JORGE NAGAO: Slogan-maker

!cid_ii_1516343dd823fb54Em outubro, esta notícia surpreendeu a todos: “A revista “Playboy” vai parar de publicar imagens de mulheres nuas. A decisão faz parte de uma reformulação editorial que será anunciada em março de 2016, segundo o jornal “The New York Times” noticiou nesta terça-feira, 13.”  Lembrei-me  que participei de um concurso dessa revista, faz tempo. Vou te contar o processo.

Lendo a revista Playboy ( sim, eu além de ver eu também lia, aliás,  eu a comprava por causa das entrevistas. rsrs), deparei-me com um desafio: encontrar 20 coelhinhos estrategicamente escondidos entre os anúncios e bolar uma frase enchendo a bola da boa publicação das boazudas. Como seria inútil uma boa frase sem aqueles coelhos enrustidos e versa-vice, fui à caça dos leporinos a olho nu (como convém à revista) e, sem muito esforço, capturei 13 deles. Ah, moleza!- comemorei.

Despreocupado, passei a caçar frases ou slogans. Antes, abri um scotch para regar a imaginação. “Playboy revela as mais deslumbrantes curvas. E o leitor se curva”. Pra começar, está bom, pensei. Mas como a frase idealizada teria que ser mais abrangente, ou seja, teria que abordar o jornalismo, os artigos, as dicas, enfim, o conjunto de sutilezas e detalhes que dão um toque especial à arte de viver bem, eu precisava melhorar. Pensando nisso, surgiram frases como: “Playboy é um sucesso porque mostra a verdade nua e crua e a mulher assim e assado”. Médio. “Playboy, jornalismo todo prosa e mulheres lindas, frente e verso”. Humm, tá ficando bom. Despedi-me do parceiro escocês e fui dormir.

Na semana seguinte, comecei novamente caçando coelhos. Uma decepção! Catei apenas dois orelhudos. E eu que achava que pegá-los-ia todos naquele dia. Tudo bem, faltam

-me somente cinco, consolei-me. Convoquei o escocês para esquentar a criatividade e comecei a viajar. “Playboy, a revista do seio da família brasileira”. Cínica demais. E se puxasse o saco do editor, não renderia uma boa frase? Mas saiu essa coisa: “Playboy, a revista cujo editor, por motivos abundantes, merece um busto”. Para completar a noite infeliz, me aparece esta frase colegial: “Playboy não vai mal das pernas porque tem jogo de cintura, sempre teve peito e nunca foi feito nas coxas”. Tomei a saideira e saí de fininho…

Dias depois, refeito da performance anterior, fui atrás dos coelhos. Voltei com dois. Como esperava mais, fiquei na mão. Mas os seguidores de Onan, não. Foram contemplados com algumas frases, naturalmente depois de uns goles de uísque: “Playboy põe as mulheres mais desejadas na palma de sua mão.”, “Playboy, pelo sim, pelo não, pelo contrário, pelo de todo jeito”, “Playboy, pelo sim, pelo Onan”. Nada a ver, vão pensar que eu não bato bem, concluí, lavando as mãos. Fui tomar vergonha e whisky que, como eu, tinha baixado, um bocado, o nível.

No dia seguinte, após agarrar mais dois coelhinhos, caprichei para elevar o nível dos slogans. Mãos postas, olhos para o alto, pensamentos elevados, tomei mais uma pra ficar mais “alto” e baixaram estas frases: “Playboy é alto astral, pois suas deusas fazem os leitores se sentirem nas nuvens”. “Playboy decolou porque o brasileiro não tem medo de ‘avião’ “. “Playboy, o exigente leitor sempre pede mais zoom”. “Playboy é um sucesso porque revela o que está por debaixo dos panos”. “Playboy, não põe panos quentes, retira os frios”. Nível baixando, era melhor parar. Dei um “tapa” no escocês e fui sonhar com slogans melhores.

A três dias do deadline, ainda me faltava o último coelho e aquela frase especial. Pra não perder tempo, apelei:- Com licença, eu vou à lupa! E bradei ao vigésimo coelho:- Vinte(ai!) catar! Encurralei-o na selva de letras, gatinhas e panteras, e capturei aquele que se julgava inapreensível. Contei e recontei os vinte coelhos com a maior satisfação. Chegara, finalmente, o dia do odiado caçador.

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Despejei a penúltima dose do meu amigo líquido e certo, e encarei o último round das pretinhas com o branco do papel. Ainda era a era das Olivetti. E pintaram estas frasitas, sem comentários. “Playboy, desta toca sempre saem coelhinhos”. “Playboy, uma senhora revista. Ou será senhorita?”. Escolhi o melhor slogan, que era tão genial, mas tão genial, que me esqueci, e o enviei ao Edson Aran, de plantão. Missão com/cumprida, espremi a última dose (o meu amigo é dose!) do uísque companheiro para comemorar.

No fim da caça a slogans e coelhos até o meu parceiro virou ex-Logan…

 

 


 

 

Dezembremos (jn)

 

Novembro deu zebra, mas desesperar jamais!
Vamos curtir dezembro. Dezembrar é preciso.

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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