JORGE NAGAO: VANDRÉ, PRA NÃO DIZER QUE…

imagesPra não dizer que não falei de Geraldo Vandré, a lenda, que, em 12 de setembro, completará 80 anos e será a bola da vez.

“Uma canção interrompida”, sua biografia não autorizada do jornalista Vitor Nuzzi, foi lançada em maio, com apenas cem exemplares. Após o julgamento pró-biografia do STF, certamente alguma grande editora relançará o livro    em grande estilo.

O livro sobre a trajetória do ídolo dos anos 60 e 70 já desperta a curiosidade de milhares fãs do cantor e compositor paraibano que foi o grande protagonista do Festival Internacional da Canção, da Globo, em 1968, apesar de ficar em segundo lugar. A canção vencedora “Sabiá”, de Tom Jobim e Chico Buarque, foi vaiada. Dizem que, na véspera da final, o diretor da emissora Walter Clark recebeu um telefonema dos militares avisando que Vandré não podia ganhar o festival. Dizem também que esse hino contra a ditadura também contribuiu para a o AI-5, anunciado pouco tempo depois do festival.

Seus cinco discos dos anos 60 e de 1973 serão relançados, haverá muita badalação, mesmo que ele fique arredio a essas homenagens todas. Sua história, enfim, será explicada às novas gerações que, enfim, reconhecerão a importância desse mito do primeiro time da MPB.

Por trabalhar na agência bancária em que ele era cliente e por ser amigo dos caixas que conviviam com o famoso artista, tive alguns contatos com o autor de Porta Estandarte, Fica mal com Deus, Aroeira, João e Maria entre outras pérolas musicais.

Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar, eu volto aos anos sombrios e posso não lhe agradar.

Jamais me esquecerei daquele reveillón no final da década de 70, no apartamento do Miguel que ficava a dois quarteirões de nossa agência. Já na madrugada, estava ao lado do Geraldo Pedrosa de Araujo Dias, o Vandré, e resolvi perguntar se a sua mais polêmica canção era só dele ou se tinha um parceiro.

– Sim, respondeu ele. Essa música é minha (pausa) e das Forças Armadas. – ironizou ele.

Essa canção, “Pra não dizer que não falei das flores”, foi uma catarse para o povo brasileiro naqueles anos de chumbo. Millôr Fernandes disse que ela era a Marselhesa brasileira.

Não esquecerei de lembrar também daquele dia em que Vandré ficou parado próximo à porta da agência. De lá, acenava aos amigos caixas com um cheque na mão. Perguntado porque ele não queria entrar, ele surpreendeu o funcionário.

– Só entrarei novamente nesta agência quando aquela foto do general-presidente, o Figueiredo, for removida daquela parede.

Como eu era um dos editores do Paupite, jornalzinho da agência, recebi do Murilo, coordenador dos caixas, um poema sem autoria para ser publicado. Pediu-me para mencionar apenas que era de um cliente famoso. O subgerente aprovou o texto. Sim, havia censura. Quando o Paupite saiu, Murilo apontou o poema e me confidenciou:

– Esse poema é do Vandré!

É impossível esquecer aquele dia em que o filho de José Vandregíselo e Maria Martha, me disse que queria abrir um banco. Estranhei um bocado porque com a sua renda mensal, isso era impossível pra ele que era um classe média como nosotros. Mas como “cliente sempre ter razão”, resolvi levá-lo a sério. Meu irmão Roberto trabalhava no Banco Central-SP, pedia ajuda a ele. Ele conseguiu uma reunião no apê de um técnico do BC que me explicou os procedimentos para abrir um banco: “Primeiro você abre umas agências no interior. Se você for bem sucedido, você estará credenciado para abrir uma agência na capital.”

Com essas informações e já com uma sugestão de nome de banco pra ele, “Banco Geral do Vandré”, dirigi-me ao apê de GV, no centro de Sampa.

A secretária dele me recepcionou e aguardei na sala onde estavam jornalistas e estudantes, enquanto Vandré atendia alguém no escritório.

Chegou a minha vez, finalmente. Quando comecei a explicar como se funda um banco, ele me interrompeu, bruscamente.

– Pode parar, meu amigo. Abrir um banco não é mais prioridade minha.

Em seguida, puxou umas notas de cruzeiro e argumentou:

-Você está vendo esta nota número tal, ela está comigo e o governo sabe? Não existe nenhum controle sobre isso! Você me entende?

Embasbacado, emudeci, pensando: “esse cara tá maluco ou tá tirando um sarro da minha cara.” Depois dessa, tratei-me de sair de fininho porque ele tinha outras “vítimas” para atender.

Quando saí, alguém me perguntou:

– Que aconteceu? Você está com uma cara tão estranha?

– Pois é. – nem expliquei e nem fiquei para ver com que cara ele sairia do seu encontro com a fera.

Saí do prédio, não Caminhando e cantando, mas em Disparada. Eu, hein?!

Agora, “vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora não espera acontecer.”

 

 


 

 

 

Sayonará, Masterchef!

 

Fernando Kawasaki deixando o Masterchef

Fernando Kawasaki deixando o Masterchef

 

Apesar da nossa torcida, Fernando Kawasaki,  o publicitário que largou a profissão em busca do sonho de ser Chef foi eliminado do Masterchef.

Kawasaki começou discretamente no reality da Band, cresceu no meio do programa, virou favorito, mas nas últimas semanas, segundo ele,  ficou abalado física e psicologicamente por causa da pressão e passou a cometer erros.  Jiang, pelo contrário, segue zen e é a queridinha do programa.

Muito criticado pelo twitter por ser teimoso, arrogante e cheio de empáfia, recebeu um conselho do Chef Jacquim:  – Esquece seu ego, a sua personalidade, e foque na comida.

Não foi  desta vez, Fernando, mas você chega lá!

 

JORGE NAGAO

JORGE NAGAO

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