JORGE NAGAO: Os dias eram / são assim

Eram

 

A Globo, logo a Glolpista, exibe a série Os dias eram assim retratando os anos de chumbo do regime militar.

Pessoas suspeitas eram detidas por qualquer motivo e eram torturadas caso não entregassem o nome de alguém que criticava o governo.

“Brasil: ame-o ou deixe-o” era o slogan da época. Os nossos principais artistas da música como Chico Buarque, Caetano e Gil, foram ao exílio porque aqui corriam riscos além de ter as suas músicas censuradas.

Ivan Lins e Vitor Martins, compositores não muito visados pela Censura nos brindaram com a canção Aos nossos filhos em que contavam que os dias eram assim.

 

Aos nosso filhos

Perdoem a cara amarrada

Perdoem a falta de abraço

Perdoem a falta de espaço

Os dias eram assim.

 

Perdoem por tantos perigos

Perdoem a falta de abrigo

Perdoem a falta de amigos

Os dias eram assim.

 

Perdoem a falta de folhas

Perdoem a falta de ar

Perdoem a falta de escolhas

Os dias eram assim.

 

E quando passarem a limpo

E quando cortarem os laços

E quando soltarem os cintos

Façam a festa por mim.

 

E quando largarem a mágoa

E quando lavarem a alma

E quando lavarem a água

Lavem os olhos por mim.

 

Quando brotarem as flores

Quando crescerem as matas

Quando colherem os frutos

Digam o gosto pra mim

Digam o gosto pra mim.

 

 

 

 

 

Como bem observou Silvio Osias, no Jornal da Paraíba: ” É uma canção de ninar. Nas três primeiras estrofes, a letra fala do presente (o momento em que foi escrita) como se ele já fosse passado. Perdoem por isso, perdoem por aquilo, os dias eram assim. Quem ouviu na época sabe o efeito que tinha!

As três últimas estrofes falam do futuro como se o autor (ou a intérprete) não fosse mais estar vivo. Quando ocorrer isso, quando ocorrer aquilo, façam a festa por mim.”

 

 


 

 

São

 

Um ano depois do golpe que impicharam Dilma, com o pretexto de acabar com a corrupção e reerguer a economia, o que vemos hoje?

Oito ministros do governo temerário delatados na Lava Jato, além do próprio “presidente”, 29 senadores e dezenas de deputados além de governadores como o Alckmin. O desemprego

pulou de 10 para 13%, houve cortes em programas sociais e mesmo assim a Economia anda como o caranguejo. E vem mais tragédia por aí afetando os trabalhadores que estão vendo

o sonho da aposentadoria se transformar num pesadelo sem fim.

 

Foi pra isso que você bateu panelas e foi pra Paulista com a camisa amarela?

 

 

Aos nossos filhos (2017 by me)

Perdoem a cara indignada

Perdoem a falta de emprego

Perdoem se falta sossego

Os dias, sim, são assim.

 

Perdoem por tantas desculpas

Perdoem, não temos culpa

Perdoem se vamos à luta

O dias, sim, são assim.

 

Perdoem a falta de lazer

Perdoem a falta de pudim

Perdoem a falta de prazer

Os dias, sim, são assim.

 

E quando o ilegítimo cair

E quando tiver eleição

E quando a esperança surgir

Façam a festa por mim.

 

E quando passarem a régua

E quando largarem o osso

Se vocês lavarem a égua

Vão às ruas por mim.

 

E quando findarem as dores

E quando sumirem as trevas

E quando a luz retornar

Brilhem, meus filhos, por mim

Brilhem meus filhos por mim!

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

além do Nippak e www.nippak.com.br,também está na constelação do www.algoadizer.com.br.
E-mail: jlcnagao@uol.com.br
JORGE NAGAO

Últimos posts por JORGE NAGAO (exibir todos)

    Related Post

    ERIKA TAMURA: Marianne Nishihata no Japão Conheci a Marianne por intermédio do jornalista Ewerthon Tobace, mas também já tinha ouvido falar dela pelo próprio editor do Jornal Nippak, Aldo ...
    TÊNIS DE MESA: Comunidade nikkei de Ivoti (RS) rec...   Seguindo o programa de divulgação de novas técnicas da modalidade, a cidade de Ivoti (RS) recebeu a Clínica Butterfly gratuita, ministrada p...
    ARTIGO: Perspectivas para o turismo do Brasil em 2... *Bruno Omori   Apesar da crise econômica, política e até psicológica que vivemos no Brasil, o ano de 2016 promete ser de grandes oportunida...
    CANTO DO BACURI > Francisco Handa: As terras de ni...             Por momentos, ouviu-se na cidade, dos lavradores vindos dos cafezais, de que o Grande ...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *