (Tereza Yamashita)

Lançamento da antologia Retratos Japoneses no Brasil, com dez autores nipo-brasileiros: Adalgisa Naraoka, Alexandre Inagaki, Itiro Takahashi, Gabriela Kimura, Marília Kubota, Mirian Lie, Ricardo Miyake, Simone Toji, Tereza Yamashita e Wilson Sagae. Publicado pela [e], da Annablumme. São Paulo e Curitiba (Tereza Yamashita)

 

A paranaense Marilia Kubota é uma importante poeta patrícia. Nascida em Paranaguá no ano do golpe de 64, ela também condena o atual golpeachment,  mas deixa isso pra lá. Vamos falar dela.

Marilia participou de cinco antologias poéticas desde o ano 2000 até lançar o seu primeiro livro, Selva de Sentidos, em 2008.

Em 2010, organizou a antologia Retratos Japoneses no Brasil- Literatura Mestiça, que recebeu o Prêmio Nikkei de Literatura em 2011. Organizou o Concurso de Haicai Nempuku Sato, em 2008, ano do centenário da imigração. É editora do MEMAI, jornal e site de Letras e Artes Japonesas. Marilia é mestre em estudos literários pela UFPR, onde estudou as narrativas japonesas de Valêncio Xavier. Veja os artigos de Marilia no Memai: http://www.memai.com.br/tag/marilia-kubota/.

Mais recentemente, Marilia participou das coletâneas Hiperconexões I e II, organizadas por Luiz Bras. Chamou a atenção do leitor a sua minibio: “Marilia Kubota é vizinha de uma chacrete e já dançou dentro de um disco voador, mas não fez vídeo para divulgar no Youtube. Ah, que grande perda para a humanidade.”

Recebi da poeta seus livros mais recentes, Esperando as Bárbaras e Micropolis, de haicais, e que haicais! O livro traz 34, a maior parte escritos em oficinas de criação literária. No ano de 2014, Marilia Kubota começou a orientar oficinas sobre a forma poética japonesa, e escreveu alguns exercícios, que nunca havia experimentado antes. “Foi uma brincadeira. Jamais imaginei que poderia escrever haicais. Para mim, a poesia de Bashô, Issa e outros mestres japoneses é inigualável. Só pude me soltar porque escrevi sem pretensão de publicar um livro”, conta a poeta. Micropolis foi lançado na Casa das Rosas, na avenida Paulista, no ano passado.

Esperando as Bárbaras foi lançado em 2014 na Casa Amarela, comandada pelo infatigável poeta Akira Yamasaki por sugestão de João Caetano.

“ Aí veio o poeta e jornalista João Caetano do Nascimento nos apresentar a poesia que é uma pintura da Marilia Kubota, de sorriso fácil e tímido, ela trouxe a reboque seu livro de poesias “Esperando as Bárbaras”

Respondendo tudo de maneira curta e certeira, esquivava-se o quanto podia das perguntas que fazíamos.

E nós ali, mordazes, sádicos, curiosos, emendávamos uma pergunta à outra, para que ela continuasse a responder e declamar, o que fez, em ambas as situações, com absoluta destreza.

E nós, auspiciados, fruindo a beleza da hora.

Para usar um clichê baratinho, padrão lojinha de 1,99, o palco ficou pequeno pra tanta poesia de qualidade.” (depoimento de Escobar Franelas)

Em entrevista ao blog da Tereza Yamashita, ela falou sobre o seu processo de criação:

– Meu processo de criação se baseia no exercício do jornalismo, que é escrever diariamente, aprender errando, e em geral, para consumo imediato. Por causa do trabalho jornalístico, eu tinha a ideia de que escrever publicamente é descartável.  Por isso gosto de escrever e ler crônicas, ou blogues, em geral, escritos desprezados. Temo a perenização do escrito, gosto da relação com o acaso, seja na leitura ou na escrita.

Outro dia li autores que já ouvia falar há tempos, Paulo Henriques Britto, Mia Couto e J. Coetzee. Prefiro o acidental à erudição. Por causa de meus anárquicos hábitos de leitura não vejo perspectiva para que a minha poesia seja conhecida. Mas por enquanto sou feliz em minha aldeia.

A sua poesia será conhecida e reconhecida, Marilia. Eis alguns haicais do livro Micropolis.

1)Insignificante / O grilo falante/ cricrila sem estilo

2)bakemono// a mariposa atravessa/ origami de papel amarelo/ sombra na luminária

3)ikkyô// a canção/ se o vento não sopra/ tiro da flauta

4) no poeta laranja / o ácido cítrico/ esbanja kisuco

5) no meio de páginas/ do livro: gramas de traça/ no ideograma

6) um cadáver/ estendido no açucareiro: / luto no formigueiro

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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