JORGE NAGAO: Nikkeis Anônimos

images

 

Assim como existe o grupo Alcoólicos Anônimos, poderia existir o grupo Nikkeis Anônimos cujos integrantes relatariam o assédio moral que sofrem por conta de seus nomes e sobrenomes.

Rosa Tomeno Takada uma das favoritas do concurso Nomes Nikkeis, organizado pelo site discovernikkey.org/pt, de Los Angeles-USA, em sua crônica, conta um fato verídico: “Houve um moço que foi parar na cadeia por desacato à autoridade. Ele simplesmente disse o nome dele alto e bom som: DOI BUNTA.  Para quem só entende o português, ele afirmou que suas nádegas doíam…”

Imagina uma reunião com essas de pessoas, como a gente, que sofrem bulling por causa de nomes e sobrenomes. Após ouvir o relato, o grupo solidário abraçaria o depoente que se sentiria confortado.

– Boa noite, meu nome é José Kagawa. Em qualquer lugar que vou, o atendente, ao ler meu nome, não contém o riso e ainda mostra ao colega do lado para me humilhar ainda mais.

– Bem, meu nome é Toshiko. Nome terminado em o, no Brasil, é masculino, então sempre recebo carta “Ao senhor Toshiko”. Não seria, Toshika? Perguntam até se não tem acento na primeira sílaba, como se fosse Tóshiko. É um horror.

– Meu nome é Aquiles mas meu pai queria registrar como Akira. O cartorário era um sacana e registrou assim. Em casa, sou Akira; fora, sou Aquiles. Aquió, cartorário!

– Boa noite, sou Roberto Shigeru. Como? Chiqueiro? Ouço sempre essa maldade e nem sou palmeirense. Também me chamam de Siqueira, queira ou não queira.

– Oi, meu nome é Sueli Fumiko. Então, é só ouvir o meu nome e pago mico. Perguntam se vendo fumo, e eu nem fumo.

– Boa noite, sou Carmen Shibata, um sobrenome que entrou para a história do Brasil por causa do Dr. Harry, legista do caso Vladimir Herzog, em 1975. Ele é seu parente? Você ganhou Shibata do pai ou da mãe? Haja paciência!

– Oi, meu nome é Massacazu. É só falar meu nome e lá vem alguém cantando aquela música: “Massacazu você chegasse, no meu chatô e encontrasse aquela mulher que te abandonou…”

– Oi, quando me apresento: Akihiko! O cara já responde: Aqui, pobre. Se eu ganhasse dez reais cada vez que ouvisse isso estaria hiko.

– Oi, quando falo meu nome, Setsuko, tenho que ouvir: sete sucos de laranja? Ah, vontade de dar um suco no sujeito.

– Boa noite. Sou Carlos Kaneko. Caneco de chopp ou de cachaça?- perguntam. Em japonês, significa filho afortunado, aqui meu nome é avacalhado.

– Olá, sou Claudio Kumeo. Vocês podem imaginar como sofrem os nikkeis que tem o nome começado por essa sílaba. É como aquele ditado: escreveu não leu, o pau comeu.

– Gente, sou Julio Juro, de décimo filho. Você jura mesmo? –  me perguntam sempre. Juro que algum dia bato em alguém.

– Oi, sou Nelson Nakama. Já zoam com o nome, imagina um parente meu que se chama Gosei Nakama – nome verdadeiro citado por Claudio Sampei, num encontro no Bunkyo.

– Meu nome é Kenji Katsu. Catso? Isso é nome ou palavrão? Em japonês, significa vitória; no Brasil, é palavrão.

– Gente, eu me chamo Claudia Kimiko. Que mico que pago quando falo meu nome. Em japonês, bela história infantil. Aqui, história chata que não dá pra esquecer.

– Sou Itiro Ikeda. É só falar meu nome, lá vem gozação: é tiro e queda!

– E eu? Masaru Miyamoto. Tem seguro? Já mandou pra oficina? Dá vontade de mandar o cara pra Botucatu.

 

– Olá, sou Mário Kazuharo. E as pessoas já se lembram daquela piada do japonês que tinha um pequeno negócio mas tinha o negócio grande e se chamava Kaso Haru.

(Esse foi, literalmente, um caso raro, único depoimento que causou risos nas reuniões)

Como o tema combina, copio o final da minha crônica no concurso Nomes Nikkeis:

Para descontrair, aproveito esta oportunidade Hara para brincar com nossos sobrenomes. É uma Takada arriscada mas aí vai.

A vida de nikkei não é Mori. É muito Sato ouvir piadas com nosso namae. Okada um com os seus problemas. Ishii, Oota na hora, Noda pra ficar mais. Ito indo, tomodachi. Agora Kato Miyamoto Suzuki e vou Endo. Fujii.

Sayonagao!

 

 

 

 

===================================================================

jorge-nagao

Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

Redação

Redação

nippak@nippak.com.br
Redação

Últimos posts por Redação (exibir todos)

Related Post

SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: MABE: O olhar de duas geraçõ...     É a exposição do famoso pintor que iniciou sua carreira em Lins e ganhou fama internacional. Organizada pelos netos Dan e Rafa...
AKIRA SAITO: SUAS ORIGENS “Um homem que não valoriza de onde veio, jamais saberá o valor de onde quer chegar”   A modernidade nos dá a velocidade da informação e hoje ...
JORGE NAGAO: Errando a mirada   “Apertado”, fui ao WC do Hussardos, clube literário no centro da capital paulista. Vi a letra M, numa porta, e deduzi: Masculino. Banhei...
JORGE NAGAO: Embaixador em Alta Embaixador do Japão no Brasil, Akira Miwa. Em baixo, a embaixatriz Konomi Miwa (Celia Oi) Akira Miwa, desde a sua posse como Embaixador do Japão n...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *