JORGE NAGAO: Quase golpe

Há um ano a nossa Democracia sofreu um golpe. E como a situação piorou muito de lá pra cá, estamos sujeitos a levar um golpe mesmo estando em casa.

” Golpes antigos, praticados há 30, 40 ou 50 anos, continuam frequentes e dando muito prejuízo a quem é enganado pela conversa dos golpistas. São fraudes aplicadas no meio da rua, no interior de agências bancárias ou pelo telefone, sem qualquer tipo de sofisticação, mas bastante eficientes e lucrativas para os criminosos. Somente na 4ª Delegacia do Centro, em Belo Horizonte, este ano já foram registradas mais de 300 ocorrências desse tipo, segundo informa o delegado Marcelo de Andrade Paladino.” – conta Pedro Ferreira, do jornal Estado de Minas, em 10.11.2014.

 

 

O meu primo Mário foi à cozinha tomar um copo d’água e Triiim triiim triiim

– Moshi moshi alô!

– Alô! Aqui é Estela Natália do Banco Tau! Gostaria de confirmar se o senhor fez hoje uma compra com o seu Credicard no Magazine Luiza no valor de R$ 5.780,00?

– Não. Qual loja do Magazine Luiza?

– Não temos como saber, senhor. São tantas lojas.

– Pode cancelar essa compra e obrigado por ligar.

– Espere, não desligue. O senhor precisa fazer uma carta contestando a compra. É simples, vou ditar: São Paulo, data de hoje, assunto contestação de compra. Eu, M.C., não realizei uma compra no Magazine Luiza no valor de R$7.580,00.

– Espera aí, não era 5.780,00?

– Ah é, eu inverti os números.

– Depois é só assinar. Ah, precisamos do seu cartão cortado ao meio para o Departamento de Investigação fazer o rastreamento. O protocolo desta ligação é 001002003.

– Eu entrego no meu Banco?

– Não, um agente nosso, o Mané vai passar aí no seu prédio pra retirar a sua carta.

– Isso está esquisito. Nunca devolvi um cartão destruído ao Banco.

– Os procedimentos mudam, senhor.

– Prefiro levar a carta pessoalmente, moça.

– Não queremos dar trabalho ao senhor.

– Qual é o nome do seu gerente?

– CLEC!

– Ué, desligou na minha cara. Por que será? Que mal educada!

 

 


 

 

Quase golpe II

 

Mário, meu primo azarado, andava por Pinheiros quando

– Moço, por favor, o senhor conhece essa rua? – perguntou um rapaz, estendendo um cartão de visitas.

– Não, conheço, não.

– Sabe o que é, moço? É que eu ganhei na quina e o dono dessa alfaiataria me disse que pagaria R$ 10 mil por este bilhete.

Um sujeito “insuspeito” aparece.

– Desculpe, estava passando e ouvi a conversa. Posso conferir pra ver se você ganhou mesmo? – perguntou e pegou a tal aposta premiada.

Ordenou ao celular: – Loto tal, de 18 de março.

– Caramba! Ganhou mesmo! R$5 milhões de reais, sozinho.

– Mas eu não posso receber. Estou sem documento porque perdi na viagem de Mato Grosso até aqui.

– Então, peça pra alguém da sua família pegar o dinheiro.- sugeriu o meu primo.

– Só confio no meu patrão que é um japonês mas ele está no Japão e vai ficar lá uns três meses.

– Daqui a três meses, já era! – disse o sujeito que deve ser parente da Estela Natália.

– Vocês não querem me ajudar? Dou cem mil pra cada um.

O “insuspeito” me cutucou.

– Vocês me desculpem mas tenho um compromisso agora – disse o meu primo.

E saiu de fininho, pensando: – Ele só confiava no patrão e agora confia em dois desconhecidos. Eu, heim?!, cair no golpe do bilhete, agora loto premiada, a esta altura da vida. Tô fora!

 

 


 

 

Quase golpe III

 

Em casa ou na rua, fique espert@. Já alertava o Ataulpho Alves:

“laranja madura na beira da estrada, tá bichada Zé, ou tem marimbondo  no pé.”

O que cai do é chuva ou caca de passarinho.

Fora, golpistas! Fora, Temer!

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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JORGE NAGAO

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