JORGE NAGAO: O Cruzeiro Do Marcileno

 

Marcileno Magal, primo do Sidney idem, realizou o sonho de viajar num cruzeiro, apesar de ser atleticano fanático e de detestar Tom Cruise, cruzeiro em Inglês. Bom de copo, quando soube do preço do chope no navio, US$6,90 ou R$14, ficou preocupado. Como ele toma 7 ou 8 chopes, fácil, fácil, daria R$100/dia ou R$800 no total, mesmo valor das prestações da viagem dele e de Angemila, sua mulher. Como minimizar este prejuízo? Marcileno lembrou-se de que tinha um uísque em casa. Maravilha, raciocinou ele, ingerindo duas doses por dia de Black Label, reduziria à metade o gasto com chopes. No entanto, ele desconhecia que é proibido levar bebidas próprias para degustar na viagem.

Chegou o esperado dia. Entregou a mala e foi avisado que ela seria entregue mais tarde em sua cabine. O “Splendor of the seas” partiu suavemente no fim daquela sexta-feira. Todos, de sua turma de casais, receberam as suas bagagens, menos ele, Marcileno, o mala, que foi à recepção resgatar sua mala. Foi encaminhado a um auditório onde estavam os donos das malas reprovadas no exame da esteira. O seu escocês foi embrulhado para viagem para ser devolvido no final da viagem. À noite, o nosso chapa tomou um chope e circulou pelo ship quando viu o shop de bebidas. Chupa, fiscal!- comemorou. Selecionou quatro whiskies, caros no Brasil, baratos ali. Na hora de levá-los, outra decepção, ele só os veria “en el fin de la viaje”.

No primeiro dia, Marcileno segurou a onda, bebeu apenas quatro chopes. No dia seguinte, voltou à normalidade, engoliu oito. Alegrou-se quando soube que o navio logo pararia em Punta del Leste. Lá ele traria entre as compras um uísque camuflado que resolveria o seu problema. Porém, o navio em Punta não parou devido ao mau tempo. Punta miércolis, lamentou Marcileno, e foi beber para esquecer o seu “desapuntamiento”. Apesar de tantos entretenimentos naquele Copan de 12 andares flutuando no oceano, demorou muito para Bs As despontar no horizonte. Os turistas e tripulantes festejaram a chegada em mi Buenos Aires querido. E depois do vinho, tango, alfajorge, Caminito, Recoleta, Casa Rosada etc e tchau, Marcileno e Angemila voltaram ao balanço do navio. Colocaram a sacola na esteira e píí… píí… o apito dedurou. Bebida proibida, apreendida, resgate na saída.

Pra variar, Marcileno foi ao bar onde encontrou o garção amigo como aquele da música do Reginaldo Rossi:

– Mais um chope, senhor Marcileno Magal?!- assim com nome e sobrenome- Sabia que os gastos aqui no navio serão parcelados em 5x no cartão?

– Sério? Ufa, que alívio! Valeu, amigão.- agradeceu o nosso herói.

Depois de tantas invertidas, Marcileno sentiu que a sorte estava virando. Foi ao bingo tentar a sorte mas deu azar. Na roleta do cassino, suas fichas, US$200, acabaram antes da sua caipirinha. O inferno astral continuava.

Em Montevidéu, Marcileno saboreou apenas a cerva Zillertal porque a Norteña e a Patricia, segundo o garção, saíam da fábrica direto para o Brasil. Desta vez, Marcileno nem tentou burlar a vigilância porque estava manjadíssimo pelo fiscal e a viagem estava na reta final.

A turma voltou entusiasmada da viagem. Perguntado se ele repetiria a viagem, ele respondeu?

– Sei lá. Senti enjoo. Estou pensando em outros lugares interessantes para ir como Bavária, Brahamas, Itaipava e até Antártica.

Se você bebe e não está podendo, descarte o cruzeiro porque a ressaca é inevitável. Você poderá ficar enjoado com o preço do chope e cia.

 

 

*Jorge Nagao,  além do Nippak e www.portalnikkei.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

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One Comment

  1. Grande Jorge!!!! Grande inspiração!,,, Parabéns !!!
    Qualquer coincidência é simplesmente mera coincidência !!!
    Acho que conheço os personagens. Será de onde ???
    Kkkkk
    Grande abraço a todos.

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