JORGE NAGAO: Receita Para Um Texto Saboroso

 

 (Para o Rony “Comida dos Astros” Cácio, que está em cartaz no Teatro Augusta 943, às quartas, até  04/09. Um show de rachar o grão-de-bico, segundo a Séria Pacheco Tinto y Blanco)

 

 

Existem semelhanças entre escrever e cozinhar? Sim, maitre ou editor-Chef. Escrever é uma terapia e para cozinhar basta ter a pia e um bom fogão. A comida nutre o corpo, o bom texto alimenta a alma. Você tem fome de quê?

Escritor e cozinheiro queimam os miolos para improvisar quando algo, na tela ou na panela, desanda. Para fazer um ensopado de letras, língua ou frango, nem sempre dá para tirar de letra. Hay que transpirar y mucho. Quem escreve tem que peneirar as idéias e cortar palavras, são os ossos da oficina literária. Vamos ao modus operandi, ou “cozinhandi”, para cozinhar o Galo (Viva o Galo forte e vingador, campeão da Liberta!). Quando por a mão na massa, tenha à mão os objetos diretos como Cecília Talheres, Machado de Assis e José de Alicate, vai que precisa. O grifo  é meu.

Sirva como entrada, uma salada de frases poéticas com uma pitada de humor, digite dois dedos de prosa prosaica porque o texto tem que ter excelência, sem ser superficial, para agradar a Sua Excelência, o leitor. Ele precisa morder a isca, se chateá-lo, você estará frito. É vero, Veríssimo. Escreveu não leu, com colher de pau comeu.

Acenda o fogão da inspiração. Despeje meio litro de água na panelinha literária. Coloque o texto e fique de olho porque você vai mexer nele o tempo todo. Abra uma Bavária berinjelada e depois uma Brahma em homenagem ao presidente Bavária Obrama. Ou um vinho branco ou tinto desde que seja distinto. Se preferir um destilado, não abuse: só uma dose, mais que isso, é dose!

Agora, a sua batata vai assar numa panela de pressão. Sem pressão, comida e texto não saem de jeito nenhum. Coloque os peitos dos frangos na panelinha. Pra escrever precisa ter peito. No frigir dos ovos, ouse. Ah, bote uns corações da penosa. Sem coração o texto fica duro. Amoleça-os com uma colher de manteiga. Finalmente doure as batatas: dourado em cima, dourado embaixo Se o leitor é um goleiro e detesta frango, substitua-o por peixe ou um filé miau.

Para dramatizar um pouco, gema. Bata na gema pra ela gemer mais e se espalhar na panela pois você vai servir o prato ali na mesa, à milanesa. Não bata muito porque o texto muito batido aborrece o leitor. Se vacilar, elinguiça. Tempere com uns trocadalhos sem bugalhos, cebola e sal a gosto. Em agosto, gosto não se discute e tudo sairá gostoso. Como diz o japonês, ou vai ohashi. Texto precisa ter molho e pimenta pra ficar um shoyu de bola. De cair o queijo.

Pronto, está no ponto, ponto final. Não demore porque no inverno a comida logo esfiha. Sirva o risoto com um sorriso. Hora de degustar, faca o favor, mãos aos garfos. Hummmm! Valeu a pena a espera. Como sobremesa, nada de pavê, o bolo é pacomê  pois o creme compensa. Apesar de engordiet, né, Shisue?!

Promoção pra mocinha e pro moção, verdadeira colher de chá: totalmente 0800, de grátis, aos primeiros quatro leitores que curtirem esta cantina, este cantinho. A bebida também é de graça, além de ser de graça, você não paga nada. Só os 10% do garçom: sem real.

Bon appétit pois. Vaya com Diós. Volte sempre.

 

 

Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

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3 Comments

  1. Jorge, adorei seu “fritado de letras”, gosto de quero mais….
    Não sei se lembrará de mim, dos tempos do BB, recebi esta pelo Genésio e foi bom saber que continua fazendo arte.
    Grande abraço.
    Vera Takeuchi

  2. Que texto gostoso, deu água na boca… já copiei a receita no meu livro de culinária.

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