LITERATURA: Livro retrata romance proibido entre pracinha nikkei e uma carioca

 

“Se alguma viagem me causou aborrecimento foi somente esta minha adorada Ilma, porque separa de você. Parece-me que perdi tudo quanto me faria apreciar a vida, nada me interessa senão os dias felizes que passo ao seu lado. As minhas ações como os meus pensamentos, só se dirige para (ti) você, em toda parte a vejo, ouço a sua voz e tenho a sempre no meu pensamento”.

 

O trecho acima refere-se a uma carta escrita em maio de 1944 por Alberto Tomiyo Yamada, então cabo da Força Expedicionária Brasileira (FEB), para sua amada a carioca Ilma Faria. Ele na Itália e ela no Brasil. Separados pela guerra, mas unidos pelo amor.

A história envolvendo um nikkei e uma não descendentes, naquela época, por si só já renderia enredo para um filme. Acabou rendendo um livro. “Amor entre guerras” (Editora Planeta, 319 páginas, preço sugerido R$ 34,90), um romance baseado em fatos reais, é a obra de estreia da jornalista Marianne Nishihata. O lançamento será no próximo dia 14 (segunda-feira), das 18h30 às 21h30, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Também está previsto um lançamento no dia 7 de dezembro, em Mogi das Cruzes (SP), no dia 7, onde Yamada e Ilma se conheceram.

 

Com “Amor Entre Guerras”, a jornalista Marianne Nishihata faz sua estreia como escritora (Foto: Aldo Shiguti)

Com “Amor Entre Guerras”, a jornalista Marianne Nishihata faz sua estreia como escritora (Foto: Aldo Shiguti)

 

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Capa do livro de Mariannae Nishihata (Foto: Arquivo Pessoal)

Trabalhando atualmente como gerente de produto digital na Editora Abril, Marianne conta que a história foi inspirada com base no material que colheu para o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Jornalismo da Universidade de Mogi das Cruzes. Na época, era chefe de redação da sucursal da revista Made in Japan – passou antes pelas redações do jornal Agora SP, do site G1 e da revista Veja São Paulo.

O trabalho era sobre os nikkeis que defenderam o Brasil na Segunda Guerra Mundial. Marianne ficou sabendo sobre a existência de pracinhas nikkeis que atuaram na campanha da FEB à época que trabalhava como estagiária em um jornal semanal da comunidade nipo-brasileira. Conheceu e entrevistou sete pracinhas nikkeis após checar os sobrenomes de cada um dos 25 mil combatentes.

 

Ditian – Acabou chegando até Satsuki Nakasone, o seu primeiro entrevistado e que viria a falecer em 2010. “Ele morava em Cocuera – bairro de Mogi das Cruzes – e não gostava de falar muito sobre a Guerra. Tive o privilégio de ser uma das únicas pessoas para quem ele falou sobre o conflito”, conta Marianne, lembrando que Nakasone passou a ser uma espécie de ditian dela. “Ele até me enviou alguns ienes quando fui para o Japão”, explica. Foi através dele que Marianne entrevistou outros ex-combatentes como João Horita, Kunio Ojima, Kyossi Hirata, Raul Kodama e Tomoki Sannomiya. E chegou até a mulher de Yamada, Ilma Faria, que conheceu em 2002, poucos meses após a morte de Yamada.

 

Cartas – Foram sete anos de convivência e de idas e vindas ao Rio de Janeiro. “Ela me contou tudo, desde como se conheceram até o primeiro filme que assistiram juntos”, diz Marianne, que também teve acesso a todas as correspondências enviadas por Yamada da Itália.”As cartas eram todas muito longas e muito bem escritas”, conta, lembrando que a família de Yamada era muito bem conceituada em Mogi das Cruzes, onde tinham uma farmácia.

Os dois se conheceram na estação ferroviária de Mogi, para onde o pai de Ilma, um conferente de bilhetes na Estrada de Ferro da Central do Brasil, havia sido transferido. Foi amor à primeira vista. “A Ilma já admirava a cultura japonesa. No Rio, onde moravam antes de se mudarem para Mogi, ela frequentava casas de amigos japoneses, onde foi apresentada à culinária japonesa”, conta Marianne, acrescentando que o início do romance proibido foi em dezembro de 1941, durante a celebração da Missa do Galo.

 

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Carta escrita por Yamada para sua amada (Arquivo pessoal)

 

O cabo Yamada (Arquivo Pessoal)

O cabo Yamada (Arquivo Pessoal)

Miai – “O pai de Yamada sempre foi contra o relacionamento. Ele já tinha até arrumado um miai (casamento arranjado)”, explica a jornalista, acrescentando que Yamada embarcou para a Itália em setembro de 1944.

Lá, passou maus bocado. Foi confundido com japonês “do Japão” – que fazia parte da chamada Aliança do Eixo ao lado da própria Itália e da Alemanha – e dado como morto. “Chegaram a rezar uma Missa de Sétimo Dia, mas a Ilma nunca acreditou nisso”, conta Marianne. Foram quatro meses sem receber uma única notícia sobre seu paradeiro, até o reencontro, em agosto de 1945.

O casal teve seis filhos. Para o lançamento em Mogi das Cruzes, devem estar presentes as filhas Vera e Regina. E para o evento na capital paulista é aguardada a presença de Regina.  “Tive a felicidade de estrear como escritora com uma história muito bonita”, conta Marianne, que estuda um segundo livro sobre o mesmo tema, desta vez sobre os nikkeis que foram para Guerra.

 

 

ALDO SHIGUTI

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    SERVIÇO

    Lançamento do livro “Amor Entre Guerras”, de Marianne Nishihata

    Quando: Dia 14 de dezembro, das 18h30 às 21h30

    Onde: Livraria Cultura do Shopping Iguatemi – Av. Brig. Faria Lima, 2232 – Jardim Europa, São Paulo. Telefone: (11) 3030-3310

     

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