JORGE NAGAO: RÔÔÔN MUECK!

 

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Confesso que não estava muito a fim de ver a badalada exposição Ron Mueck, na Pinacoteca. Voto vencido, porém, fui nesse domingo especial, tinha uma hora a mais com o fim do horário de verão e começava o Ano Novo Chinês, Carneiro na cabeça, com grande festa na Liberdade.

A fila estava animada: vendiam água como água, guarda-chuva para se proteger do sol senegalesco, alugavam bancos para suportar a muitas horas na fila, pau de selfie era oferecido como algo ideal para tirar fotos no meio da multidão, e ouvi dizer que tinha gente vendendo o lugar na fila por cinquenta reais. E assim batendo papo, observando as pessoas de várias gerações, lendo revistas, as horas voaram e chegamos ansiosos à primeira sala.

Lá estava a Máscara II, de 2002, o grande autorretrato do artista, um sonho que virou realidade.

Depois, Drift, 2009, À deriva, um homem de óculos escuros numa boia, numa parede azul. “Parece de verdade”- diziam as pessoas que se esbarravam para se aproximar da peça.

A seguir, Young People, 2013, um casal de jovens que parecia romântico à primeira vista mas, visto por trás, ele agarrava fortemente o pulso dela. Esses homens…

Na obra, Woman with Shopping, 2013, Mulher com as compras, o rosto sofrido de uma mãe observada pelo filho que como um espelho refletia a sua angústia.

Próxima atração, uma enorme galinha depenada, Still life, 2009, Natureza morta. Como não admirar tamanha perfeição?

Impactante é a Mulher com galhos, 2009, Woman with stick, que comprova que Mueck é do ramo, não um quebra-galho.

O adolescente afro-europeu mostrando o corte em seu peito sangrando, talvez feito por um canivete, comove os visitantes apesar de ser tão comum nesta terra brasilis.

Homem nu barco, 2002, Man in a boat. Cabe ao observador imaginar o que se passa na cabeça e no coração desse ser tão fragilizado.

Agora, uma pausa ver o filme Still life: Ron Mueck at work (Natureza morta: RM trabalhando), de Gautier Deblonde que oferece a oportunidade rara de observar o artista absorto em seu trabalho criativo. A escultura figurativa mudou de patamar com a técnica e sensibilidade de Mueck, mudanças de escalas, cujo resultado é impressionante. Uma exposição de Ron Mueck é um evento incomum e fez sucesso por onde passou, Japão, Austrália, Nova Zelândia, México, Buenos Aires e Rio de Janeiro.

A cereja do bolo é a obra Couple Under na umbrela, 2013, Casal de baixo do guarda-sol. “Inspirada pela incongruência cômica que abunda nas praias de hoje em dia”, representa uma contribuição à comédia social britânica constata o crítico Justin Paton.

Ivan Mesquita, diretor técnico da Pinacoteca, disse ao Estadão que “as pessoas ficam uma hora na fila para uma visita de 20 minutos, com 9 fotos”. Quem dera! No último dia, alguns esperaram até 6 horas na fila, ficaram mais de uma hora por causa da multidão, e saíram com centenas de fotos para compartilhar com os amigos.

Arigathanks ao MEC que nos trouxe Ô Ô Mueck and go back, em breve, Ron Mueck!

 

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Jorge Nagao

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