JORGE NAGAO: Orientais do Samba, a volta?

 

Numa coluna recente, contei a história do Satoshi-san cujo filho caçula, Minoru, estava, numa reunião familiar, com seus colegas do conjunto Orientais do Samba. Ficção, óbvio, mas que pode virar realidade caso este texto chegue a alguns nisseis sambistas e bem humorados que se identifiquem com esta proposta.

Quando surgiu a ideia dos Orientais do Samba? Faz tempo. Há mais de 40 anos, surgia o grupo Originais do Samba, liderado pelo eterno Mussum, que alegrava o Brasil com grandes sucessos como “Cadê Teresa”, “Pela dona do primeiro andar”, “Do rado direito da rua Direita” e “Assassinaram o camarão”. Não sei porque, comecei a cantar esta última música como se fosse um japonês, grande fã de samba ( ah, como têm japoneses fãs de samba), mas com muitas dificuldades com o Porutogaru-go. Sim, para um japonês aprender Português é tão difícil quanto para um brasileiro aprender o Japonês, sensei Chisato Yoshioka que o diga. Ere cantava mais ou menos assim: “Shashinaro o camarón, ashim começô o tragédia fundo do mar, oshiri shequestrou o shardinha…” Meus amigos riram. Bom sinal, pensei. E busquei outros sambas como esses:

“Orerê, orará, pega no ganzê, pega no ganzá…”, do Jaíro Rodorigues;

“Saudosa maroca, maroca querida dindindonde nóis passemo dias feriz da nossa vida…”, do Adoniran Barubosa;

“Deixa isho pra rá, vem pra cá, que qui tem, eu não tô fazendo nada, vochê também…”, também do Jaíro;

“Meu coraçón nõn shei poruquê, bate feriz quando te vê…”, Carinhoso, do Pixinguinha;

“Meu rimón, meu rimoeiro, meu pé que já quer andá…”, quem cantava era o Simonal;

“Shamba da minha tera deixa a gente more, quando se dança todo mundo bore…”, do Caymmi;

“As rosas não faram, simplesmente as rosas exaram o perufume que roubam de ti…”, do gurande Cartora;

“Não deixe o samba morer, não deixe o samba cabá, o môro foi feito de samba, de samba pra gente sambá…”, da Alcione;

“Ô murata sanhada que pasha com gracha fazendo piracha, tirando o shoshego da gente…”, do Atarufo Aruves;

“Com que rôpa, com que rôpa eu vou, pro shamba que vochê me convidô…”, do Noeru Rosa;

“Deixa a vida me revar, vida reva eu, sô feriz e agra desu tudo que Buda me deu…”, do Zeca Pagodinho;

“Baracón de jinco, sem teiado, sem pintura rá no môro, baracón é bangarô…”, do Heriveruto Marutins;

“Arunesto nos convidô pro shamba, ere mora no Burás…”, do Adoniran;

“De tanto revar furechada do seu olhá, meu peito parece sabe o quê, taubua de tiro ao Aruvaro não tem mais onde furá…”, também do Adoniran;

“E neshe dia, entón, vai dá no primeira ediçon, chena de shangue no baru do Venida Son Joón…”, “Honda”, assim que escrevem nos karaokês da Liberdade, do Pauro Vanzorini, que foi pro Céu dia desses.

Como canto mal, para não dizer pessimamente, e não tinha amigos sambistas, os Orientais do Samba caíram no sakecimento ou no whiskyecimento. Silvio Sano, você que é um cantor, não conhece algum sambista da comunidade que pode trazer os Orientais do Samba de volta? A ideia não é machista, aceita-se mulheres e até brasileiros desde que se caracterizem, de alguma forma, de japonês. Caso você prefira a música sertaneja, pesquise Zezé e Ruciano, Reanduro e Reorunarudo, Gushutavo Rima e o Camaro Amarero e lance os Orientais Universertanejos ou coisa parecida.

É isso aí, gente. Está relançada a ideia, sem compromisso. Se ninguém aderir, tudo bem. Como disse o ex-presidente FHC, quando começou a fazer tudo diferente do que pregava, “esqueçam o que escrevi”. Peço desculpas a quem não curtiu a brincadeira porque “a sorir, perutendo revar a vida, pois chorando eu vi o mocidade perdida…”(Cartora).

Se oriente, rapaz, e viva o samba!

 

 

 

*Jorge Nagao,  além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

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One Comment

  1. Manogao como sempre genial. Maravilha! Eshe cara é vochê! Abaraços norodestinos non, shim….!

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