LITERATURA: Sergio Kobayashi lança livro que dá dicas de como chegar ao poder

Se você pensa que para chegar ao poder é só defender ideais, erguer bandeiras de causas e visões, então leia as dicas do livro “Guia de Estilo para Candidatos ao Poder – E para Quem Já Chegou Lá” (Editora Senac São Paulo, 235 páginas), dos jornalistas Sergio Kobayashi, Luci Molina e da consultora de imagem e estilo pessoal Milla Mathias. No guia, os autores reforçam, com exemplos, a importância da linguagem corporal, e como a vestimenta e o comportamento são ferramentas essenciais da comunicação e, quando bem trabalhadas, tornam-se um extraordinário diferencial para políticos, candidatos e gestores de empresas.

Especialistas de várias áreas também foram entrevistados especialmente para a obra, entre eles o personal hair stylist Celso Kamura, cerimonialista Carlos Takahashi e os consultores de imagem Claudio Vaz e Nazareth Amaral, alguns dos responsáveis pelas mudanças e aperfeiçoamento dos estilos dos presidentes Lula, Fernando Henrique, Dilma Rousseff, e do prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Lucia Molina, Sergio Kobayashi e Milla Mathias (foto: Luci Júdice Yizima)

A obra tem introdução do professor e jornalista Heródoto Barbeiro. O destaque do livro são temas atuais e ainda pouco tratados em obras do gênero, como é o caso do uso da internet e das mídias sociais em campanhas. Os autores e profissionais de comunicação, entre eles, as jornalistas Mariana Arantes explica como os aspirantes e políticos na ativa devem falar no rádio, e Verônica Garcia apresenta como operar nas principais redes como twitter, facebook, orkut e como desenvolver e atualizar sites e blogs. Além de apresentar um glossário de termos, abreviações e siglas comuns do universo online.  Destaca-se também o capitulo que esclarece como lidar com as mídias sociais e se portar numa entrevista com a imprensa.

“O livro, embora, seja destinado aos candidatos a cargos públicos também é valioso para empresários e qualquer pessoa que queira se candidatar a uma posição que envolva gestão de pessoas”, finalizam os autores.

 

Em entrevista ao Jornal Nippak, o nikkei Sergio Kobayashi revela como surgiu a ideia de escrever o primeiro título nacional unicamente dedicado ao tema.

Confira a entrevista.

Jornal Nippak – Quem teve a ideia de escrever o livro?

Sergio Kobayashi – O livro nasceu de um projeto da consultora de estilo Milla Mathias, que já escrevia um livro sobre “Estilo para Candidatos”. Queria me entrevistar para abordar fatos de marketing político. Mas a partir das minhas respostas achou que poderia ampliar o escopo da obra e  me convidou para ser co-autor. Pensei umas semanas e acabei me convencendo de que a ideia era muito boa. Convidei então a experiente jornalista Luci Molina para fazer o elo entre o estilo e a política. Acabamos produzindo um livro maravilhoso, com linguagem direta, simples e muito prático para os candidatos e até mesmo não candidatos. Tanto é que ousamos denominá-lo de guia ao invés de livro.

 

JN – Vocês se inspiraram em alguém para escrever o livro?

SK – Em hipótese alguma. O livro foi escrito a partir de pressupostos lógicos, conceitos já conhecidos e realizáveis.

 

JN – Pelo que li, o livro é para políticos, mas também pode ser direcionado a qualquer cidadão. Você acredita que os aspirantes ao poder irão recorrer ao livro para ver as dicas?

SK – Sim. Chegamos depois à conclusão que o guia pode ser utilizado por qualquer cidadão que aspire ascensão social ou profissional, independente de ser candidato a cargo eletivo. Afinal, estilo é para todos e não somente para políticos.

 

JN – Qual é o seu estilo?

