JORGE NAGAO: Tamojuntu e Vamoqvamo

Tamojuntu e Vamoqvamo (2a.parte)

 

 

Cachoeira, o cara do carro do som

 

– Microfone aberto. Quem quer falar, cantar ou dançar, vem cá! – conclama o apresentador.

– Como é o seu nome, senhor? – pergunta ele.

– O Senhor está no céu, seu Flávio Cavalcanti. Sou o discente Antenor. Yankees go home! Meu protesto contra a morte do colega Edson Luis, no Calabouço. Volta, Jango!

– Ok, Antenor. Só faltou o Che Guevara. Quem mais? Pode vir, Maria Izabel. Como você veio para cá, professora.

– A PÉ, OESP, como sempre, Cachu. Boa tarde, minha gente. Vida de professor é dura e esses governos conseguem piorá-la a cada dia. Mas vamos resistir, desistir jamais! Nossa categoria tem classe(s) e vamos dar uma aula de resistência pra esses maus alunos de Democracia.

– Geraldo, cantaí o Aroeira do Vandré – pede o MC.

– “Marinheiro, marinheiro / Quero ver você no mar

Eu também sou marinheiro / Eu também sei governar

Madeira de dar em doido / Vai descer até quebrar

É a volta do cipó de aroeira / No lombo de quem mandou dar.”

 

– E agora, representando os guerreiros do MST, Stédile, plis! – anuncia o cara do som.

– Salve, companheiros e companheiras! Nós os sem-terra, lutamos na Terra, por terra. Quando morre um sem-terra, se enterra, mas logo um sem-terrinha cresce e entra nessa guerra contra esses que querem a terra toda pra eles. Nosso grito vai ser ouvido outra vez, eles não podem nos tirar tudo, companheiros! (Grato por reverberar, Marcílio Godoi.)

Clap! clap! clap! – responde o povo.

– Ei, a polícia está levando o carrinho do vendedor de bebidas. – avisa Cachoeira – Só porque ele está vestindo vermelho, os meganhas parecem touro, não podem ver vermelho, que partem pra cima, bufando.

– Fora Peeme! Fora Peeme!- a galera troca o Fora Temer pelo Fora Peeme.

– Como diz um amigo meu “policial impotente baixa o pau”. Se o pau comeu, o palco meu é de quem quer botar a boca no micro, ôps, trombone.  Peço licença para exaltar uma categoria com a qual trabalhei por alguns anos. – revela Cachoeira. O bancário era chamado de mendigo de gravata mas quando o pelegão caiu, ele passou a ser respeitado e até admirado. Graças ao Gushiken, Gilmar, Berzoini & companhia,  todos os trabalhadores hoje tem direito ao vale-refeição e à PLR. Tem algum bancário aí? Pode subir. Seu nome?

– Fernando Chagas, meu apelido é Mineiro.

– Mineiro que fica em cima do muro?

– Não, não sou um murista. Pra começar, odeio o Aessera, o Alckmoro, o Temerenan, o Jucábral, essa bancada/cambada toda. Em 1964, um golpe nos transformou numa republiqueta, foram anos de tortura e censura. Os dias eram assim até a ditadura acabar em 1985. Lutamos bravamente e reconquistamos muitos direitos até que derrubaram a Dilma e começou o desmanche. O ódio venceu a razão e essa mesma acéfala classe média, das panelas e camisa amarela, foi usada como massa de manobra e agora some como se não tivesse culpa nesse golpe. Construir um país exige razão, coragem e bom senso. Destruir um país é  fácil, basta a mídia e o judiciário enganar os desinformados para fabricar falsos “heróis” e acabar com a democracia. Conseguiram e agora temos o pior governo possível, o pior Legislativo e o pior Judiciário. Credo!

– Falou bonito. Muito bem! Olhando daqui, vejo que a mulherada compareceu em peso hoje enquanto os homens estão em casa curtindo o futebol na TV Glolpista. Que vergonha: 7 a 1 pra elas! Vamos chamar uma mulher linda, musa do carnaval,  que sempre esteve na vanguarda da luta pela democracia, Alessandra Negrini, por favor.

– Oi, gente! Que legal estar com guerreiros e guerreiras que rejeitam essa Democradura que está roubando os direitos dos trabalhadores. Do jeito que vai é capaz dessa corja revogar até a Lei Áurea. Aprovaram a quarteirização e a reforma trabalhista e agora querem a cereja do bolo que é a reforma da previdência. Se você não é militar, você não vai se aposentar. Onde já civil?! Mas vamos resistir e defenestrar os golpistas em 2018.

(continua)

 

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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