JORGE NAGAO: Tatsuo, empreendedor social

Santa Cruz do Sul-SP, ano de 1959.

– Pai, veja o que eu inventei para cortar e colar sacos de papel para proteger as frutas, disse Tatsuo.

 

Tatsuo, Wataru e Toru, sócios da Magnamed

Tatsuo, Wataru e Toru, sócios da Magnamed

 

O pai ficou admirado com o equipamento que o filho de 10 anos criara para elevar os lucros conservando as frutas. Antes, ele criou um mecanismo para limpar o galinheiro facilmente reduzindo o mau cheiro. O senhor Suzuki percebeu que tinha um filho “professor Pardal”, em Rio Pardo.

Aquele menino talentoso, ótimo aluno, logo deixaria a roça para estudar e trabalhar na capital.

“O sonho do menino Tatsuo, porém, era se tornar um médico, seguindo o exemplo do avô que largou o curso de Medicina no Japão, ao se mudar para o Brasil. Na fazenda em que morava

ele cuidou de muitas pessoas, curando-as e muitas vezes sem cobrar nada.” Texto de Claudia Colluci, no caderno Empreendedor Social, Folha de SP, 08.11.16.

Aos 15 anos, leu num jornal da comunidade nipônica que o médico Kentaro Takaoka inventara um respirador para ser usado em cirurgias. ”Minha mãe me disse que aquele era um exemplo

a ser seguido” e aquilo ficou na minha cabeça., conta Tatsuo.

Aluno aplicado, entrou no famoso ITA mas para cursar engenharia mecânica. Especializou-se na área biomédica, no COPPE, Rio de Janeiro. Sua pesquisa foi no Instituto do Coração sobre a válvula do coração. Trabalhou lá por 16 anos, participando da criação de válvulas cardíacas e ventrículos artificiais. Ainda no Incor, conheceu Leny com quem está casado há 36 anos.

Em 1990, Tatsuo foi trabalhar na Takaoka, fábrica de equipamentos médicos, com Kentaro, o seu ídolo na adolescência. Após 15 anos nessa fábrica, Tatsuo sentia-se tolhido pois o patrão não aceitava suas ideias para inovar os equipamentos.

Na Takaoka, trabalhou com Wataru Ueda e Toru Miyagi, engenheiros eletrônicos, hoje, sócios dele na Magnamed

A empresa nasceu na garagem da casa da mãe de Wataru, onde ficaram por seis meses. Depois desenvolveram o projeto no CIETEC, incubadora da USP. No início, aportaram recursos poupados no projeto mas depois conseguiram fundos da FAPESP, FINEP, CNPQ e FIATEC. Assim, o projeto deslanchou.

A primeira venda foi para a Africa do Sul que comprou 200 ventiladores de transporte, vencendo poderosas multinacionais graças ao baixo preço e qualidade dos aparelhos.

Venceram, finalmente, a burocracia brasileira e passaram a vender equipamentos no Brasil e exportando para mais de 45 países.

Três milhões de pessoas já se beneficiaram do Oxymag, criado em 2011.

‘”Queremos ser a Embraer da área médica!”, diz Tatsuo Suzuki, ambicioso, depois do crescimento de 40% de 2014 para 2015.

Parabéns pelo prêmio Empreendor Social, Tatsuo, Wataru e Toru!

 

 

Outros finalistas

Tatsuo e os sócios ficaram entre os três finalistas do Prêmio Empreendedor Social, uma parceria da Folha de SP com a Fundação Schwab. Um dos 9 jurados foi Claudio Sassaki, arquiteto e cofundador da Geekie,  vencedor do Empreendedor Social em 2014.

O vencedor deste ano foi Carlos Pereira (Livox) que concorreu com Claudio Spínola (Morada da Floresta) e o nosso Tatsuo, da Magnamed.

Na categoria Empreendedor do Futuro, prêmio da Folha para líderes de até 35 anos, venceu Nina Valentini (Arredondar) uma ideia genial que doa centavos para Ongs que chegam a milhares de reais. Concorreram com ela, Michael Kapps (tánahora) e Jonas Lessa e Lucas Corvacho (Retalhar). Parabéns a todos!

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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