SK – Do ponto de vista comportamental sou discreto. Aliás, discretíssimo. Na própria colônia nipo-brasileira muitos ficam surpresos com o meu excesso de discrição. Apesar de irmão de político famoso, tio de político em atividade eleitoral, ter sido Secretário Municipal, dirigente público sempre em evidência, nunca fui adepto a muita exposição. Questão de personalidade. Já no quesito indumentário sou mais pelo esportivo. Se bem que não posso fugir a formalidades, pois a profissão por muitas vezes exige o traje passeio, a camisa com barbatana e o sapato social. Aqui também, sempre com cores sóbrias e cortes discretos. A gravata, o tormento do país tropical, quando preciso usar, que seja então com mais apuro: gosto de cores e estilos mais modernos.

 

JN – Com o uso e abuso das mídias sociais, você acredita que a comunicação dos aspirantes e políticos na ativa funciona?

SK – Desde que bem feito, bem utilizado e bem estruturado, as mídias sociais para políticos agregam novas perspectivas de dividendos eleitorais. Mas precisam tomar muito cuidado, pois as redes sociais não podem ser portas para panaceias e demagogias, pois o público é mais seletivo, mais crítico. Um escorregão nas redes sociais pode ser o início de uma precoce aposentadoria política.

 

JN – O livro fala muito em dicas sobre guarda-roupa ideal, etiqueta, discurso e comportamento. E a ética política?

SK – Leves referências a respeito. Não era nosso propósito focar no discurso político. Disso eu tratei em outro livro que lancei em 2004, chamado “As Boas Técnicas do Marketing Político”.

 

JN – O seu irmão Paulo Kobayashi foi um exemplo de político a ser seguido, foi um excelente professor, amigo. E como irmão?

SK – Melhor ainda. Era o irmão mais velho, responsável pela família e cumpriu exemplarmente o seu papel. Deixou na família mais que o sentimento da saudade. Deixou um espaço que não será ocupado por nenhum outro familiar.

 

JN – O deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca se elegeu com o seu jeito popular de ser? Você acredita que se ele seguisse a risca as dicas de vocês, ele teria o mesmo resultado?

SK – Claro que o Tiririca só foi eleito porque encarnou o próprio personagem. Era o projeto do partido e não poderia ser diferente. Com certeza foi bem assessorado do ponto de vista do marketing, pois tivessem colocado o Tiririca com um terno Armani e um discurso redondinho, com certeza hoje ele seria tão somente um… Palhaço. O livro não recomenda cirurgias drásticas. Deixamos isso bem claro, ou seja, sempre se deve levar em conta os costumes e regionalidades.

 

JN – Para finalizar, quem é Sergio Kobayashi? Qual o balanço da sua trajetória?

SK – Costumo fazer dedicatórias nos meus livros dizendo que são relatos da “praxis” que transformei em teorias. E é a pura verdade. Não gosto de arrotar academicismos ou firulas ideológicas. Quando falo ou escrevo alguma coisa é porque já pratiquei ou experimentei os fatos. Como faço campanhas eleitorais desde 1974 (primeira eleição do meu irmão Paulo), com certeza alguma experiência eu tenho. E espero que os leitores acreditem. Diferentemente dos nisseis da minha época de formação escolar, fiz jornalismo ao invés de cursos de biológicas ou exatas. Ou seja, na tal de humanidades me formei. Em seguida, com a tal da “praxis”, foquei em marketing eleitoral. E agora vivo disso. Ou seja, virei profissional de eleições. Estou feliz e realizado.

 

Sobre os autores

Sergio Kobayashi é jornalista e co-autor do livro Eleição: vença a sua! As boas técnicas do marketing político. Foi presidente da Imprensa Oficial de São Paulo e Secretário de Comunicação da Prefeitura. Desde 1984 dirigiu diversas campanhas eleitorais nacionais, estaduais e municipais.

Luci Molina é jornalista e foi repórter especial de política e apresentadora no Grupo Bandeirantes de Rádio e TV. Trabalhou em várias campanhas eleitorais e em assessoria de imprensa dos governos estadual e municipal de São Paulo. É autora do livro Histórias e receitas de uma vida, com Lila Covas.

Milla Mathias é advogada e autora do livro Quem disse que você não tem nada para vestir?  Consultora de imagem e estilo pessoal, e palestrante e apresentadora de quadros de imagem e moda em diversos canais de rádio e TV.

(Luci Júdice Yizima)

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