LITERATURA: Livro resgata história dos primeiros imigrantes okinawanos

Para registrar e homenagear a presença dos okinawanos no navio Kasato Maru, a professora aposentada Sonoco Akamine, escreveu o livro “Os Imigrantes Okinawanos do Kasato Maru”. A obra traz em 268 páginas minuciosos depoimentos pessoais, relatos de descendentes e fotos das famílias destes pioneiros. O livro retrata de forma singela a presença dos 325 imigrantes procedentes da Província de Okinawa no Kasato-Maru, a passagem em mais de100 anos da migração japonesa para o exterior revela que este movimento foi o acontecimento mais importante no que se refere ao deslocamento de seres humanos da história moderna do Japão.

Em entrevista ao Jornal Nippak, Sonoco Akamine, que apesar dos 74 anos de idade ainda trabalha na área de Recursos Humanos, destaca a importância do livro para a comunidade japonesa e principalmente para os okinawanos no Brasil. “Eu fiz esse livro para homenagear os antepassados da comunidade japonesa, e em particular os okinawanos”, diz.

 

(Foto: Luci Judice Yizima)

A autora Sonoco Akamine: “Precisava registrar e homenagear as memórias desses antepassados” (Foto: Luci Judice Yizima)

 

Cemitérios – “Durante os 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil foi construído um Memorial com os nomes de todos os imigrantes do Kasato Maru, porém houve mudanças dos sobrenomes por motivo de escrita, pronúncia e pós-guerra”, conta Akamine inconformada.

“Os sobrenomes estavam fictícios, então resolvi fazer a correção dos nomes. Comecei a procurar e pesquisar pelos descendentes e até datas de falecimentos. As pesquisas e estudos se estenderam durante cinco anos fiz quatro viagens ao Japão, três viagens a Argentina, e duas viagens ao Rio de Janeiro, inúmeras ao interior paulista, e pelo Brasil a fora, tive muitas dificuldades, pois não havia registros ou informações a respeito. A minha pesquisa se estendeu até nos cemitérios e Butsudans”, afirma a escritora.

“Pesquisar os passos dos primeiros imigrantes do Kasato-Maru há mais de um século, não foi uma tarefa das mais simples para mim, encontrei muitas barreiras, mas não desisti”, conta. “A captação de informações, datas, fatos e fotos das famílias foi muito árdua, mas encontrei e entrevistei familiares com relatos impressionantes, muito interessantes e valiosos”, orgulha-se a mestre.

Durante a pesquisa a escritora descobriu que tem okinawanos em várias regiões do Brasil. Hoje no Brasil existem mais 180 mil descendentes okinawanos. “O que mais me motivou a escrever o livro foi lembrar do esforço, do trabalho, do sacrifício dos antepassados. Saber que precisava fazer algo para registrar e homenagear as memórias desses antepassados. Fico feliz em poder contribuir com a história e tenho orgulho de ser descendente deles”, finaliza Akamine.

De acordo com a autora, o livro foi editado mil exemplares em japonês e confeccionados no Japão. E quinhentos exemplares em português confeccionados no Brasil, com produção independente. Após a conclusão da obra a escritora lançou no final do ano passado em Okinawa – Japão e no Brasil.

Quem tiver interesse em adquirir o livro pode entrar em contato nos telefones: 11/3276-5155 e 3208-2944 no Sol Nascente ou no Jornal Nikkei Shimbun pelo telefone: 11/3340-6060 (com Redação Japonesa).

 (Luci  Júdice Yizima)

Related Post

Música: Kana se apresenta neste sábado no Teatro d... Em fase de finalização de seu novo CD, "Em Obras", a cantora e compositora Kana Aoki Nogueira faz show de pré-lançamento neste sábado (24), a partir d...
Feira Vegana de Outono leva gastronomia e ativismo... Seguidores e apreciadores da cultura vegana já têm encontro marcado para o próximo final de semana, dias 11 e 12, das 12h às 20h. A Veg Nice organiza ...
CARNAVAL 2015: Nikkeis vivem a expectativa de desf... Quem gosta de samba e quer experimentar a sensação de desfilar na passarela do samba no Anhembi no Carnaval 2015, eis que surge uma grande oportunidad...
COMUNIDADE: Pavilhão Japonês celebra 60 anos   Monumento que simboliza o sentimento de gratidão do Japão ao povo brasileiro pela acolhida aos imigrantes japoneses e parada quase que obrig...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *