JORGE NAGAO: Momentos Dilma Vida e Wander Shirukaya

Momentos Dilma Vida

!cid_ii_1545852a6249d322Cedo ou tarde, a vida da presidenta Dilma será tema de um filme ou uma série. Baseado em fatos reais pois nenhum ficcionista imaginaria uma trajetória tão repleta de dramas, aventuras e emoções.

Nascida em 1947, numa família de classe média alta, em BH, Dilminha como era chamada, por ser filha de Dilma Jane, teve uma infância feliz ao lado dos irmãos Igor e Zana. Pedro, o pai, um búlgaro grandão de quase 2 metros, incentivou-a a ler os clássicos  como Germinal, de Émil Zola, e Humilhados e ofendidos, de Dostoievski, quando ela tinha apenas 13 anos. Assim, a adolescente Dilminha se defrontou com a desigualdade social. Certa vez, a mãe flagrou-a rasgando uma nota de cruzeiro, $ da época, e dando a um menino pobre que bateu à porta de sua casa pedindo esmola.

O paizão, pra desgraça da família, morreu quando Dilminha tinha 15 anos. Ela estudou no tradicional Colégio Sion. Aos domingos, os professores levavam os alunos ao morro do Papagaio para dar alguma ajuda à população da favela. “Isso é muito bom mas não resolve os problemas reais”, dizia ela, conforme relatou a professora Sonia Lacerda.

Dilma, agora adolescente, não seguiu as suas colegas que fariam o Curso Normal e seriam professoras. Decidiu prestar o Curso Científico e entrou no disputadíssimo Colégio Estadual, o coração do movimento estudantil secundarista, celeiro de quadros da esquerda.

Logo foi apresentado aos textos de Karl Marx. Leu os grandes escritores influenciados por Marx: Caio Prado Jr, Sergio Buarque de Holanda e Celso Furtado. Entrou na organização revolucionária Polop, organizado por Claudio Galeno que seria o seu primeiro marido.

O casal rebelde viveria grandes aventuras saindo de Belzonte, passando pelo Rio e, finalmente, em São Paulo. Em 16 de janeiro de 1970, Dilma ou Vanda da VAR-Palmares foi presa

na rua Martins Fontes, no centro da cidade. Durante 22 dias foi torturada no DOI-Codi, na rua Torturó, ôps, rua Tutóia. O torturador-chefe era o Coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro ao declarar o seu voto a favor do golpechment da presiDilma. De lá foi transferida para o DOPS onde ficou por dois anos e dez meses, depois foi cumprir mais dois anos e dez meses no presídio Tiradentes. Nove meses além da pena imposta pelo tribunal militar.

Dilma guardou a frase do dramaturgo Brecht que viu numa parede do presídio: Feliz é o povo que não precisa de heróis.” (continua na semana que vem?)

 

 


 

 

Wander Shirukaya

!cid_ii_1545861858b23e8aFui convidado a falar um pouco sobre a rotina de criação e produção literária aqui no 2000 Toques. Um dos pontos que os escritores costumam levantar é sobre música na hora de escrever. Afinal, é possível ter algo como uma trilha sonora para a narrativa/poesia?

A minha relação com a música é bastante especial. Pesquiso sobre ela, toco um instrumento (guitarra). Logo, não vejo problema em escrever enquanto ouço música – algo que muitos colegas abominam, devido ao fato de isso lhes diminuir a concentração. Entretanto, vejo que é possível ir mais além da música como pano de fundo, que está ali apenas para inspirar. As diferentes vertentes sonoras, além de cumprirem com o papel de suscitar novas ideias ao texto literário, podem estar tão envolvidas no processo de criação a ponto de se tornarem indissociáveis dele. Costurar músicas é um ato bastante saudável, que contribui para relações intertextuais diversas, assim como muitos colegas fazem mesclando elementos das artes plásticas ou do cinema à literatura. Sendo assim, é bastante comum que, para mim, uma citação à banda, artista ou obra musical não seja meramente um adorno, mas um convite a uma nova leitura sobre o evento narrado. Sabe quando você vê a cena de Alex espancando o velho, o forçando a assistir o estupro de sua mulher em Laranja Mecânica, e de repente você ouve Singing in the rain? Tal cena é um bom começo para que se perceba o quão rica é a intersemiose da música com outras expressões artísticas. Se no exemplo que citei, dado que se refere mais ao cinema, toda a importância desse cruzamento de discursos de que falamos é flagrante, o mesmo não o é quando falamos de literatura. Vejo poucos autores relacionarem a música dessa forma em seus textos – algo que o grande Machado de Assis já explorava (lembrem-se de Trio em lá menor, O machete e Cantiga de esponsais, só para citar alguns). Acredito que, expressando essa minha paixão pela música, que está diretamente ligada a meu processo de criação (mesmo agora, redigindo este comentário, estou ouvindo algo), outros colegas possam ver de modo mais aberto a música como ferramenta inspiradora. Escrevo mais no período da noite (já que meu ofício de professor costuma me tomar as tardes), muitas vezes com headphones, e até hoje meus personagens só tem a agradecer. Se seus personagens forem tão legais quanto penso, que tal lhes apresentar algumas trilhas sonoras

Nascido em 1980, Wander Shirukaya, aniversariante do dia, é Mestre em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB, onde estudou o fantástico na obra de Lygia Fagundes Telles. É também desenhista, músico e escritor; publicou Balelas (2011, Ed. Mutuus – RJ) e Ascensão e queda (2015, Cepe Companhia Editorial), vencedor do II Prêmio Pernambuco de Literatura; participou das antologias Contos de Sábado (2012, Manufatura – PB) e Goiana Revisitada (2012, Silêncio Interrompido Edições – PE).

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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