JORGE NAGAO: MARIZA, um livro imperdível

livro da Mariza, uma obra-prima

 

O dia 04 de dezembro de 2013 entrou para a história da ilustração brasileira. Nesse dia, foi lançado o livro MARIZA… e depois a maluca sou eu! Com seu traço impactante e furioso, ela é considerada por seus colegas como a mais importante e influente ilustradora da nossa imprensa.

Nos anos 80, quando colaborei com a Folha conheci renomados jornalistas como Boris Casoy e Matinas Suzuki, mas ficava na sala dos cartunistas Angeli, Laerte, Glauco, Luiz Gê e cia. e dos ilustradores como a Mariza, Orlando, Fausto entre outros. A inquieta Mariza era unanimidade, suas ilustrações originais eram elogiadas por todos, desenhistas ou redatores.

Partner de Paulo Francis, a sua ilustração ocupava metade da página da coluna Diário da Corte do polêmico jornalista. O trabalho da dupla marcou a Folha de 1979 a 1990. Quando a Folha resolveu substituir a ilustração da Mariza por fotografia, a artista pediu demissão. Com o fim da página de humor da Ilustrada (Vira-Lata charges e frases), depois Gol (charges, coluna do Arapuã e frases de humor, meu cantinho) deixei de frequentar o até então respeitável jornal.

O Orlando, há um bom tempo, falava deste projeto de resgatar a arte de Mariza. Não tinha como não prestigiar este evento tão especial. Entrei na fila e quando chegou a minha vez, estendi-lhe o livro e disse o meu nome. Ah, disse-me ela, claro que me lembro de você  e da Pastelaria do Nagao. Caramba, ela lembrou da minha coluna nas páginas paulistas do Pasquim, “Rumores Paulistas”, e lá se vão mais de 30 anos! Fez a dedicatória e, de quebra, fez um desenho em menos de trinta segundos. Mostrei a dedicatória pro Orlando que me disse: “ a memória dela é inacreditável, ela lembra coisas de 30, 40 anos atrás, mas não se lembra de coisas que fez hoje”.

 

 

Depoimentos

 

Orlando Pedroso, artista gráfico, idealizador do projeto:

Pra mim, a ilustração editorial brasileira se divide entre am/dm, antes e depois da Mariza. Ela nasceu em 1952, na Guatemala. O pai, o diplomata Mário Loureiro Dias Costa  era amigo de Vinicius de Moraes e foi um dos mentores do seminal show da bossa nova no Carnegie Hall, em NY. Viveu em países como Suíça, Peru, Itália, Paraguai, França e Iraque. Na Copa do Mundo, ela pode torcer por qualquer país. Até para o Brasil. Revela que vozes do inconsciente ainda lhe sopram como suas ilustrações devem ser produzidas e essa inquietação ainda continua a nos provocar. Num outro país ela seria cultuada como um Ralph Steadman ou Gerald Scarfe o são.

 

André Forastieri, editor e jornalista, escreve no R7:

O Brasil é rico em grandes ilustradores. Nenhum é maior que Mariza Dias Costa. Cresci hipnotizado por sua arte.

Mariza Dias da Costa: ilustrando a história e fazendo o meu Natal. Mariza’s book tem o projeto gráfico do mestre Toninho Mendes. Compre online o livro dela pela  catarse.me/pt/livromariza. É imperdível!

 

Contardo Calligaris, 5ªf. na Folha, ilustração MDC:

Mariza e eu gostamos de errar pela cidade e não deixamos de olhar em suas sarjetas. Temos um repertório comum de detritos com os quais eu tento escrever, e ela desenhar e pintar.

 

Marcelo Ribeiro, analista junguiano, com Mariza desde 2001:

Estou certo de que esse livro, além do merecido resgate, trará a oportunidade para ela acrescentar a esse percurso novas extensões artísticas. Boa viagem, Mariza!

 

Laura Capriglione, jornalista do grupo Folha:

Depois de brincar muitos anos com drogas ilícitas que a levaram a dolorosas internações, Mariza garante que está bem, e está mesmo, muito bem. Diante de jornalistas que, ocupadíssimos, escrevem alguma coisa que depois de amanhã estará embrulhando peixes, quem se ergue é um gigante da ilustração brasileira, Mariza Dias Costa, a Mariza.

 

Tereza Yamashita, designer gráfica e escritora:

Na época da faculdade, o Luiz Bras e eu ficávamos impressionados, eu principalmente, com as ilustrações da Mariza. Cada traço, cada pincelada, cada espirro de tinta, as colagens, uau! Eu ficava observando cada milímetro das suas ilustrações. Quanta ousadia, uma explosão! Eu ficava imaginando como seriam os originais, belíssimos!

 

Revista Veja, 11.12.13, pág.212, na capa Mandela:

…E depois a maluca sou eu, de Mariza Dias Costa, ed. Peixe Grande; 224 páginas; 69 reais). “Mariza mistura referências da cultura pop a delírios e fantasmagorias de um universo muito particular. São imagens criadas por uma personalidade única, que provocam reações diversas, exceto indiferença”.

 

Mariza, na abertura de sua exposição:

– A editora é Peixe Grande, a galeria é La Mínima, e depois a maluca sou eu!

 

 

 

 

Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

AKIRA SAITO: Final do Mundo   Observando as pessoas nestes últimos tempos, o tal do final do mundo talvez não seja a destruição do nosso planeta ou o extermínio da raça h...
JORGE NAGAO: Família Kayano Genoino / FELIZ OUTON... “ Porque o Vôvi é a nossa felicidade, e ele ficou lá preso, fechado, então a nossa felicidade estava fechada. Ainda bem que ele saiu.” (Paula, filha ...
ARTIGO: Prazo para inovar a saúde   Há seis anos, o consumidor brasileiro vem sofrendo com a desatualização da chamada “lista positiva”. Ela responsável por isentar os princípi...
AKIRA SAITO: REIGI “Uma pessoa sem educação, dificilmente poderá exercer em sua totalidade sua função como cidadão”   Reigi em japonês significa “etiqueta” “reg...

One Comment

  1. aê, nagao!
    obrigado por estar sempre por perto.
    abs!

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *