JORGE NAGAO: (Nomeação)

Sabe o porquê do título? Porque o tema é nepotismo, ou seja, nomeação entre parentes…

O Supremo Tribunal Federal aboliu a velha prática de entregar os cargos públicos para-entes queridos, prejudicando o cidadão comum sem QI: Quem Indica. Adiós, aspones…

Providencial esta substituição no time do Executivo/Legislativo/Judiciário: entra contratação transparente, sai a “traz-parente”.

Alguns servidores admitidos pelo DNA nem sequer compareciam para trabalhar, mas não faltavam no pay’s day para pegar o salário, os salafrários…

Quem deve estar feliz é o Dr. Floriano Vaz, juiz aposentado do TRT-SP que combatia quase solitariamente a (nomeação). Este juiz tinha juízo e fazia jus ao seu salário.

Em alguns gabinetes, como vi numa charge, confundia-se organograma com árvore genealógica, tantas eram as inomináveis (nomeações). Uma cena comum naquele gabinete:

– Pai, taqui o texto que a prima mandou pro senhor.

– Disfarça, filho. Me chama de deputado, e sua prima é assessora de imprensa, entendeu, meu Auxiliar de Serviços Gerais?

-Sim, pa…, nobre deputado.

– Tá aprovado. Agora, leve isto para a secretária carimbar.

– A mãe, perdão, a secretária ainda não chegou.

– Então, leve para o assessor-adjunto.

– Ok, deputado. O mano, digo, o adjunto vai resolver esta parada.

Mas o nepotismo tem suas artimanhas. Criou-se o nepotismo cruzado, que não é tão fácil de identificar. Veja a criatividade. Um deputado combina com outro: você ajeita os meus que eu ajeito os seus. É o velho “ajeitinho” brasileiro… Será que é por isso que o Brasil não tem jeito?

Mas, pergunta o leitor on line, no meio artístico e nas empresas privadas também tem nepotismo?  Sim, mas em caso de fracasso, quem pagará a conta não será o seu, o meu, o nosso dinheiro dos impostos. Se o fim do nepotismo fosse amplo, geral e irrestrito, veja o que aconteceria:

– As moedas sairiam de circulação afinal elas são todas “cunhadas”.

– As igrejas evangélicas também acabariam, porque nos trabalhos de oração são todos “irmãos”.

– Os terreiros fechariam com a saída do “pai”-de-santo.

– Na periferia, o hip-hop acabaria, certo “mano”?

– Na matemática, os números “primos” seriam deletados.

– Nas artes, as obras “primas” não teriam mais valor.

– E as “primas” teriam que deixar a difícil vida fácil.

– Nas lojas de R$1,99, as línguas-de-“sogras”  seriam excluídas das prateleiras.

– Os políticos seriam cassados, pois quase todos são “filhos” da… e se dizem “pai” dos pobres ou “mãe” dos ricos.

– Na reforma ortográfica, o “tio” seria extinto.

– A “Tiazinha” diria adeus às revistas calientes.

– A Astrologia perderia o signo de Gêmeos. É um ou o outro.

– Por falar em gêmeos, os cartunistas Chico e Paulo Caruso, assim como os gêmeos do grafite, teriam que tirar par ou ímpar para ver quem seguiria na profissão. Os irmãos Lenísio e Vinicius, campeões mundiais de futsal, não poderiam mais jogar juntos.

– No meio artístico, o estrago seria inimaginável. Los Hermanos se precipitaram e dissolveram o grupo. A Família Lima seria limada…

– Jair Rodrigues, Jairzinho e Luciana, preparariam seus corações, porque o bicho iria pegar. Os Caymmis, Jobins, Buarques de Holanda, cantariam “é o fim do caminho”. Evinha, Trio Esperança e Golden Boys, coitadinhos, sem-palco, que filme triste.

– Paulo Goulart, Nicete e os filhos, que drama seria as suas vidas.

– Quantas duplas sertanejas, filhos de Franciscos e Josés, voltariam pra roça… Nesse caso, fariam um favor pelo menos aos meus ouvidos.

Como se vê, é melhor deixar o fim do nepotismo apenas no serviço público. Enfim, o negócio é ir tocando em frente como “um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou, estrada eu sou” como canta Renato Teixeira, acompanhado, claro,  por seu filho Chico.

Afinal, somos todos filhos do Pai ou da mãe e o papai aqui não quer perder esta boquinha…

 

 

Jorge Nagao

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