JORGE NAGAO: Um Japonês que Escreve

 

 

Rufino, o presidente do Satélite E.C., apresentou-me como escritor  a um sócio do clube. O só-ócio, aposentado, se admirou:

– Um japonês que escreve! Conheço muitos japoneses  dentistas, médicos e  engenheiros, mas escritor é o primeiro.

Depois que me despedi dele, pedi uma cerveja e puxei pela memória para saber como e porque  me transformei nesse tal de  japonês que escreve. Desde pequeno convivi com poucos nihondins e meus pais, donos de um pequeno comércio, é que tinham que rebolar para aprender o Português. Adolescente, cometi poesias românticas e anotações pseudo-filosóficas.

No ginásio dos anos 60, levei vantagem sobre os colegas nisseis que estudavam  Nihongo porque tinha mais tempo para o Porutogarugo. Venci uma gincana de Português da minha classe graças à análise sintática, acertava todas, enquanto ela derrubava todos. No colégio, fui reprovado por detestar Física e Matemática, mas a professora Avelina, de Português, elogiava as minhas  redações.

Em 1970, estreei na Página de Poesia da Revista A Recreativa, de palavras cruzadas, que existe até hoje. Lá publiquei  até 1972, com Domingos Pelegrini, Petrarca Maranhão e Eno Theodoro Wanke.  Simultaneamente, escrevi todo prosa no Nadir Notícias, do grupo Nadir Figueiredo. Como letrista, venci com Mário Yoshida, o concorrido Festival de Música do Colégio Estadual Castro Alves, em dezembro de 1972. Como estava desempregado, combinamos que ele ficaria com o troféu e eu com o prêmio de Hum mil cruzeiros que seria, hoje, quase uns R$2 mil, dinheiro que nunca vi pois “o tesoureiro sumiu com a grana” foi a desculpa que recebi  da comissão do festival. No ano seguinte, publiquei diversos poemas na primeira página do Jornal Paulista, da comunidade japonesa. Como aluno, colaborei com o jornal Umbaba, da ECA-USP.  Em 1974, como JJJJ travei um duelo literário com The Ghost, Fernando Alves Chagas.  Quem venceu? “Eu garanto que foi ele, ele garante que foi eu”, diria Kid Morengueira.  Pintei e bordei no jornal Paupite do BB-Av.Paulista, e lançamos o fanzine Catarse, em 1977, com a Carmen Vaz, Susumu Yamaguchi, Celso Froes Brocchetto e Nilson Yamauti.

Em 1980, participei do livro Fenahahahah, Feira Nacional de Humor de Curitiba, com frases do tipo rir para não chorar.  Publicou frases de humor no Vira-Lata, seção de humor do histórico Folhetim, da Folha, no final de 1979 até 1981. Em 1982, era da tchurma do Rumores Paulistas, no Pasquim, com  Angeli, Glauco, Laerte e Glauco Mattoso.  Em 1982, publiquei duas crônicas sobre a eleição, dezenas de picles (frases de humor) e charges a quatro mãos com Fausto e também com o ilustre Orlando. Em 1983, publiquei o livro “Pacote Bancário & outros poemas e paródias”, participei do “Brinque/NaMoita”, boletins culturais dos bancários. Genésio dos Santos, do belo blog versoeconversa.blogspot.com.br, o poeta d’A Pá Lavra me define como “ativista da palavra”, palavra de honra. Escrevi também crônicas no Alphanews, jornal de Alphaville. Em 1987, faturei o Concurso de Textos de Humor do Salão de Humor de Volta Redonda(RJ).

Nos anos 90, ganhou um concurso literário da SIPAT, Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, do BB-Ag.Centro-SP.  Colaborei com o jornal Nota Nova, do Banco Central-SP, com o Expresso Zona Norte, do bairro de Santana,  e  também com o boletim Justaposição do TRT-SP, em 1994/95.

No novo milênio, alguns textos meus viraram hits da internet como Tipos de Chefe,  Seguro de Carro e Hino do Internauta. De 2007 a 2012, foi um dos colunistas do site Primeiro Programa, pilotados por Pelegi, Irineu e Renata. O colunista participou do livro “Damas de Ouro e Valetes Espada”, 2009, MGuarnieri Editorial, quando conheceu a imparável artista Erica Mizutani.  Integra também a constelação do algoadizer, site cultural e jornalístico do Rio de Janeiro, editado pelo grande Kadu Machado e pela talentosa e generosa escritora Maria Balé.  Está no  Jornal Nippak desde 2010, por sugestão de outro japonês que escreve, o padrinho Shigueyuki Yoshikumi.  O que me estimula são manifestações como as da semana passada quando os randômicos leitores do FB curtiram o acróstico sobre o dia internacional da mulher

WOMAN’agem (homenagem é para homens)

Mulher, musa, magnânima e maravilhosa./ Única, ubíqua, ultrachique e unanimidade./ Luz, lírica, lágrima, ligeira e linda./ Hábil, heroína, humanista e harmoniosa./ Eclética, esfinge, estrela e especial./ Rainha, romântica, responsável e resiliente.

Na verdade, são muitos os nikkeis que escrevem como os daqui do time de Aldo-san, tem o premiado escritor Oscar Nakasato, os jornalistas Matinas Suzuki Jr, Jorge J. Okubaro, Leonardo Saka Muito, o palestrante Roberto Shinyashiki e tantos outros. Assim, vou vivendo e escrevendo, até o dia em que serei o japonês que prescreve…

 

 

Jorge Nagao

além do Nippak e www.nippak.com.br,  também está na constelação do www.algoadizer.com.br.  E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

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