JORGE NAGAO: Slow Food e Makuta

Slow Food e Makuta

 

“Não existe ser humano sadio se o solo não for sadio e as plantas bem nutridas”. (Ana Maria Primavezzi)

Slow Food/Coma devagar para saborear o alimento, um dos maiores prazeres da vida.

O Slow Food é uma organização internacional que almeja o acesso a um alimento bom para os produtores, para os consumidores e para o planeta.

Fundada em 1989, como resposta aos efeitos padronizantes do fast food, ao desaparecimento das tradições alimentares locais, e para que todos sejam mais conscientes com as escolhas alimentares.

O Slow Food envolve mais de um milhão de pessoas que se dedicam e que defendem o alimento bom, limpo e justo: são cozinheiros, jovens, ativistas, agricultores, pescadores, especialistas e acadêmicos, em mais de 158 países. A rede conta com mais de 100.000 associados, reunidos em 1.500 grupos locais no mundo. Os associados contribuem ao movimento com suas inscrições, e com a organização de eventos e de campanhas.

A rede conta ainda com mais de 2.500 comunidades do alimento do Terra Madre, que realizam uma produção alimentar de qualidade, de pequena escala e sustentável no mundo inteiro.

A nossa missão. O Slow Food promove o alimento bom, limpo e justo. Bom por ser saudável além de prazeroso do ponto de vista organoléptico; limpo por ser produzido com um baixo impacto ambiental e respeitando o bem-estar animal; justo por respeitar o trabalho de quem produz, processa e distribui os alimentos.

A rede de Terra Madre, a rede das comunidades do alimento, foi lançada em 2004, para dar voz e visibilidade a pequenos agricultores, criadores, pescadores e artesãos, cuja abordagem da produção alimentar preserva o meio ambiente e a socialidade das comunidades. A rede os aproxima de acadêmicos, cozinheiros, consumidores e jovens, para que juntem suas forças e trabalhem para melhorar o sistema alimentar.

Slow Food, oferecem aos jovens experiências diretas no cultivo dos alimentos. O Slow Food também publica material didático e organiza eventos e companhas sobre o tema, e o Slow Food Alemanha foi pioneiro na conscientização sobre o problema dos desperdícios de alimentos.

 

 


 

Glenn Makuta e a Arca do Gosto

 

Makuta, biólogo e ativista, é o responsável pela comunicação interna e articulador da rede. Ele falou sobre a Arca do Gosto, principal ação do Slow Food, ao programa Repórter Eco, da TV Cultura.

– A Arca do Gosto é um catálogo que está no site slowfoodbrasil.com que lista os 4500 alimentos que correm o risco de extinção. No Brasil, 200 alimentos correm o risco de extinção como a grumixama, a uvaia e a guavirova – informa ele.

O lema do slow food, segundo Makuta, é que todos tenham acesso ao alimento bom e justo. Outros objetivos são: salvaguardar a biodiversidade alimentar, educação do gosto para sensibilizar e conscientizar as pessoas e aproximar o produtor do consumidor.

– Na Arca, são informados onde os produtos estão sendo cultivados. Quando um produto sofre queda na produção, a Arca procura a comunidade e oferece empréstimo. Procura construir protocolos de produção que respeitam a filosofia do movimento mantendo a identidade da comunidade.

Desde 1950, perdeu-se 75% da biodiversidade alimentar do mundo – conta Glenn Makuta. Consequência da produção agrícola que pratica a homogeneização visando lucros crescentes e forçando muitas comunidades a abandonar as suas culturas tradicionais.

 

 

Comer é um ato político. Quando a gente opta por determinado alimentos, a gente está fomentando determinados tipos de produção. Faz diferença ir ao supermercado e comprar um alimento ultraprocessado ou ir a uma feira e conhecer o produtor e, a partir dessa confiança que eu estabeleço com ele, eu decidir comprar- finaliza Makuta.

Após o Repórter Eco, assisti ao programa Planeta Terra, às 18 horas, que exibiu os recifes de coral, milagre natural. Esqueça o Faustão e se encante esses programas da Cultura.

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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JORGE NAGAO

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