JYOUTO-SHIKI: Cerimônia apresenta ‘oficialmente’ fachada da Japan House São Paulo

Na terça-feira (24), à véspera de celebrar mais um aniversário, o seu 463º, a maior cidade da América do Sul começou a “desembrulhar” o presente dado pelo governo japonês com a realização da cerimônia Jyouto-shiki, que serviu para apresentar a fachada de hinoki – tipo de madeira muito usada na arquitetura contemporânea japonesa – de 36 metros de largura da Japan House São Paulo.

 

Japan House SP apresenta fachada e ‘estuda conteúdo’ para a inauguração. Foto: Jiro Mochizuki

 

O projeto, assinado pelo renomado arquiteto japonês Kengo Kuma, foi executada por uma equipe de cinco artesãos especializados na arte de encaixes deste tipo de madeira. É a mesma empresa responsável pela reforma do Pavilhão Japonês do Parque do Ibirapuera, construído com a mesma técnica.

Conduzida pelo ministro supremo do Tempo Xintoísta do Brasil, Guiji Osaka, a cerimônia teve nove atos, como de içar a última peça de hinoki da fachada (Rikitsuna no Gui) e fixá-la (Tsuti Uti no Gui), que contou com a participação de todos os presentes, entre eles o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; o presidente honorário da Japan House São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero; o presidente da Construtura Toda do Brasil, Masatoshi Okuchi e a presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Goya.

 

Assinado pelo arquiteto Kengo Kuma, projeto da fachada da Japan House utiliza técnica de encaixe. Foto: Aldo Shiguti

 

“Achamos que era oportuno encerrar todo esse processo com essa cerimônia xintoísta para celebrar esse momento”, disse o cônsul Nakamae, lembrando que a técnica de encaixe tem cerca de 300 anos história e que o hinoki, muito usado na construção de templos, é considerado sagrado dentro da religião xintoísta.

Nakamae também não escondeu sua felicidade ao observar que, após dias seguidos de chuva, o céu abriu e o sol finalmente apareceu em São Paulo. “Parece que todos estão abençoando esta conquista e torcendo para o sucesso desta empreitada”, disse o cônsul, acrescentando que “tenho certeza que daqui para frente todo o trabalho vai caminhar conforme o planejado até a data de sua inauguração, prevista para maio”.

 

Convidados e autoridades participam de cerimônia. Foto: Aldo Shiguti

 

Para Hiroki Nakashima, que comandou o trabalho dos artesãos, toda a preocupação foi justamente por se tratar de um projeto inédito. Com longa tradição na construção e restauração de madeiras, a Nakashima também vem realizando voluntariamente obras de restauro no Pavilhão Japonês desde 1988. “A diferença é que aqui foi a primeira vez, mas seguimos à risca tudo que foi determinado”, disse Nakashima, explicando que sua equipe retorna nesta sexta-feira (26) para o Japão.

 

Hiroki Nakashima, da Construtora Nakashima. Foto: Aldo Shiguti

 

Próximos passos – Em entrevista ao Jornal Nippak, o cônsul disse que o próximo passo agora é trabalhar nos preparativos do conteúdo do evento que será apresentado a partir de maio, “bem como em alguns detalhes no interior da construção”.

Conforme antecipou o Nippak em sua última edição, a previsão é concluir toda as obras ainda este mês e transferir o escritório da Japan House até meados de fevereiro. O escritório da Fundação Japão também deve mudar para o novo endereço entre março e abril deste ano.

 

Masatoshi Okuchi, presidente da Construtora Toda do Brasil. Foto: Aldo Shiguti

 

Para a inauguração, o Nippak apurou que a presidente da Japan House São Paulo, Ângela Hirata, deve viajar para Tóquio nos próximos dias para fechar com um convidado de “renome internacional” e que será uma das atrações da inauguração. O nome, por enquanto, é guardado a sete chaves.

Quando abrir suas portas para o público, a intenção da  futura instalação é “apresentar um olhar contemporâneo sobre o verdadeiro Japão”. Além da capital paulista, Londres, na Inglaterra, e Los Angeles, nos Estados Unidos, também estão recebendo projetos semelhantes. Cada qual terá sua própria programação.

 

Os artesãos japoneses com autoridades presentes na cerimônia de apresentação da fachada. Foto: Aldo Shiguti

 

Autossuficiente – Com funcionamento de terça a domingo, a instalação pretende mostrar em seus três andares, exposições, seminários, workshops e atividades que trarão ao Brasil os mais relevantes criadores e empreendedores japoneses da atualidade nas artes, no design, na moda, na gastronomia, na ciência e na tecnologia.

O espaço abrigará ainda um restaurante dedicado à gastronomia japonesa, loja de produtos de alta qualidade produzidos no Japão e uma biblioteca, que terá anexo um café.

O governo japonês investirá cerca de US$ 30 milhões até 2019, quando a Japão House São Paulo deve se tornar autossuficiente.

 

 

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    One Comment

    1. não dou nem uma semana pros black blocs usarem as ripas pra baterem na PM. Além disso eu achei muito feio, parece um jirau de favela .

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