KAJIMAYA: Toyo Hanashiro comemora 97 anos em São Paulo

O Japão lidera a lista dos países com maior expectativa de vida no mundo. Em Okinawa, arquipélago localizado ao extremo sul do Japão, é comum encontrar pessoas com mais de 90 anos. Há 76 anos no Brasil, Toyo Hanashiro comemorou no último dia 4, seus 97 anos – Kajimaya – ao lado de filhos, netos e bisnetos, na capital paulista. No Brasil, Toyo é atualmente a matriarca da família Hanashiro.

 

Matriarca da família Hanashiro, Toyo comemorou 97 anos com familiares e amigos. Foto: Mara Garcia

 

Nascida na região de Isagawa, em Okinawa, em 8 de novembro, Toyo é filha de Shuko Ikemiya e Tsuru Ikemiya e foi a terceira de oito irmãos. Aos 20 anos, em 1940, ela chegou ao Brasil, onde Seiki Hanashiro, que já estava há cinco anos no país, já a aguardava. No mesmo ano Toyo e Seiki se casaram e, como a maioria dos imigrantes japoneses da época, trabalharam por muitos anos com a terra, sobretudo com plantação de bananas, na Vila de Raposo Tavares, em Itariri, município localizado na região do litoral sul de São Paulo. Tiveram sete filhos, 20 netos e, até o momento, sete bisnetos.

 

Toyo com filhos, noras e genros. Foto: Mara Garcia

 

A comemoração aconteceu no Buffet Yano e contou com apresentações típicas de sua cidade natal como a apresentação de sanshin (instrumento musical de três cordas, precursor do shamisen, típico da província de Okinawa) com prof. Takao Yoshimura e Kiyoshi Kohatsu, do grupo de dança Saito Satoru Ryubu Dojo e também do grupo de Taikô da Ryukyu Koku Matsuri Daiko Brasil.

 

 

A matriarca com netos e bisnetos. Foto: Mara Garcia

 

Significado do Kajimaya – Segundo a crença dos okinawanos são sete os ciclos de transformação na vida, sendo que o sétimo se encerra aos 85 anos. Depois dessa fase há duas comemorações de aniversários muito importantes e especiais: de 88 anos (Tookati) e de 97 anos (Kajimayá). As pessoas que ultrapassaram pelos sete ciclos são consideradas plenas e de idade iluminada. Kajimayá quer dizer o círculo da vida, o momento em que duas linhas contínuas se cruzam formando um ponto zero ou cruzamento e é representado pelas linhas do Cata-Vento.

 

Toyo com o único irmão no Brasil, Shuken Ikemiya. Foto: Mara Garcia

 

Em Okinawa, há vários lugares que saúdam seus aniversariantes com grandes festas populares. Lá o idoso de 97 anos é colocado na carroceria de um caminhão com um cata-vento nas mãos, para que ele reviva seu tempo de criança. O caminhão tipicamente enfeitado percorre toda a região, e às vezes, é acompanhado de uma fanfarra de uma escola local. Depois toda a comunidade participa de uma grande festa que é o Kajimayá, nome também dado a uma antiga lenda.

 

A aniversariante com tocadores do Ryukyu Koku Matsuri Daiko. Foto: Mara Garcia

 

Toyo com grupo de dança Saito Satoru Ryubu Dojo. Foto: Mara Garcia

 

(Mércia Suzuki, especial para o Jornal Nippak)

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