JORGE NAGAO: Salve, Borges! – diz Augusto!

 

Sábado à tarde, saí da Fundação Japão e fui à casa vizinha, a Casa das Rosas. Lá estava o festejado poeta e tradutor Augusto de Campos acompanhado do poeta e artista gráfico Omar Khouri falando para uma numerosa e atenta plateia sobre o escritor argentino Jorge Luis Borges. Pois é, depois de Messi, do Papa, agora outro argentino era assunto da semana pois Augusto de Campos estava lançando o livro “Quase Borges, 20 transpoemas e uma entrevista”, pela Terracota Editora. Aos 81, o poeta concreto está firme e forte como uma rocha, como árvores nos campos e espaços, compartilhando a sua imensurável cultura com a mesma precisão e concisão que ressalta na prosa e verso do hermano Jorge Luís Borges. O poeta Glauco Matoso comentou, por e-mail, ao Campos sobre a rima de Jorge/Borges que, se associado a um “n”, resultaria em “negro”. Campos concordou e acrescentou que se o “s” fosse um “c” chegaria à palavra cego, fatalidade que atingiu Borges e Matoso. Ambos também foram bibliotecários lembrei-me e contei ao augusto poeta na sessão de autógrafos. Ah, sim, disse-me ele, esqueci de mencionar isso. Glauco Matoso, com o professor da USP Jorge Schwartz, ganhou o Prêmio Jabuti, em 1999, pela tradução da obra inaugural de Jorge Luis Borges, Fervor de Buenos Aires.

Augusto de Campos visitou o escritor argentino, em 1984, em sua residência na Calle Maipu, em mi Buenos Aires querido. A entrevista que está no livro é um show de citações de grandes escritores e poetas para ler, reler e curtir. Borges contou que, ainda naquele ano, iria ao Japão e estava fascinado por aquela nova incursão no Oriente. Ele já notara que várias palavras japonesas de uso cotidiano tinham sido assimilados do inglês: o país do ohashi adotou foruku, de fork/garfo, spunu, de spoon/colher, e naifu, de knife/faca. Campos lembrou-lhe da palavra Arigatoo que provavelmente proveio de Obrigado, quando os portugueses passaram por terras nipônicas séculos atrás. O neologismo obrigatoo é do papai aqui. Arigathanks, nem tanto.
Borges, narrador, ensaísta e poeta, nasceu em Buenos Aires no dia 24 de agosto de 1899. De sua vasta produção, destaca-se Ficções, O Aleph e História Universal da Infâmia; a coletânea de ensaios como História da Eternidade, Discussão e Outras Inquisições; e os livros de poemas reunidos em Obra Poética(1923-1976).
O autor de “Quase Borges”, irmão do também poeta concreto Haroldo de Campos, revelou na palestra que Borges foi transferido da Biblioteca Nacional de Buenos Aires para o cargo de Inspetor de Aves e Coelhos por não ser simpático aos peronistas. Pero, después de Perón, volvió como Diretor da mesma Biblioteca. Mesmo cego ocupou o cargo por 18 anos.

Em 26 de abril de 1986, casou-se com sua pupila, secretária e companheira María Kodama. Faleceu nesse mesmo ano, em 14 de junho, em seu apartamento em Genebra. Seus livros são bem apreciados sem moderação por seus leitores exigentes e inspiram novos escritores que sonham com um sucesso literário. Então, Salve, Borges!

 

 

 

*Jorge Nagao,  além do Nippak e www.portalnikkei.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

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